Uma grande operação da Polícia Civil do Amapá revelou a dimensão do desmatamento ilegal em uma reserva federal localizada na região do Vale do Jari, no sul do estado.
Durante o 3º Ciclo da Operação Protetor dos Biomas, os agentes identificaram 20 áreas devastadas, prenderam quatro pessoas e apreenderam armas, equipamentos utilizados na extração ilegal de madeira, veículos e um caminhão carregado com toras retiradas da floresta.
A ofensiva foi realizada após um minucioso trabalho de inteligência, que utilizou imagens de satélite e relatórios de sensoriamento remoto para mapear possíveis focos de desmatamento.
Com base nesses levantamentos, as equipes percorreram mais de 30 pontos considerados críticos para verificar a ocorrência dos crimes ambientais, identificar os responsáveis e constatar a ausência de licenciamento para exploração da área protegida.
O balanço da operação demonstra a extensão da atividade ilegal. Além da identificação de 20 pontos de desmatamento, os policiais registraram mais de 30 boletins de ocorrência e apreenderam cerca de oito metros cúbicos de madeira extraída de forma clandestina.
Também foram recolhidos um caminhão utilizado no transporte da carga, duas motocicletas, duas motosserras e duas espingardas com munições.
Segundo a Polícia Civil, o material apreendido e os equipamentos retirados de circulação representam um prejuízo estimado em R$ 150 mil para os grupos envolvidos na exploração ilegal da floresta.
Durante a ação, três homens foram presos em flagrante enquanto transportavam a madeira retirada da reserva. Em outra frente da operação, os policiais localizaram e prenderam um homem que estava escondido na área de mata. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva pelo crime de estupro de vulnerável, tornando a operação ainda mais relevante do ponto de vista da segurança pública.
De acordo com o delegado Mauro Ramos, titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), a presença constante das forças policiais no Vale do Jari é estratégica para impedir o avanço do desmatamento e enfraquecer a atuação de grupos criminosos que exploram ilegalmente os recursos naturais da região.
O delegado destacou que as diligências permitiram confirmar a materialidade dos crimes ambientais, identificar os autores e reunir provas que irão subsidiar a continuidade das investigações e das ações da Polícia Judiciária.
Ele ressaltou ainda que a atuação permanente das equipes é fundamental para proteger uma das áreas ambientalmente mais sensíveis do estado.
A Operação Protetor dos Biomas integra um conjunto de ações desenvolvidas em diferentes regiões do país para combater crimes ambientais, preservar áreas protegidas e responsabilizar os envolvidos na destruição dos recursos naturais, reforçando o compromisso das forças de segurança com a proteção da Amazônia.

