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A Gazeta do Amapá > Blog > Polícia > Padre do DF usava doce para atrair coroinhas e cometer abusos sexuais
Polícia

Padre do DF usava doce para atrair coroinhas e cometer abusos sexuais

Redação
Ultima atualização: 14 de julho de 2021 às 00:00
Por Redação 5 anos atrás
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Conteúdos
Doce de banana Reação familiar O que diz a Arquidiocese

Uma nova vítima de assédio e abuso sexual supostamente cometidos pelo padre Delson Zacarias dos Santos (foto em destaque), 47 anos, procurou o Metrópoles para contar os momentos de pânico vividos durante as investidas do pároco. De acordo com o relato, o religioso usava a desculpa de oferecer “doce de banana” para atrair coroinhas que integravam um grupo do qual ele mantinha proximidade. As denúncias fizeram a Arquidiocese de Brasília afastá-lo de suas funções.

De acordo com o servidor público, que atualmente tem 31 anos, o assédio ocorreu quando ele tinha entre 14 e 15 anos, durante o tempo em que frequentava a igreja no Riacho Fundo pela qual o padre era responsável. A vítima narra que o líder religioso passou a se tornar mais próximo quando ele foi escolhido para ingressar em um grupo chamado Cerimoniários, em que só havia participantes do sexo masculino com idades até 18 anos.

Segundo a vítima, Delson Zacarias “escolhia a dedo” quais os jovens entrariam no grupo. “Geralmente, quando algum fiel quer entrar em determinado grupo da igreja, procura-se a pastoral, depois faz uma reunião e pronto. No caso dos Cerimoniários, quem fazia a escolha pessoalmente era o padre Zacarias. Esse grupo era o mais próximo dele”, explicou.
 

Doce de banana 

Durante uma noite, em 2004, o padre passou de carro na frente da casa do então adolescente. Ele buzinou e fez o convite. “Minha mãe, que é muito católica e frequentava aquela igreja, avisou que o padre Zacarias estava me chamando. Quando cheguei do lado de fora, ele me falou para entrar que iríamos até a casa dele pegar um doce de banana que ele havia feito para minha mãe”, lembrou.

Chegando à casa do pároco, a atitude dele mudou, segundo a vítima. O religioso o chamou para o quarto e fez uma pergunta direta. “Ele quis saber se eu tinha o costume de me masturbar. Respondi que sim, achando que ele fosse me corrigir. Depois, pediu que eu tirasse a blusa, pois queria ver se eu era magrinho. Em seguida, pediu para ver minhas ‘coxinhas’. Naquele momento, o padre foi além e pediu para que eu tirasse o short”, contou.

O pároco, então, pegou uma câmera digital, afirmando que faria algumas fotos do adolescente. “Ele pediu para que eu ficasse de cueca. Naquele momento, fiquei com o corpo todo tremendo, mas tive a reação de dizer que queria ir embora. Ele, então, me levou de volta, sem dizer uma palavra durante o trajeto até a minha casa”, recordou.

 

Reação familiar 

Assustado, o jovem resolveu contar aos pais o que havia ocorrido. A reação foi o imediato afastamento do adolescente da igreja. “Passei a frequentar outra paróquia no Riacho Fundo e meus pais ainda procuraram outras pessoas ligadas à Arquidiocese de Brasília para contar o que estava ocorrendo e a resposta foi que o meu caso não era o único”, disse.

No último sábado, o Metrópoles publicou matéria mostrando que há investigação sobre o padre na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Ele é acusado de estupro de vulnerável, supostamente ocorrido entre os anos de 2014 e 2021.

Por se tratar de uma investigação envolvendo menor de idade, as informações sobre o caso não podem ser divulgadas pela polícia e são sigilosas até o final do processo. No entanto, a reportagem apurou, com exclusividade, a abertura do inquérito contra o sacerdote que acumula passagens por paróquias no Riacho Fundo I, Sobradinho e Lago Sul. Além de ministrar aulas no seminário de Brasília e na Faculdade de Teologia (Fateo).

A matéria traz o caso de violência sexual praticada contra um jovem – que não terá a identidade revelada para preservar a integridade da vítima – iniciada quando ele tinha apenas 13 anos. Em contato com a reportagem, o rapaz descreveu os longos seis anos e seis meses nos quais sofreu abusos quase semanalmente.
 

O que diz a Arquidiocese

Procurada pelo Metrópoles, a Arquidiocese de Brasília, em nota, informou que a igreja presta assistência protetiva e psicológica aos envolvidos e instaurou um processo de investigação. Além de ter providenciado o afastamento do acusado de seu ofício sacerdotal.
 

Leia na íntegra:

“O Sr. Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, ao tomar conhecimento da acusação de abuso sexual contra menor feita em desfavor do Pe. Delson Zacarias dos Santos, providenciou prontamente o seu afastamento cautelar da função paroquial, determinando o afastamento preventivo do seu ofício sacerdotal até o efetivo esclarecimento dos fatos impróprios apontados, e deu início à chamada ‘investigação prévia’, atualmente em curso.

Além disso o Arcebispo, recebeu a suposta vítima e seus familiares em audiência, acolhendo e manifestando sua proximidade de pastor, prestando assistência protetiva e psicológica aos envolvidos, zelando e expressando o compromisso da Igreja com a proteção de crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis, em consonância com as normas eclesiásticas promulgadas por São João Paulo II, e completadas pelo Papa Bento XVI e, mais recentemente, aperfeiçoadas pelo Papa Francisco, no Motu Proprio Vos estis lux mundi.

 

A Igreja de Brasília conta com uma Comissão Arquidiocesana de Proteção de Menores e Pessoas vulneráveis, presidida pelo Padre Carlos Henrique. Nosso compromisso é cuidar que os ambientes de nossas comunidades sejam seguros e confiáveis para as crianças e adolescentes, acolher as vítimas e as testemunhas de eventuais abusos com todo o respeito e cuidado. Nada mais para o momento.

Do Gabinete Episcopal
Sede da Cúria Metropolitana de Brasília-DF, 08 de julho de 2021″

 

 

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Redação 14 de julho de 2021 14 de julho de 2021
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