Irmãos e irmãs em Cristo!
Ao lermos o texto bíblico que relata a morte de João Batista, vem-nos à mente uma situação bem real, esta semana o Brasil vivenciou e acompanhou alguns fatos bem significativos, denúncias de corrupção, algumas surpreendentes, outras já se esperava. Ainda outros fatos que escandalizaram, mas já não com tanta intensidade as bestialidades provocadas por políticos e pessoas ao nosso redor, enfim, a as marcas do pecado estão a todo momento em destaque nas mídias e nas nossas relações pessoais. Contudo o que quero recordar é que cada situação é uma situação distinta, marcante para quem a vivência, mas todas elas foram marcadas pela euforia de uns e tristeza de outros.
Se olharmos para o texto do evangelho de Marcos por exemplo que diz: “(14)O rei Herodes ouviu falar de tudo isso porque a fama de Jesus se havia espalhado por toda parte. Alguns diziam: — Esse homem é João Batista, que foi ressuscitado! Por isso esse homem tem poder para fazer milagres. (15) Outros diziam que ele era Elias. Mas alguns afirmavam: — Ele é profeta, como um daqueles profetas antigos. (16) Quando Herodes ouviu isso, disse: — Ele é João Batista! Eu mandei cortar a cabeça dele, e agora ele foi ressuscitado! (17) Pois tinha sido Herodes mesmo quem havia mandado prender João, amarrar as suas mãos e jogá-lo na cadeia. Ele havia feito isso por causa de Herodias, com quem havia casado, embora ela fosse esposa do seu irmão Filipe. (18)Por isso João tinha dito muitas vezes a Herodes: “Pela nossa Lei você é proibido de casar com a esposa do seu irmão!” (19)Herodias estava furiosa com João e queria matá-lo. Mas não podia (20)porque Herodes tinha medo dele, pois sabia que ele era um homem bom e dedicado a Deus. Por isso Herodes protegia João. E, quando o ouvia falar, ficava sem saber o que fazer, mas mesmo assim gostava de escutá-lo. (21)Porém no dia do aniversário de Herodes apareceu a ocasião que Herodias estava esperando. Nesse dia Herodes deu um banquete para as pessoas importantes do seu governo: altos funcionários, chefes militares e autoridades da Galileia. (22)Durante o banquete a filha de Herodias entrou no salão e dançou. Herodes e os seus convidados gostaram muito da dança. Então o rei disse à moça: — Peça o que quiser, e eu lhe darei. (23)E jurou: — Prometo que darei o que você pedir, mesmo que seja a metade do meu reino! (24)Ela foi perguntar à sua mãe o que devia pedir. E a mãe respondeu: — Peça a cabeça de João Batista. (25)No mesmo instante a moça voltou depressa aonde estava o rei e pediu: — Quero a cabeça de João Batista num prato, agora mesmo! (26)Herodes ficou muito triste, mas, por causa do juramento que havia feito na frente dos convidados, não pôde deixar de atender o pedido da moça. (27)Mandou imediatamente um soldado da guarda trazer a cabeça de João. O soldado foi à cadeia, cortou a cabeça de João, (28)pôs num prato e deu à moça. E ela a entregou à sua mãe. (29)Quando os discípulos de João souberam disso, vieram, levaram o corpo dele e o sepultaram.”
O Evangelho de hoje escancara o que o ser humano tem de no seu coração, que são os acordos e promessas sem medir as consequências. Um rei, com falta de juízo faz uma promessa impensada, mas teve que cumprir. A corrupção nunca acontece no ato em que acontece, ela sempre é um crime premeditado. O acontecimento do ato é sempre uma expressão do que já se planejara com antecedência. Com a o fato da morte de João Batista percebemos que a corrupção da moral, da boa conduta, levou o rei Herodes a cometer adultério que se tornou público e alvo de acusação do profeta João que o lembrou que estava errado, fato que isso incomodava o Rei, e num momento de euforia e comemoração Salomé filha de Herodias pede a cabeça de João numa bandeja sem que ele tivesse algo a ver com o pecado do rei e sua cunhada que viviam em adultério. Realidades do passado que também vivenciamos hoje em dia. Pessoas vivem em pecado e fazem de tudo para o ocultar e deixam assim que este pecado as leve para a condenação eterna.
Na história bíblica, João Batista, precursor de Jesus Cristo, é aquele que anuncia a palavra de Deus, enquanto Salomé (cujo nome não aparece na Bíblia) é filha de Herodias e enteada de Herodes Antipas, descritos como pessoas malignas representando tudo o que existe de pecaminoso e reprovável. A situação da família real se assemelha com muitas famílias, talvez até mesmo com a tua postura, que está lendo este artigo, pois tem pecados que não os consideramos pecado que desejamos tê-los no nosso dia a dia. Visto que alguns pecados nos são prediletos. Entre eles os desejos que alimentamos em nosso coração, as ações que praticamos e martelamos diariamente que eles não são tão graves assim, pois não estão causando sofrimento a fulano, beltrano. Mas cabe lembrar que se está proibido pela Palavra é pecado e pecado leva a condenação eterna. Qual o teu pecado que você alimenta com comidas gostosas? Qual o pecado que você o esconde e passa pano para ele? Seria o sonegar impostos? Desejar a namorada, namorado, esposo ou esposa de alguém? Seria comprar coisas roubadas com a desculpa que se você não comprar alguém vai comprar e estava mais barato mesmo? Seria frequentar uma religião que valoriza a pessoa e os esforços para uma pretensa salvação? Seria usar a bíblia para extorquir os seus fiéis alegando que Deus exige as ofertas de tal a tal montante? Na verdade, poderíamos passar horas, páginas e mais páginas escrevendo a respeito de pecados, mas não é este o foco. O foco é lembrar que Deus não se agrada das pessoas que tem a certeza do perdão em Cristo e simplesmente o rejeitam. Sim! Deus é amor, mas é um Deus Justo, um Deus misericordioso que nos visita em nossas fraquezas para perdoar e para mudar de vida. Deus está ao nosso lado e o faz para melhor vivermos. Ele enviou os seus profetas no passado, e os seus pastores hoje em dia para nos lembrar que somos seus filhos, mas como filhos amados de um pai devem obedecer a este Pai que nos cuida com amor divino.
