Egito, passando por Alexandre O Grande, raciocinando com a Grécia do velho Sócrates, inventor de besta democracia, auscultando Roma, herdeira do espetacular povo etrusco, tão diferente dos hoje italianos, chegou à França de sanguinária revolução até aportar o pensamento em tempos bem modernos na Rússia.
Toda essa ocupação mental me servia para procurar entender e melhor compreender toda a humanidade com seus líderes, e por que não, principalmente seus políticos. Apesar de que na história um imperador romano, Teodósio chegara a dizer: “O povo nem sempre é o melhor juiz de seus líderes”. Verdade, isso acontece muito, mas que não se exagere na ignorância.
Uma grande viagem de busca e saber para registrar e confirmar que todos os povos praticamente sem exceção, após vivenciarem um regime ou sistema administrativo duro ou minimamente opressor, logo a seguir terminam por descambar em vícios sociais, com seus administradores resvalando para uma corrupção desenfreada com desrespeitosa falta de vergonha.
Na ordem citada, poderosos faraós e seus sucessores conheceram final de carreira com a saída dos hebreus, quem trabalhava, e acabando com tudo a invasão do grego Alexandre que no trono colocou Ptolomeu, seu general avô de Cleópatra. Acabou-se o Egito, e logo a seguir o grande império do próprio Alexandre, fatiado, dividido e sacaneado por seus então desocupados generais. Aconteceu o total vem a nós e dá cá que é meu.
Roma, história mais conhecida e estudada, arrombou as portas do mundo a partir de Júlio César e da duríssima organização de seu sucessor Otávio, transformado em Augusto por quarenta anos. Era tão grandiosa que imperadores seguintes, alguns bons, outros péssimos, levaram praticamente três séculos para destruir toda a grandeza que fora aquela grande península.
A Revolução Francesa, que espetáculo de novidade! E veio logo depois de uma França forte, dominante e brilhante de Luiz XIV, o Rei Sol que dizia: “Le Etat ce moi” (o Estado sou eu). O homem era um “monstro” em poder e administração. Morreu e pouco depois de dois ou três reis a mais na frente um foi decapitado até com esposa junto. Se diziam então, que o homem livre acabara de pôr fim a reinados, tiranias, aristocracias e outros poderes feudais.
Durou pouco… Veio a bagunça geral a seguir e até quem fez a tal revolução literalmente também perdeu a cabeça, na guilhotina. E tudo se escorregou para outro novo velho regime acabando nos militares. Deu Napoleão, um corso recém tornado francês. Império de novo! E homens “livres” no comando de poucos novamente.
Ando mais depressa em minha curiosidade e logo chego à Rússia de tempos mais que modernos. Outra revolução derrubada de mais realezas, fim aos czares. Chegou-se a Stalin. Ai o cacete comeu mesmo, milhões de mortos a bem do ditatorial regime. Morreu mais gente que em todos os outros lugares juntos. O comunismo iria ao sucesso, diziam. E a Rússia realmente se tornou poderosa, mas o regime não…
Durou um pouquinho, mas acabou-se e hoje o grande império onde o Putin é maestro navega em mares de lama, vícios e corrupções inimagináveis. Por lá não roubaram da petroleira, costume brasileiro, mas sim a própria e a muitas outras coisas. Cadeiazinha para uns e outros, mas inegavelmente o domínio dos mais ambiciosos não tão honestos, ainda prevalece.
Nem vou tocar na grande China. Caso à parte com seu bilhão e meio de habitantes, nem noutros, como a Índia. Venho logo para o meu Brasil.
Ao buscar compreender a humanidade fico sem entender a nós próprios. O que acontece em nossa nação? Como é que deixamos? Por que isso? Assim como tantos, também nós só sabemos viver sob a chibata? Por que nós fizemos assim? Imperador deposto, República Velha, ditadura Vargas, política liberal, ditadura militar, democracia e nova constituição e tudo lá vai se acabando na desgraça? Que isso? Quem e o que somos?
Num país deste tamanho, com a natureza altamente equilibrada, com capacidade de abastecer o mundo, um sem fim de milhões de mulheres e homens trabalhadores sérios em pacífico conceito de família, como se permite chegar a isso? Poucos milhares de ladrões na rua e na política detêm total domínio. Quadrilhas organizadas, com mandatos e poderes decisórios, em assalto lutam pelo poder, e todos assistindo como se nada estivesse acontecendo? E não reagimos…
Passo pela vida assistindo a caos, e agora vejo que foi uma pena ter vivido assim. Deixo de querer alcançar os homens e a própria humanidade, vou mais é querer dormir, talvez nem acordar.
E que Deus não desista de nós.