Tu estavas tão sereno orvalhado pelo sereno,
semblante e olhar de madrugas interrompidas.
Eu dançava de mãos dadas com o destino e alguns desatinos.
Tenho alma dançarina…
Encantei-me em prospecções de sentimentos,
embalei-me aos acordes do infinitivo nos passos do subjuntivo.
Assim, do futuro do pretérito chego ao auge no pretérito-mais-do que perfeito.
Nestes embalos que independem dos sábados ou domingos,
já viajei nos braços do fado nas escadarias de Coimbra
mergulhei nos mares azuis da Grécia ao som de Zorba – O Grego,
como se fora o amor compassado, ritmado,
a embeber-me em olhares e sorrisos.
Fiz-me espiral de ar para receber uma chuva de folhas.
Folhas multicores de árvores descabeladas,
surpreendente ballet de uma só bailarina,
ao ritmo de um frevo nordestino.
Teu semblante sereno esfumaçou-se entre nuvens.
Teu olhar enigmático já não diviso.
Ficou o trajeto, um risco no ar, o ocaso,
o eterno presente que poderia ter sido.