O Brasil atualmente vive enfronhado em pautas que bem revelam o quanto o país está desalinhado em relação as suas reais prioridades. Voto eletrônico e liberdade de expressão, por exemplo, foram agendas levantadas pelo governo Bolsonaro que levaram, inclusive, tanques obsoletos às ruas e propiciaram uma manifestação em 7 de setembro que cheirou a ensaio inoportuno de golpe. Enquanto isso, pautas importantes como desemprego e recuperação da economia no período co-pandêmico foram assuntos esquecidos. Paulo Guedes, na Economia, numa metáfora grosseira, parece o jogador Vitinho do Flamengo, foi comprado como a solução do problema, por um preço altíssimo, mas a entrega em campo é pífia.
O presidente Bolsonaro tem de, urgentemente, virar a própria mesa para alcançar resultados diferentes. Uma séria assepsia ministerial e de pautas seria importante nesse momento em que as pesquisas apontam para uma desaprovação do governo que ultrapassa os 50%. É um indicador que assusta, sobretudo para quem tem a clara intenção de renovar o mandato. Outra virada importante seria mudar seus conselheiros políticos e de governança. Os atuais são como beques vocais de cantores famosos, apenas repetem, com acurada harmonia, o que o chefe canta. Nessa toada não há como mudar o quadro ruim em que o Brasil se encontra.
Os erros crassos nas governanças das organizações apontados por Ricardo Semler em seu Best-seller como causadores das bancarrotas estão em profusão na atual administração do Brasil. Caso o presidente Bolsonaro, num reflexo de lucidez, atente para a necessidade de virar a própria mesa para alcançar resultados bem mais agradáveis aos brasileiros, ainda terá a chance de sonhar com uma reeleição. Todavia, caso continue com seus bordões inúteis em histéricas gritarias improdutivas de suas pautas fajutas, seu futuro político já tem data marcada para o fim. É o que dizem as pesquisas.