O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu revogar as medidas cautelares de Márcio Canella, ex-prefeito do município de Belford Roxo (RJ), e o policial militar que era responsável pela segurança do político. Os homens foram alvo da 6ª fase da Operação Unha e Carne, da PF (Polícia Federal), no início deste mês e chegaram a ser presos em posse de armas.
Na determinação, Moraes indica que não subsistem fundamentos concretos para justificar a manutenção das medidas cautelares, que incluem uso de tornozeleira eletrônica e a suspensão do porte de arma. A decisão foi publicada na última quarta-feira (22).
Segundo o ministro, os materiais colhidos até o momento indicam a “verossimilhança” dos esclarecimentos prestados pelas defesas: “Não havendo elementos que permitam inferir a prática do delito de porte ilegal de arma de fogo, uma vez que os artefatos bélicos apreendidos aparentam estar regularmente registrados e acautelados a policiais militares identificados pela própria corporação”.
O magistrado já havia, no dia 10 de julho, determinado a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo e indicado as medidas cautelares. Em nota, a Seppen (Secretaria de Estado de Polícia Penal) informou que, após a decisão judicial, Canella deixou o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó.
Prisão do ex-prefeito
Canella foi preso no último dia 7, após agentes da Polícia Federal encontrarem um fuzil calibre .556 no veículo em que ele estava. Embora tenha sido detido em flagrante, ele era alvo, inicialmente, de um mandado de busca e apreensão nesta etapa da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio. Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado R$ 7,6 bilhões.
Canella afirmou que o fuzil apreendido pertence ao policial militar responsável por sua segurança. Na decisão, Alexandre de Moraes destacou que essa versão ainda deverá ser esclarecida ao longo das investigações.
Em nota, os advogados Pierpaolo Cruz Bottini, Sheila Lustosa e Davi Lefer afirmaram que a prisão “não se sustentava”, pois a arma encontrada no veículo era legalizada e registrada em nome do segurança do ex-prefeito.
A defesa informou ainda que toda a documentação foi apresentada ao STF e que Canella permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos no curso da investigação.
Fonte: CNN Brasil

