No entanto, números não são opiniões, mas fatos. Em julho, os crescentes gastos do governo federal já superaram a decrescente arrecadação em 36 bilhões. Para o ano que vem, ano eleitoral, faltam 168 bilhões. Claro que quem pagará isso somos nós. O Arcabouço – eufemismo para o arrombamento do teto de gastos, vai permitir no ano que vem um acréscimo de 129 bilhões nas despesas. O governo quer uma reforma tributária que o permita arrecadar mais. Anuncia que vai cobrar dos ricos, mas o cobrado por cima se derrama para baixo. O consumidor vai pagar o imposto que estará embutido nos preços. Quer cobrar do assalariado três vezes mais de imposto sindical para garantir a boa vida das cúpulas sindicais que apoiam o governo.
Como não se saiu bem na eleição para deputados e senadores, o governo os atrai com liberação de emendas e oferta de cargos. E tudo tem um custo, inclusive o de ampliar o ministério. E a mexida agrada uns e desagrada outros. Trocar PT por Centrão tem ônus político-eleitoral. Assim como voltar ao antigo sistema de contratar publicidade estatal em troca de apoio. Aliás, a propaganda é a alma do governo. Na Câmara, é grande a animação em torno de uma reforma administrativa que limite o inchaço do estado. O governo não quer porque sua ideologia é a do estado grande se impondo a uma nação fraca e obediente. Lula já expressou sua admiração ao sistema chinês, onde o governo fala e o povo cala. E não conseguiu impedir a prorrogação da desoneração da folha.
Na política externa há muitas viagens. Mas só isso. A desta semana é a 13ª e vai à Índia. A ideologia está atrapalhando. Até a Human Rights International criticou o governo Lula por suas omissões ante as agressões aos direitos humanos na Venezuela, Cuba, Nicarágua, China, Rússia. A tentativa de impor Maduro na reunião regional em Brasília pegou mal até ante o esquerdista chileno Boric. As declarações do presidente sobre o conflito Rússia-Ucrânia tem sido desastrosas. Enfim, terminam-se as preliminares e já é tempo de medir resultados. Nota-se muita propaganda e um sinuoso rumo político, junto com a inglória tentativa de fechar contas com gastos inchando. Ao chegar setembro, as expectativas criadas começam a gerar frustrações pela constatação que o governo atual está menos parecido com os dois mandatos passados de Lula e mais semelhante aos períodos Dilma.