“258 das comunidades quilombolas estão sendo atingidas pela questão da energia elétrica. Entre elas, 79 a 80 comunidades estão numa situação ainda mais grave, porque elas não têm água potável e também não têm como refrigerar e guardar alimentos”, explica a liderança quilombola e Coordenadora das Comunidades Quilombolas do Amapá, Núbia Cristina Santana.
A situação é ainda mais emergencial pelo fato de algumas comunidades não terem energia elétrica e agora nem mesmo acesso ao combustível para a bomba d’água, que funciona por meio do gerador. Diante da situação, as comunidades pedem plano emergencial para mitigação do problema. “Até o momento não chegou nada do governo. Nenhuma ação, nenhum grupo, nenhum assistente social foi verificar o que pode ser feito para mitigar esse impacto”, complementa Núbia.
Por falta de resposta por parte das autoridades, Núbia conta que a Coordenação das Comunidades Quilombolas do Amapá (CONAQ-AP) está buscando alternativas para solucionar ou ao menos minimizar os problemas enfrentados pelas comunidades quilombolas.
“Nesse real momento, a maior dificuldade é a perda de equipamentos, a perda de produção, a perda de criação, a perda de alimentos e a falta de água. Hoje, a gente foi na Companhia de Água e Esgoto do Amapá (CAESA), mas a gente não conseguiu ter uma resposta positiva para comprar ou consertar as bombas d’água que acabaram queimando. A gente até foi em algumas lojas para consertar, mas eles não estão consertando, porque não têm energia. Então a ideia é a gente conseguir parcerias para comprar outras bombas para as comunidades”, complementa.
A liderança do Quilombo Cunani, Rosemeire Macedo, do município Calçoene, localizado a 347 km de Macapá, complementa que a situação deixou o seu Quilombo em situação de extrema vulnerabilidade e isolamento: “Enquanto quilombo nós ficamos sem comunicação, ficamos isolados mesmo. Porque não tem como a gente ir e vir para comprar alimento para manter a família no quilombo”.
Até o momento, segundo a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), o racionamento deve durar até o dia 26 de novembro, com a chegada de um transformador que está vindo da subestação Laranjal do Jari, localizada no sul do estado. O prazo será confirmado pelo Ministério de Minas e Energia, do Governo Federal.

