A Polícia Civil do Amapá reafirmou sua atuação de destaque no combate aos crimes cibernéticos ao deflagrar, nesta quinta-feira (2), a Operação Boleto Fantasma 2, uma ofensiva interestadual que desarticulou uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro.
A ação, coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DR-CCIBER), resultou no cumprimento de 31 mandados judiciais nos estados de Goiás e Santa Catarina.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes de um sofisticado esquema que utilizava a imagem da concessionária de energia elétrica do Amapá para enganar consumidores e desviar pagamentos de contas de energia.
A operação é fruto de uma investigação conduzida pela Polícia Civil amapaense, que identificou uma estrutura criminosa altamente organizada e especializada em golpes virtuais. Segundo as apurações, o grupo criava páginas falsas praticamente idênticas ao portal oficial da concessionária de energia, reproduzindo logotipos, identidade visual e sistemas de emissão de boletos.
Para aumentar o alcance do golpe, os criminosos patrocinavam anúncios em mecanismos de busca na internet.
Assim, quando consumidores do Amapá pesquisavam pela segunda via da conta de energia, os links fraudulentos apareciam entre os primeiros resultados, induzindo as vítimas ao erro.
Após acessar o endereço falso, o consumidor emitia um boleto, QR Code ou chave PIX aparentemente legítimos e realizava o pagamento normalmente. Entretanto, o dinheiro nunca chegava à concessionária.
Os recursos eram desviados para contas bancárias controladas pela organização criminosa.
As investigações apontam que o esquema possuía divisão de tarefas. Um núcleo tecnológico era responsável pela criação, hospedagem e atualização dos sites falsos, enquanto outro grupo administrava a movimentação financeira, promovendo a lavagem do dinheiro por meio de empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, carteiras digitais e operações com criptoativos.
De acordo com a Polícia Civil do Amapá, centenas de consumidores foram vítimas do esquema criminoso. O prejuízo já identificado ultrapassa R$ 1 milhão, mas o valor pode aumentar à medida que novas vítimas sejam localizadas durante o avanço das investigações.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros de 16 investigados, sendo 13 pessoas físicas e três pessoas jurídicas. As medidas incluem o congelamento de contas bancárias, carteiras digitais, investimentos e criptoativos utilizados para ocultar a origem dos recursos obtidos ilegalmente.
Durante o cumprimento dos mandados, também foram apreendidos computadores, celulares, documentos e dispositivos eletrônicos que passarão por perícia para identificar outros integrantes da organização e ampliar o rastreamento do dinheiro desviado.
A Operação Boleto Fantasma 2 foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Amapá, com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), vinculada à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, além das Polícias Civis de Goiás e Santa Catarina.
A ação evidencia a capacidade investigativa da Polícia Civil do Amapá no enfrentamento aos crimes cibernéticos, modalidade criminosa que cresce em todo o país e exige integração entre forças de segurança e uso intensivo de tecnologia para identificar autores, interromper fraudes e recuperar ativos desviados.
A corporação reforça o alerta para que consumidores utilizem exclusivamente os canais oficiais das empresas ao emitir boletos ou realizar pagamentos pela internet. Também orienta que o endereço eletrônico seja conferido cuidadosamente antes da confirmação da operação e que qualquer suspeita de fraude seja imediatamente comunicada à Polícia Civil.

