Apesar da polarização que nosso País vive desde o advento do retorno pátrio dos anos 2018, quando um movimento verde amarelo tomou conta de novo das ruas deste imenso Brasil gritando pautas de valores como Deus, Pátria e Família, nossa sociedade ainda vive uma participação política binária: de um lado a direita, de outro lado a esquerda e no meio desse barulho, uma massa se movimenta, as vezes consciente, as vezes inconsciente, meio desperta, meio gado e, assim sendo não podemos falar que o brasileiro tem maturidade política.
Desde as Caravelas de Cabral, em 1500 – século XV, até o 7 de setembro de 1822, na crise familiar da coroa Portuguesa, na briga de d. João VI com o Príncipe Regente Pedro I e suas aspirações de ser Imperador do Brasil, a política foi acontecendo com uma mínima ou nenhuma participação popular.
Da República Velha ou República da Espada, com o Marechal Deodoro da Fonseca até os movimentos populares das Diretas Já dos anos 1980 – século XX, momentos de lucidez e luta de forças a favor do Brasil foram ganhando uma parte da população que foi para as ruas, que lutou, que morreu no período da Ditadura Militar (1964 – 1985) a fim de ver e de construir um País para os brasileiros.
“É isso aí, pra quem acredita em milagres, pra quem não pensa maldade, pra quem só saiba dizer a verdade…Eu não sei parar de te olhar, eu não me canso de olhar, não vou parar de te olhar…” “A vida tão simples é boa… quase sempre” essa linda poesia musicada, que gosto de ouvir na voz forte e doce da artista Ana Carolina, seu Jorge – É isso Aí – uma versão do original The Blower’s Daugther, é uma letra que aborda temas universais como a simplicidade da vida humana, o amor dado e sentido, a observação do cotidiano. Para mim é um hino político.
Para mim, política é isso: a arte simples e boa de levar uma vida igualitária e com dignidade para todos; mas, que pena olhar para as “coroas de espinhos” que rodeiam as grandes cidades brasileiras. Tal definição foi dita por uma mulher incrível chamada Chiara Lubich, nascida na cidade de Trento, norte da Itália e fundadora do Movimento dos Focolares, quando em visita à cidade de São Paulo, observou ao redor de prédios grandiosos, um numeroso aglomerados de favelas.
Vivemos num sistema capitalista moderno, na terceira etapa onde o capitalismo tecnológico é o mostro engolidor de empregos e de dificultar, consequentemente uma vida simples e boa para todos! Como falar de política nas extremas diversidades sociais de nosso Brasil, aliás, jovem Brasil, pois, entre as nações antigas da Terra e que criaram o termo política, o Brasil ainda é jovem debutante nessa engrenagem social. O que são quinhentos anos diante de nações de dois mil anos, cinco mil anos etc.!
Mas, o que é política? Etimologicamente, essa palavra deriva do grego antigo politeia , que indica todos os procedimentos relativos à Pólis ou Cidade – Estado grega. Nesse tempo remoto, lá dos primórdios da humanidade antiga e clássica o exercício da politeia era apenas dos homens livres, nada de mulheres, pobres ou escravos. Nada de crianças também! O tempo passou, a política se tornou uma ciência, a ciência ou arte de governar, a ciência social da organização, direção e administração das Nações, Estados, ou cidades, a Ciência Política.
E você, meu querido leitor, minha querida leitora, faz parte dessa sociedade e, como pessoa livre que hoje é, pode se dar ao luxo de dizer (como fazem a maioria dos brasileiros) que não gosta de política e não precisa gostar; que não faz política e não precisa fazer e por aí vai o discurso do “deixa acontecer naturalmente”, “deixa como estar para ver como vai ficar”, “tô nem aí” com nada desse papo de social; respeito com veemência seu direito de dizer todas essas coisas, porém, quem não gosta de política será governado, dominado, organizado por aqueles poucos que gostam dessa ciência social.
Não tem pra onde correr, minha gente, sabe aquele ditado popular: “ se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come, por isso eu sou é homem”, se vivo em sociedade e não me posiciono, não me manifesto, não trabalho, não contribuo, serei como massa de manobra daqueles que levam política a sério com valores ou desvalores, com amor pela coletividade ou por amor a seus próprios interesses, vai participar ativamente e vai dirigir todos os demais para o bem ou para o mal.
Se você não mora em Marte ou em Vênus, nem na Lua ou outra galáxia, nem mesmo em Nárnia, estará imerso na política. Desde nosso nascer biológico até o nascer nos cartórios da vida, quando nascemos cidadãos e cidadãs de fato e de direito estaremos fazendo política.
Desde a participação nos grêmios escolares, associações de bairros, catequeses religiosas até participação em partidos políticos, tudo faz parte da ciência política, do viver em sociedade.
Por isso, desperta, Brasil! Acorda, Gigante adormecido, vive tua participação social buscando o bem estar de todos e não apenas o seu, porque não adianta levantar muros na tua residência se teu entorno, em sua grande maioria está fora das escolas, dos postos de saúde, dos bancos religiosos e, como zumbis, escalarão teus muros de falsa proteção!