Passadas quase 8 gerações desde que vim ao mundo, a cada 10 anos uma nova geração, confesso que fico realmente assustado com o comportamento humano, principalmente, em relação à livre expressão das opiniões pela grande mídia que em momento algum se preocupa com suas próprias opiniões. Tenho todo o direito ao susto, afinal sou um mero ‘escriba’ que costuma a escrever suas opiniões livremente apenas destinadas ao exercício da reflexão. Por mais esdrúxulas que possam ser elas representam as minhas verdades pessoais. Qualquer leitor tem o direito de aceita-las ou descarta-las. Não tenho nenhuma pretensão de ser um ‘influencer’ por mais bonitinha que seja esta palavra gerada no idioma inglês.
Para explicitar melhor o meu susto transcrevo o artigo “A histeria ridícula sobre a entrevista de Musk com Trump” assinado por Jenny Holland, uma ex-repórter de jornal e redatora de discursos publicada, em 13 de agosto de 2024, pelo site SPIKED
“O bate-papo transmitido ao vivo entre o proprietário do X e The Donald levou as elites liberais a pegarem seus forcados. Depois de ouvir a conversa completa de uma hora e 39 minutos entre Elon Musk e Donald Trump ontem à noite, transmitida ao vivo pela X, posso dizer que nenhum deles conspirou alegremente para acabar com a democracia, instituir a supremacia branca ou remover o direito de voto das mulheres, como seus críticos mais histéricos provavelmente pensaram que fariam.
Em uma discussão abrangente, eles abordaram tudo, desde o quanto um ouvido humano sangra quando baleado até as consequências do desastre nuclear de Fukushima no Japão em 2011. Trump discutiu política externa e lamentou o custo dos mantimentos para famílias americanas assalariadas. A maior parte foi focada em questões de carne e batata que afetam pessoas comuns não apenas nos EUA, mas em todo o mundo.
O dono da X, Musk, disse à Trump que votou em Barack Obama e sempre foi ‘moderado, se não um pouco de esquerda, politicamente’, e que quer trabalhar em alternativas aos combustíveis fósseis. Trump disse repetidamente que não queria começar guerras e chamou Vladimir Putin de ‘cruel’ e Volodymyr Zelensky de ‘honrado’. Então, podemos todos nos acalmar agora — certo, liberais?
Infelizmente, não. Isso porque Musk é talvez o único homem que gera quase tanto ódio de classe tagarela, autoritário e perturbado quanto o próprio Donald. Isso é especialmente verdade na União Europeia e no Reino Unido no momento, onde Musk se tornou uma espécie de bicho-papão. De fato, as elites culturais e políticas da Grã-Bretanha parecem particularmente incomodadas pelo fato de Musk ter a ousadia de exercer sua liberdade de expressão em sua plataforma X. Elas odeiam a ideia de que os usuários possam ler um tuíte dissidente de Musk — como sua afirmação de que a Grã-Bretanha está caminhando para uma ‘guerra civil’ — quando prefeririam que apenas os ouvíssemos. Sua decisão de entrevistar Trump previsivelmente provocou um colapso de nível nuclear.
Ontem, antes da entrevista ser transmitida, Bruce Daisley, um ex-executivo britânico do Twitter, escreveu um artigo extraordinário no Guardian pedindo que Musk fosse preso se ele ‘continuasse a provocar agitação’. Como o subtítulo dizia: ‘Talvez o medo de uma detenção inesperada concentre sua mente’. Os editores do Guardian estão fazendo testes para papéis como capangas da máfia? O artigo não apenas pedia a prisão de Musk. Na verdade, ele sugeria que Musk estava cheirando drogas ilícitas durante a noite, enquanto incitava os fascistas britânicos com suas postagens. ‘Olhando para o feed X de Musk, ele regularmente fica acordado até tarde da noite postando e respondendo’, escreveu Daisley: ‘Ele tem sido aberto sobre seu uso de cetamina, aparentemente uma prescrição médica. Embora tuítes às 4 da manhã possam ser deletados… as consequências no mundo real permanecem por muito tempo depois que o burburinho acaba.’
Pior ainda foi a carta enviada a Musk antes da entrevista com Trump pelo apparatchik de alto escalão da UE, Thierry Breton. Breton deu a entender que transmitir ao vivo uma conversa com Trump poderia ter ‘efeitos prejudiciais no discurso cívico e na segurança pública’, e ameaçou Musk com sanções sob a lei de censura online da UE, a Lei de Serviços Digitais.
O desejo da classe política de suprimir figuras como Musk e Trump decorre do medo de que as pessoas realmente queiram ouvir o que eles têm a dizer. Para ser justo com seus detratores, as frases de efeito de Trump podem ser desconcertantemente grosseiras e deselegantes. Ele não parece um estadista. Em sua conversa com Musk, ele chamou seus rivais democratas de ‘otários idiotas’ e caracterizou as palavras vazias de Biden sobre a Ucrânia como “ameaças estúpidas vindas de [seu] rosto estúpido”. Ele também contou uma famosa conversa que teve com o líder norte-coreano Kim Jong-un: Ele disse ‘Eu tenho um botão vermelho na minha mesa’, eu disse, ‘Eu também tenho um botão vermelho na minha mesa, mas meu botão vermelho é muito maior e funciona. E então eu o chamei de Pequeno Homem Foguete.’
Entendo que para a classe profissional-gerencial, tudo isso soa imperdoavelmente gauche. Mas esses comentários realmente valem a pena destruir a liberdade de expressão e a democracia representativa? Qualquer um tem o direito de discordar das políticas de Trump e os americanos são livres para votar contra elas. Mas em vez de lutar contra as políticas de Trump em um debate aberto e robusto, seus inimigos do establishment em todo o Ocidente deturpam, emocionam e ofuscam. Eles tornam muito difícil ter uma discussão sensata sobre qualquer coisa, muito menos sobre política governamental.
Musk colocou melhor quando disse durante a entrevista: ‘Queremos cidades seguras e limpas, queremos fronteiras seguras, queremos gastos governamentais sensatos, queremos restaurar tanto a percepção quanto a realidade do respeito em nosso sistema judicial… acabar com a guerra jurídica.’ Ele então acrescentou: ‘Como essas são mesmo posições de direita?’ Bastante. Agora mesmo, a histeria da classe tagarela sobre Trump e Musk é uma ameaça muito maior ao discurso e debate públicos do que qualquer coisa que qualquer um deles tenha realmente dito. Precisamos deixá-los falar.”
O mais lamentável é que o mau comportamento da grande mídia, durante uma campanha eleitoral ‘democrática’ do dito mundo ocidental, detentor de menos de 10% da população, narrado por Jenny Holland possa contaminar com tal exemplo de intolerância o resto do planeta. É um enorme risco que não deve ser desprezado se quisermos que as novas gerações vivam em um mundo melhor que o de hoje. Temos que refletir profundamente se queremos que a atual geração sirva de exemplo e não de contraste.
Nos tempos do Iluminismo, o filósofo François-Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, cunhou a frase que sintetiza o direito à liberdade de expressão: “não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres”. Para o filósofo iluminista, é preciso defender o direito de se expressar qualquer opinião, inclusive aquela que discorde de que todos tenham os mesmos direitos. Gustavo Bernardo.
Bate papo entre Musk e Trump transmitido ‘ao vivo’
Musk ao entrevistar Trump previsivelmente provocou um colapso de nível nuclear.
