Navegar no fluxo refluxo de poemas;
habitar e auscultar as palavras;
desenhar portos, aeroportos e estradas;
rever dilemas caminhos e trenas,
recuperar o tema de rotas “batidas”,
observar o mundo com lentes cristalinas
onde as visões epifânicas são serenas.
Assim chego a ti, o poema em mim,
aqui ou lá na Pérsia (Irã) de Sa’di Shirazi.
“Os filhos de Adão são membros de um só corpo,
Pois na criação foram feitos de uma mesma essência.
Quando o destino aflige um membro com dor,
Os outros membros não podem permanecer em paz.
Se não te sensibilizas com a dor dos outros,
Não mereces ser chamado pelo nome de ser humano.”
Era o século XIII, a roda do mundo girou, século XXI chegou,
e a humanidade ainda não alcançou o voo da nave do poeta.
Ou a sua mensagem talvez tenha sido por um drone interceptada?
Ou um míssil? Um míssil não balístico. Ou um satélite lunático.
Hillel, o ancião, líder dos fariseus, sábio entre os rabinos judeus,
nascido na Babilônia , viveu no século I, fora seu percursor.
Percursor do sentimento de mundo expresso pelo persa.
Disse o notório sábio, embrenhado de saber e amor:
“O que é odioso para ti, não o faças ao teu próximo.
Esta é toda a Torá; o resto é comentário.”
O “resto” de restolho que dos desumanos faz a festa.
Dançam sem cerimônia sobre lágrimas e corpos,
Deixando-os ficar, no deserto ou no mar, nus e rotos,
ignorando a interconexão entre o humano e o humano;
entre o humano e o divino; entre o divino, o humano e o clima.

