Não me perguntes de onde venho.
Isso só a mim IMPORTA,
a mim somente, tão propriamente.
Não poderás morar,
ou melhor,
reconhecer um lugar,
onde nunca estivestes.
Atravessei caminhos.
Trouxe BAGAGENS,
RESENHAS das viagens.
Coletei sementes raras.
Trouxe-as na tez, na cara,
no solado das sandálias,
nos rodados das saias,
nos papiros, nas pastas.
Convergentes…
Não me lances teus olhares.
Distraídos e imagéticos
sonares nas águas e ares.
Tenho pressa.
Na quietude doce e calma,
já parti, de corpo presente.
Silenciosamente…
Não me queiras por demais,
demasiadamente.
Sou arisca.
Trago riscos, gravações,
ESCORIAÇÕES,
ocultas lesões…
Rasgos de alma.
Não doem.
Assinalam.
Desilusões de bem-querer,
de confiar e de amar.
Demasiadamente.

