Hoje iremos falar sobre o câncer de colo de útero, conhecido também como câncer cervical. Doença de grande incidência principalmente no brasil, o câncer de colo uterino tem mortalidade alta, devido ser uma doença silenciosa, só sendo diagnosticada anos após a infecção. Daí a importância de falarmos um pouca mais sobre.
Mas o que é o colo uterino?
O colo do útero é uma porção do útero que o conecta o útero com a vagina. O câncer do colo do útero se desenvolve a partir do crescimento anormal de células nesta região.
O que pode causar a doença?
O principal fator de risco da doença é a infecção pelo vírus HPV (Papiloma vírus humano). Boa parte das mulheres sexualmente ativas irão adquirir o vírus durante a vida.
Outros fatores associados com o desenvolvimento do câncer de colo uterino incluem início precoce de atividade sexual (< 16 anos), um alto número de parceiros sexuais ao longo da vida e história de verrugas genitais.
Pessoas que tem alteração na imunidade, como exemplo as que fazem uso de drogas imunossupressoras também apresentam risco aumentado desta neoplasia. E o tabagismo ou mesmo exposição ao ambiente do tabaco também é um fator de risco importante para a doença.
Como se pega o vírus HPV?
O vírus HPV é transmitido por via sexual. Por isso uma das formas de se previnir a doença é o uso de preservativos.
Se der presença de HPV no meu exame, quer dizer que vou ter câncer de colo de útero?
Não. O vírus HPV é muito frequente na população e na maioria das vezes a infecção não causa doença. Os casos que evoluem com malignidade ocorrem quando há alterações celulares que progridem ao longo dos anos para o câncer. Na maioria dos casos a doença é transitória e há uma regressão espontânea da doença entre 1 e 2 anos.
A infecção pelo HPV é necessária para o desenvolvimento da doença, mas precisa que haja associação de outros fatores somados para que a doença se desenvolva, como a carga do vírus, imunidade da pessoa, genética e grau de exposição.
Quais são os sintomas mais comuns no câncer do colo do útero?
A doença em sua fase inicial se manifesta de forma assintomática ou pouco sintomática, fazendo com que muitas pessoas não procurem ajuda no início da doença.
O câncer de colo uterino cresce localmente atingindo vagina, tecidos ao redor, com isso, podendo comprometer bexiga, ureteres e reto. Os sintomas dependem principalmente da localização e extensão da doença.
Algumas mulheres podem referir secreção vaginal amarelada fétida e até sanguinolenta, ciclos menstruais irregulares, sangramento intermenstrual, sangramento pós-coital e dor no baixo ventre.
Nos estádios mais avançados, a paciente pode referir dor no baixo ventre mais importante. Pode haver anemia, pelo sangramento, dor lombar, alterações miccionais e alterações do hábito intestinal pelo comprometimento de outros órgãos.
Tem como previnir a doença?
A prevenção do câncer invasivo do colo do útero é feita por medidas educativas, vacinação, rastreamento, diagnóstico e tratamento das lesões subclínicas.
No Brasil, o Ministério da Saúde implementou, no calendário vacinal, A partir de 2017, o Ministério estendeu a vacina para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade preconizada, deverão realizar o exame preventivo, pois a vacina não protege contra todos os subtipos oncogênicos do HPV.
O rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil, recomendado pelo Ministério da Saúde, é o exame citopatológico (Preventivo)em mulheres de 25 a 64 anos. A rotina é a repetição do exame Papanicolau a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano.
O que é o Preventivo?
É a coleta da secreção do colo do útero, utilizando espátula e escovinha. O material é colocado em uma lâmina de vidro para ser examinado posteriormente num microscópio. O exame é simples e rápido. Pode, no máximo, provocar um pequeno incômodo. No entanto, esse desconforto diminui se a mulher conseguir relaxar e se o exame for feito com delicadeza e boa técnica.
Todas as mulheres que têm ou já tiveram atividade sexual, principalmente aquelas com idade de 25 a 59 anos, podem se submeter ao exame. As mulheres grávidas também podem fazer o preventivo.
Há tratamento para a doença?
Após o diagnóstico e estadiamento do câncer, o médico discutirá com a paciente as opções de tratamento. É importante ter tempo e poder avaliar todas as possibilidades terapêuticas. A decisão por determinado tipo de tratamento leva em conta a idade da paciente, estado de saúde geral da paciente e suas preferências pessoais.
As principais opções de tratamento para o câncer de colo do útero incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia alvo e imunoterapia, que podem ser realizadas isoladamente ou em combinação, dependendo do estágio da doença.
Adaptado: Febrasgo
CÂNCER DE COLO DE UTERO

Especialista em Nefrologia e Clínica Médica; Membro titular da Sociedade
Brasileira de Nefrologia Professor da Universidade Federal do Amapá
(UNIFAP); Mestre em Ciências da Saúde Preceptor de Clínica Médica. CRM
892 RQE 386