O açaí, vindo do gênero taxonômico Euterpe, deixou de ser apenas um alimento regional, da cultura amazônica para alcançar importância mundial, sendo discutida e aparecendo nas pautas de exportação do Brasil e de importação de muitos países.
A taxa de consumo diário de açaí tem crescido de forma acelerada tanto no Brasil fora da região norte do Brasil, assim como em outras regiões do mundo.
Esse crescimento tem direcionado o setor para um apagão do fruto e profissionais que trabalham com a venda de açaí, em todas as regiões metropolitanas do norte, tem reclamado há muito tempo da falta do fruto, nos pontos de vendas, as conhecidas batedeiras de açaí ou vitaminosas, espalhados pelas cidades.
O sucesso do fruto que chora, sua cor vinho e seu aroma considerado agradável, fez o Brasil se transformar no maior produtor de açaí do mundo. De acordo com os dados da Conab, a região Norte do país concentra a maior parte da produção de açaí, com Pará e Amazonas respondendo por 87,5% do total. O estado do Pará é o maior produtor mundial de açaí, tendo dobrado sua produção nos últimos 10 anos e o maior exportador brasileiro, seguido do Amazonas. Pesquisa feita pelo IBGE indica que em 2019 o Brasil produziu 222,7 mil toneladas, 0,5% acima do registrado em 2018. Essa produção do ano passado movimentou R$ 588,6 milhões, 0,6% menos do que no ano anterior. O Amapá colabora com pequena fatia desse mercado.
Segundo os comerciantes do ramo, as embarcações carregadas do fruto, destinam a maior parte do fruto para grandes empresas e o que sobra, é vendido para os pequenos e médios vendedores. Sendo esse um dos fatores que está levando consumidores de Macapá, Santana, Belém, Castanhal, São Luis, Manaus, e muitas outras cidades a ficarem sem seu alimento cultural.
No caso de Belém/PA, ainda de acordo com os batedores artesanais, a situação está tão insustentável que uma saca de açaí que custa, em condições minimamente normais, R$ 400 está chegando a R$ 650 ou até mais. No Amapá, nos pontos de comercialização do fruto – Pedra em Santana, Canal do Bueiro, Igarapé da Fortaleza, Canal das Pedrinhas, Rampa do Santa Inês, Igarapé das Mulheres, e na região do Curiaú e na Pedreira, já vimos o valora da saca de quatro latas bater os seus R$ 380,00 reais, o que torna o litro mais caro.
A pesquisa realizada por Chelala & Fernandes, com o título “o arranjo produtivo local do açaí nos munícipios de Macapá e Santana”, é apontado que entre os atores produtores, transportadores e batedores, há ainda uma complexa teia que aportam muitas necessidades de políticas públicas para dinamizar a cadeia produtiva. O trabalho ressalta que “A perspectiva de desenvolvimento do APL do açaí nos municípios de Macapá e Santana reivindica ações institucionais mais significativas, pelas razões já identificadas neste trabalho, e sobretudo porque quando se analisa a ampliação do consumo de açaí, em nível nacional e internacional e se vislumbra possibilidades de problemas no abastecimento local do produto, percebe-se que, ao contrário das outras matérias-primas exploradas por vezes até à exaustão, como foi o manganês no Amapá, em particular e, muitos outros casos na Amazônia – borracha, minérios, madeira, etc. – tem-se que a questão do açaí possui uma característica peculiar, pois se trata de um produto que é a base da alimentação da população local.”
Um estudo propõe que a cadeia produtiva agroindustrial do açaí seja controlada por um modelo matemático, na qual define um modelo de localização de facilidades que possibilita a análise de viabilidade da cadeia produtiva, que simule a dinâmica da cadeia com mais atores, seja beneficiadores ou produtores, atendendo à clientes nacionais e estrangeiros, de modo que seja possível encontrar alternativas de melhoria e sugestão de cenários para expansões futuras.
Hoje em dia açaí é matemática pura, porém a conta não fecha. Saca de açaí com valor alto, significa litro de açaí caro, e para baixar o preço dos dois tem que aumentar a oferta de fruto de outras regiões, o que vai ocasionar a escassez da matéria prima nessa outra região produtora ofertante, encarecendo o líquido precioso para esta população local. E agora José… o Apagão de Açaí está batendo à nossa porta! [email protected]