Em Belém do Pará, o presidente Bolsonoro recebeu, de forma justa, a hostilidade dos fiéis com sua conduta em querer se aproveitar da maior festa reliososa dos paraenses para fazer palanque político. A personalidade do paraense, com seu bairrismo e religiosidade arraigados, frustou a sórdida intenção do mandatário da nação. Paraense raiz não transige com a fé. Receoso de ter o mesmo tratamento em Aparecida, na festa da Padroeira do Brasil, mobilizou seus militantes, a maioria de outra religião, e outros protagonistas, para dar volume a sua presença na festa religiosa. A igreja católica reagiu bravamente contra o presidente, com um de seus interlocutores dizendo , em plena homilia, que “o evento era para rezar e agraceder a Deus e não para pedir votos”, numa clara alusão ao presidente e seus séquitos que se faziam presentes.
Diz-se que “em política vale tudo, só não vale perder”. Essa assertiva, contudo, nunca envolveu as religiões que sempre fecharam suas portas para o debate político em suas liturgias ou ritos. Bolsonaro, contudo, desde que cooptou as lideranças evangélicas para despenderem mais tempo defendendo suas ações do que pregando o evangelho, achou que deveria avançar um pouco mais indo na direção dos católicos. Embora o católico não costume andar de bíblia na mão e dizendo “amém?”, difilcimente permitirá o vilipêndio de seus templos com a transformação das igrejas em comitês políticos partidários. Esse foi o erro de Bolsonaro.
Segundo o Data Folha, em pesquisa de 2020, 50% dos brasileiros são católicos. É um número expressivo que pode mudar o rumo de uma eleição presidencial. Bolsonaro desagradou 100% dos católicos com a ação profana de seus seguidores na festa de Aparecida. Houve bolsonaristas que com suas inseparáveis camisas amarelas foram filmados completamente embrigados e dispostos a brigar com aqueles que repudiavam seus atos nefandos em plena liturgia da igreja católica. Foi uma agressão vil aos caros valores religiosos do catolicismo e que certamente terá uma reação à altura dos fiés nas urnas. É o que se prevê. Bolsonaro deveria ter ouvido as sábias palavras de Dom Paulo Evaristo Arns quando disse: “a igreja católica tem o dever missionário de intervir na política quando ela se separa dos valores cristãos, mas a política jamais deve invadir seus santuários para propagar suas ideologias”. Aí não, presidente!!!