Levantamento do 9º BPM aponta aumento de 100% nas vítimas fatais entre janeiro e maio de 2026; uso do celular ao volante, excesso de velocidade e avanço de sinal estão entre as principais causas
Entre buzinas, semáforos e o fluxo intenso de veículos que marca a rotina das cidades amapaenses, um dado preocupa e expõe uma realidade cada vez mais trágica: o número de pessoas que perderam a vida em acidentes de trânsito no estado dobrou nos cinco primeiros meses de 2026.
O levantamento estatístico do 9º Batalhão da Polícia Militar (9º BPM) revela que, entre janeiro e maio deste ano, 14 pessoas morreram em ocorrências de trânsito no Amapá. No mesmo período de 2025, haviam sido registradas sete mortes. O crescimento de 100% acende um sinal de alerta para autoridades e para toda a sociedade sobre a necessidade de mudar comportamentos nas ruas e rodovias.
Para o capitão Garreto, do Batalhão de Policiamento Rodoviário Estadual (BPRE), a maioria dessas tragédias poderia ser evitada.
Segundo ele, a imprudência continua sendo a principal responsável pelos acidentes fatais.
“Esse aumento se deve ao desrespeito às normas de trânsito, ao uso exagerado do aparelho celular durante a condução do veículo e à desatenção em relação aos limites de velocidade, além da falta de uso do capacete e do cinto de segurança”, explicou o oficial.
O levantamento também mostra que os motociclistas permanecem como o grupo mais vulnerável nas vias do estado. Grande parte dos acidentes graves envolvendo motos está relacionada ao avanço do sinal vermelho nos cruzamentos semafóricos, uma infração que coloca em risco não apenas o condutor, mas também passageiros, pedestres e outros motoristas.
O mapeamento realizado pelo BPRE identificou que a maior concentração desses acidentes ocorre nos bairros da região central de Macapá, principalmente nos horários de maior movimentação: no início da manhã e no fim da tarde, quando trabalhadores e estudantes se deslocam para suas atividades ou retornam para casa.
Apesar do aumento das mortes, o perfil das irregularidades encontradas durante as fiscalizações pouco mudou.
As equipes do BPRE registram, com maior frequência, motoristas dirigindo sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH), proprietários que entregam veículos para pessoas não habilitadas ou com o direito de dirigir suspenso, além de automóveis circulando com o licenciamento anual vencido.
Segundo a polícia, essas infrações representam um cenário preocupante, pois demonstram o descumprimento recorrente da legislação de trânsito e ampliam os riscos de acidentes graves.
Diante do avanço das estatísticas, a Polícia Militar reforça que apenas a intensificação das operações de fiscalização não será suficiente para reduzir o número de vítimas. O trabalho precisa ser acompanhado por ações permanentes de conscientização da população.
Respeitar os limites de velocidade, obedecer à sinalização, evitar o uso do celular enquanto dirige, nunca conduzir veículos sob efeito de álcool e utilizar corretamente equipamentos de segurança, como capacete e cinto de segurança, continuam sendo medidas consideradas fundamentais para preservar vidas.
O 9º Batalhão informou que irá ampliar as operações integradas de trânsito em diferentes regiões do estado, com foco na prevenção e na redução dos acidentes.
“O batalhão reforça a sua atuação em relação à fiscalização de trânsito e reforça a ideia de que o condutor tem que ter mais atenção para que esses sinistros sejam diminuídos e até venham a acabar no estado do Amapá e na cidade de Macapá”, afirmou o capitão Garreto.
Enquanto as estatísticas crescem, a principal mensagem das autoridades permanece a mesma: cada decisão tomada ao volante ou sobre uma motocicleta pode significar a diferença entre chegar em casa em segurança ou transformar uma viagem comum em mais uma tragédia nas estradas e avenidas do Amapá.

