Os pesados reajustes nos preços dos combustíveis, que mexe com toda a cadeia produtiva e empurra o cidadão para a miséria, deveria ser uma pauta séria para o governo. Todavia, como se o governo ainda tivesse na mão de sua oposição, o presidente debate com certo ar de impotência, como se nada pudesse fazer sobre o assunto, num odioso alheamento. Ora, a caneta bic lhe pertence desde o primeiro dia de janeiro de 2019. De lá prá cá, pouca coisa se fez para controlar o preço dos combustíveis sujeito à famosa PPI. Bolsonaro, com voz de sargento recém-promovido, como providência, apenas trocou a presidência da estatal sem propor mudança da política de preço, atrelada ao dólar, a famosa PPI, causa eficiente dos reajustes. É Como trocar o garçom para combater a bebida cara.
Só para relembrar a fraqueza do presidente e seus argumentos em relação aos aumentos de preços dos combustíveis, ele já culpou o governo PT com a corrupção, os governadores do Estado com a alíquota do ICMS, a guerra da Ucrânia e, agora, a própria Petrobras. Antes, quando a caneta bic ainda não lhe pertencia, dizia que o botijão de gás não poderia ultrapassar o preço de 25 (vinte e cinco) reais e a gasolina 2 (dois) reais e 50 (cinqüenta) centavos. A amnésia consumiu tanto seu cocuruto que hoje sequer recorda desses bordões de campanha. O caso é grave e pode comprometer, inclusive, sua ambição de se reeleger para ficar no lugar que diz, paradoxalmente, que precisa sair para ter paz.
O presidente da caneta barata e fraca, faz relembrar de um trecho da obra “O Homem Deus ou o Sentido da Vida” de Luc Ferry. Nela, ele lembra de uma história de um mulher, contada por Sogyal Rinpoché, no livro “Tibetano do viver e do morrer”, que teve o filho morto e queria ressuscitá-lo. Desesperada – indicada por terceiros – levaram-na a Buda que disse: “só há um remédio para o mal que te aflige. Desce até a cidade e consegue um grão de mostarda vindo de uma casa em que jamais tenha havido morte…” Pode-se imaginar o fim da história, conclui o escritor. Bolsonaro quer resolver os problemas do país sem tomar qualquer atitude. Tal qual a casa com grão de mostarda onde jamais tenha havido morte, não existe governo no mundo que tenha resolvido crises com fraqueza e omissão. Também já se pode imaginar o fim dessa história.