Por exemplo, no texto do evangelho, o evangelista Marcos nos relata a morte de João Batista, que ele situa entre o envio missionário dos doze discípulos de Jesus (v.7-13) e o seu retorno (v.30). creio que Marcos fez isso propositalmente para mostrar aos cristãos que na sua época e na nossa época as possíveis implicações do discipulado. Queria evitar que a comunidade concebesse a idéia errada de que ser seguidor de Jesus resulta necessariamente em uma vida de sucessos, em uma igreja sempre lotada, em um público que a tudo aplaude. Marcos procurou explicar a uma igreja perseguida o porquê do seu sofrimento. Os servos de Cristo sofrem por serem de Cristo.
Em nossa memória sempre sobressai a figura de João Batista como aquele que prepara o caminho do Senhor Jesus, pregando e batizando às margens do Rio Jordão, chamando pessoas ao arrependimento. Não evidenciamos tanto a sua denúncia da corrupção e da imoralidade de quem deveria dar o exemplo, no caso, os governantes. Imaginemos João Batista em nosso meio: O que ele diria em relação à corrupção, ao desvio de dinheiro, praticados por muitas pessoas públicas? Como estamos n´s nesta situação, nós pessoas comuns ou não? Como nós estamos vivendo a nossa vida num país do “jeitinho brasileiro”, por meio do qual queremos nos justificar dizendo: todo mundo faz assim! Fiel à Palavra de Deus, João Batista não se calou diante da corrupção e pagou com a vida a sua coragem de anunciar a vontade do Senhor.
Nós podemos aprender algumas coisas importantes com o texto do Evangelho:
Ninguém se sinta superior ou imune à palavra de Deus. Não interessa o quão importante você se considera ou é tido pelas pessoas – Lembre-se que você está no mundo e debaixo de justiça de deus que é perfeita e exige perfeição, segundo Lutero, se tens a função de guiar o povo e neste caso deves ser um modelo naturalmente, sendo um modelo e exemplo, nas ações e atitudes.
Neste sentido o governante é um pastor um guia que recebeu a tarefa de tomar conta do rebanho. Não se pode ser mercenário e confundir o rebanho de cristo e colocando este rebanho em perigo – neste caso nem o cidadão comum – pode achar que seus pequenos delitos passam imperceptíveis aos olhos do justo Juíz e assim não causam problema. Não esqueçamos que cada um de nós é chamado por Deus para ser um “pastor” do seu próximo no matrimônio, na família, no trabalho, no lazer… Ao sermos confrontados com a soberana e imutável Palavra de Deus, nós podemos sentir-nos incomodados e reagir como Herodes e familiares reagiram; ou podemos reagir como as pessoas que procuraram João Batista às margens do Rio Jordão; que tomaram consciência da sua situação diante de Deus e se arrependeram assumindo um novo estilo de vida. Com os frutos do arrependimento, de novidade de vida, de vida transformada.
Na condição de igreja de Jesus, como nós nos comportamos diante das “maracutaias”, corrupção, desvio de recursos públicos, falsas promessas em campanha política, descaso com a saúde, educação e assistência social etc.? Temos a ousadia de João Batista e denunciar o pecado? É preciso, não podemos nos calar por medo, por comodismo ou por conveniência.
João Batista não recuou. Ele tinha a consciência de que a vontade de Deus precisava ser anunciada e vivenciada. Sua coragem lhe custou a vida. Esta também foi a causa que provocou a cruz de Jesus Cristo: Anunciou o amor de Deus à humanidade. Mas nem todos estavam dispostos a mudar a vida e orientar-se pelo exemplo de Cristo.
O evangelista Marcos anunciou isto aos destinatários do Evangelho numa época em que as primeiras igrejas cristãs precisavam tomar posição e dar testemunho frente ao Império Romano, que as hostilizava além disso os acusava de todo tipo de crimes, fake News.
Esta tarefa não está concluída. O fato é que não vivemos em uma sociedade justa e fraterna, cujas mazelas estão todas resolvidas e está tudo bem, temos problemas. Vivemos em uma sociedade que continua a cometer os mesmos erros apontados por João Batista. As pequenas e as grandes transgressões são evidentes. O clamor das vítimas se eleva aos céus. Quanto maior a desobediência aos mandamentos, tanto maior precisa ser a voz profética da Igreja. Não interessa se for corrupção ou assassinato, todos os pecados precisam ser apresentados perante Cristo para que nele tenhamos perdão e paz. Paz que somente Jesus pode dar.
Que a mensagem do evangelista Marcos nos faça rever nossos conceitos e comportamentos; que nos conduza ao sincero arrependimento e à decidida mudança de vida; que nos encoraje a testemunhar o amor de Deus, revelado através de Jesus Cristo, em meio às pequenas e grandes transgressões que acontecem ao nosso redor.
Que Deus nos conceda seu Santo Espírito para que nos animemos a seguir os exemplos de João e os passos de Jesus que não se importou em morrer, pois melhor é fazer a vontade de Deus e ter paz do que fazer a vontade dos homens e perder a vida eterna. Amém
ANTES PERDER A CABEÇA QUE A SALVAÇÃO

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique