Errado Lula, estranhamente errado. Você acusou SIM, garimpeiros e madeireiros e novamente colocou Amazônia no centro de suas afirmações. Inclusive nos inserindo em uma ação terrível, (8/01) bem contrária aos normais comportamentos que se espera do povo brasileiro.
Encareci a você em carta anterior a esta, que numa primeira oportunidade pelo menos reparasse a falta cometida por acusação tão precipitada como a feita, à possíveis mentores em sua imaginação e de outros que o influenciam, mas você não o fez.
Pois bem, vou lhe dizer que é notável e inexplicável estarmos sempre presentes a tudo que você tem feito; você nada faz sem estar nos incluindo no meio e sem puxar o assunto Amazônia. Não foi a causa amazônica que o elegeu, aliás, teve mais que o dobro de votos que a Amazônia possui de habitantes e aquela região não é e nunca foi prioridade para povo brasileiro. Se disser que é uma ambição, uma vontade, interesse ou mesmo sonho de países alienígenas é possível, mas aqui no Brasil ela não é tão tocante assim.
Mas, acredito sinceramente que o mistério esteja se elucidando aos poucos. Esses discursos e preocupações, que talvez imagine levá-lo a Prêmio Nobel por proteção ambiental de proporções amazônicas, em nosso entendimento, não passam de puro interesse econômico (não seu) e não vale a pena. Temos do passado, político repleto de honoris causas, mas também campeão nacional em rejeição.
Eu jamais diria Lula, que a Amazônia seja inexpressiva, mas nós somos mínimos para despertar esta veemência e comoção discursiva da qual está impregnado. Como preocupação e apelo por cuidados, somos muito menores que os poluídos rios paulistas, a miséria dos sertões nordestinos, as insalubres favelas cariocas e periferias do país, que lá vai se transformando em um campeão mundial de distribuição de drogas pelo mundo a fora. Das malvistas cracolandias, nada a dizer, aí seria exagero. Nós não valemos nada em atenções, preocupações políticas ou outras, perto disso. E você só vai ao vosso, ao nosso reino nunca.
Hoje, somos pouco mais de trezentos mil na Amazônia. Produzindo ali 30 a 40 bilhões de reais por ano, o que não vale muito para a garganta da lei Rouanet, mas sabe por que somos apenas este número? Invoque o Itamaraty, peça para consultar a colegas de países a nós vizinhos em suas questões econômicas. Vai ficar surpreso em verificar que até hoje esses maus falados garimpeiros, são a coluna central de toda a sobrevivência da Venezuela, do nosso “amigo” Maduro. Seu admirado Macron, em uma decisão furiosa a seu antecessor, quis da Guiana, estado francês, expulsar de lá os garimpeiros brasileiros, mais de onze mil; e o povo daquele território disse não a seu presidente, respondendo que ali eles ainda são os maestros da economia. O Suriname, lá também o sustento da vida popular são esses profissionais brasileiros. A Guyana, “ex inglesa”, dando exemplo, registrou a todos os brasileiros que estão nessa atividade, também coluna mestra econômica de seu interior. Interessante, que nesses países são todos procurados, legitimados, e legalizados por seus governos. Colômbia, Peru, Bolívia, ressalvando alguma produção relevante do narco, ainda são garimpeiros brasileiros que muito os ajudam. Até para o longínquo Equador, lá se foi um número pequeno, mas foram e são de maneira econômica atuantes naquele país.
Inglês nunca brincou em país nenhum Lula, eles são e sempre nos foram difíceis, principalmente em relação a Amazônia. Procedem como tutores de verdades para ofuscar seus interesses, haja vista até região única perdida, e para eles, no Tacutú, divisa de Roraima, antes ocupada por extrativistas brasileiros. Queriam como sempre o que os homens tiravam da terra. Na história, submeteram a província do Grã Pará com atrocidades registradas, bloquearam o Amazonas com uma simples canhoneira e sempre procuraram preservar com presença de alguma forma, mesmo na força, o seu domínio mais que centenário de matérias primas no mundo.
Você lembra a história da vaca louca? Cuja praga nem saíra dos estábulos ingleses, e o súdito britânico, o Canadá, já nos acusava de aqui ela residir? Que prejuízo amargamos com a suspensão das exportações por meses dos derivados bovinos, até para o grande “amigo Putin”. Logo em seguida, Canadá outra vez, nos acusa de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, e cá vieram os israelenses. O desmentido, (Embrapa), veio a cavalo atrás dos bois. O Ministro canadense pediu uma xoxa desculpa pela má fé de seus empresários. Apenas tática comercial sacana, e nós acreditamos…
Agora, presidente, peça a ANM todas as posições dos canadenses, subsidiárias britânicas, no setor mineral brasileiro, preferencialmente na Amazônia. Tem Canadá para tudo quanto é lado. Semana passada chegaram a Canaã dos Carajás-PA, bem no traseiro da companhia Vale “do Rio Doce”. Assinaram novamente interesses com a cooperativa dos garimpeiros de Serra Pelada. Suas concessões cobrem a área onde foram incendiadas dragas e balsas dos garimpeiros no Rio Madeira. Suas prioridades estão em Mato Grosso, onde se denunciam conflitos dentro deste setor e nos diamantes de Rondônia. Até nas Minas Gerais, (Jequitinhonha) eles têm o domínio sobre jazidas de lítio, hoje, o mineral do presente e futuro, tido como raro no planeta.
Por isso, concluímos quem lhe tem plantado tais “sugestões” e por deduções, quem teria escrito seus discursos, da vitória(av.Paulista), no Egito, na posse e a entrevista da segunda feira, após o domingo negro. Podendo também se concluir quem bancou deputado estranho a paulistas e de desumano discurso ambientalista.
Reafirmo, apesar de atividade mais que centenária, única à Constituição Federal, somos mesmo irrelevantes, ainda mais que somadas todas as degradações promovidas pelo garimpo, elas não chegam nunca, a inundação de barragens ou a tamanho da abertura da fazenda Fortuna, no vale do rio Teles Pires, norte mato-grossense. Tais investidas na natureza, cada um por si, superam os garimpos da Amazônia, em quase dezena de vezes. Entretanto, mesmo não tão admiráveis, mas nacionais, somos vistos como incômodos ocupantes e usados para ocultação de grandes interesses que comprometem o desempenho nacional, sossego e felicidade de nossa gente.
Você, bem possível inocente, mas realmente está diferente daquele Lula esperto do passado, de quatro eleições e dois mandatos.
A Nação haverá de pagar por isso.
Macapá, 22/01/2023
José Altino Machado
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P.s: se desocupadas por repressão, a quem caberá propriedade dos tesouros que descobrimos e neles trabalhamos com nossa gente? JAM