Uma das certezas que temos da vida é que, além da morte e dos impostos, o tempo não para. A cada momento, ele derrete e sem perceber, nos devora. Hoje, tivemos um daqueles dias que marcaremos na história: o anúncio da aposentadoria de Sebastian Vettel.
Era algo que já se esperava que acontecesse a qualquer momento. Porém, quando veio foi algo que chamou a atenção. Primeiro, a criação do perfil no Instagram. E nesta quinta, veio o comunicado oficial.
Um filme passa diante dos olhos e logo vem a imagem daquele garoto franzino que estava andando na BMW Sauber. Pela postura e o discurso, já dava para notar que era diferenciado. Quando fez a façanha de vencer em uma encharcada Monza com a Toro Rosso em 2008, ali marcava que as coisas seriam diferentes para aquele piloto.
A Red Bull, que apostou nele, teve retorno logo. Vettel significou a renovação do time. Em 2009, após Newey ter conseguido botar o RB5 para funcionar com o difusor soprado e teve uma grande parte final de campeonato. A base para o futuro estava ali.
Então entre 2010 e 2013, houve o domínio. No primeiro ano, a vitória parecia improvável, mas veio. Posteriormente, houve um dos grandes casamentos entre piloto, carro e equipe. Muitos dizem jocosamente que só venceu por conta do carro. Embora a F1 seja um campeonato de engenharia para ver quem faz o melhor carro de acordo com as regras estabelecidas, é muito fácil reduzir a isso.
Quando foi anunciado o acordo com a Ferrari, parecia que o céu era o limite. Era o máximo para Vettel, um fã da categoria, que ia para a principal equipe da F1 e onde o seu grande ídolo Michael Schumacher virou Deus. Mesmo apreciando tudo e vivendo intensamente a experiência, inclusive apendendo italiano, não foi o que se esperava. Vettel foi engolido pela política e o modo de funcionamento da Ferrari.
Talvez o maior exemplo tenha sido em 2018, no fatídico GP da Alemanha. Após ter errado naquela pista meio seca, meio molhada, Vettel começou a ter que ser estrategista, chefe de equipe, engenheiro…e isso impactou no seu desempenho. Junte isso a não adaptação a um carro que não era ao seu estilo (a era híbrida não sorriu para Vettel), a coisa degringolou.
Mas no último ano na Rossa, Vettel passou a mostrar outras facetas. Além de ter mais uma vez um jovem leão ao seu lado, o alemão foi lançando suas atenções para bandeiras como racismo, proteção ao meio ambiente…coisas que Lewis Hamilton começou também a chamar a atenção. Vettel começou a construir um outro personagem: a do esportista engajado e que se preocupa com coisas que vão além do seu trabalho.
A ida para a Aston Martin foi decretada por muitos como um final de carreira. Mais um caso de piloto que não está mais no topo e começa a perambular por times menores. Em tese, não era uma má aposta: se a Force India/Racing Point fazia bons trabalhos com recursos reduzidos, por que não agora com dinheiro? Vettel poderia ser um elemento que poderia ajudar na construção deste novo time ser grande e disputar vitórias.

