Clécio Luís iniciou o governo madrugando no Hospital de Emergência, conforme prometeu em campanha. Após quase três semanas de governo, a pauta do povo amapaense foi o elogiável arregaçar de mangas do governador para o problema crônico da saúde. Clécio tem a experiência de haver enfrentado uma pandemia com reconhecido sucesso. No embalo da pandemia conheceu os problemas agudos do sistema de saúde, inclusive a falta de diálogo positivo em os entes que compõe o sistema tripartite. Essa disposição inicial em enfrentar um problema crônico da gestão, sinaliza que não pretende empurrar com a barriga as pautas mais urgentes do povo amapaense não superadas pelos governos anteriores.
Há de se ressaltar que Clécio Luís prestigiou em seu time de governança quadros que já estiveram em sua companhia na gestão municipal. Isso pode ser lido como a intenção de que, num primeiro momento, não pretende arriscar colocando quadros com os quais não teve experiência de governança. Segundo Vicente Falconi, membro do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), considerado um dos magos da gestão pública e empresarial, ao analisar quais os pontos de sucesso que estão por trás do desenvolvimento saudável e do saneamento das grandes empresas e instituições governamentais, pontifica que a escolha dos recursos humanos de ponta, baseada na capacidade de liderança, dedicação na construção de conteúdo da liderança e seus valores comprovados na convivência do dia a dia, é o patamar da verdadeira excelência. O novo governador dá indícios de que seguiu esta regra.
Ainda é cedo demais para avaliar qualquer desempenho da gestão, posto que o tempo ainda é de acomodação no novo terreno, com certos tremores, como ocorre naturalmente com os abalos sísmicos. A mudança do timão gerencial é sempre traumática nas governanças. Clécio Luís parece ter simpatia por resultados. Segundo o citado Vicente Falconi, “existem três fatores fundamentais para obtenção de resultados em qualquer iniciativa humana; liderança, conhecimento técnico e métodos, seja em empresas, governos, forças de segurança, forças armadas, fundações, escolas, hospitais, etc., essas três frentes devem ser constantemente cultivadas. O desenvolvimento dessas três frentes é um trabalho continuo, para o resto da vida”. Agora é aguardar os resultados.