Em seu trabalho de conclusão de curso para obtenção do diploma no Curso Superior de Inteligência Estratégica na Escola Superior de Guerra, Wanderlino Moreira Júnior, pontuou, com aguçada percuciência, os nefastos efeitos das fakes News como ferramenta de desinformação orientada para a indução da sociedade brasileira, no ambiente virtual, durante o processo eleitoral de 2018, classificando o fenômeno como um marco no estudo da aplicação da mentira como método no cenário mundial. A eficiência e eficácia no recorte histórico desse instrumento como modelagem de persuasão traduziu-se em estratégia para a militância política, sobretudo da extrema-direita no Brasil.
A extrema-direita no Brasil, atualmente, gerencia uma poderosa máquina de desinformação cujo objetivo é moer a reputação dos governos e governantes aos quais faz oposição. Não há limite para a prática das fake News. Os perpetradores desse ilícito ainda argumentam, com clara evidência de cinismo estarrecedor, que suas ações criminosas estão respaldadas na livre manifestação do pensamento ou liberdade de expressão. Não trazem esse argumento de graça. O sentido dessa ação é desmobilizar o judiciário para que seus atos criminosos fiquem impunes quando judicializados. A ideia é gerar na sociedade um sentimento de perseguição política caso punidos pela prática dos atos insanos.
Quando se afirma que não há limites para a massa de criminosos da desinformação é só observar que nem o caos e a tristeza da pandemia ficaram imunes as suas estratégias de desinformação. Quantas fake News não foram produzidas no período pandêmico em nome do negacionismo? Registre-se que, à época, o governante de plantão era simpático, praticante e cogestor da máquina de desinformação alcunhada de “gabinete do ódio”. Produzia-se, diariamente, em escala industrial, um número exponencial de mentiras direcionadas a seus opositores. Era uma prática alinhada de desinformação que formou e desentocou militantes que até então estavam agindo na surdina.
O recente episódio das enchentes do Rio Grande Sul, tragédia nacional, é o atual epicentro da fábrica de fake News. Absolutamente nada comove os praticantes do delito da desinformação. A agonia do povo gaúcho está longe de merecer a compaixão da extrema-direita. A miséria do infortúnio das enchentes é fonte primária do ódio dos amantes da desinformação. As redes sociais estão cheias de notícias falsas a respeito do fato a ponto de se tornar uma preocupação institucional. O governo federal foi obrigado a fazer campanha para não disseminação das fakes News. O país precisa de uma legislação mais severa e eficaz para travar esse mal. É o caminho natural para se restaurar a civilidade como atributo dos seres humanos. No momento resta comover o resto do país para enfrentar os produtores da desinformação com a mesma vontade cívica que embriona as revoluções.