Tive a HONRA de conhecer Raimundo Apóstolo Santana. Ele se sentia bem em ser reconhecido como agricultor. Neste retorno da coluna Meio Ambiente e Economia Verde, tenho a oportunidade de manifestar a intenção de muitos amapaenses.
Choram As Rosas
Bruno e Marrone
Choram as rosas
Seu perfume agora se transforma em lágrimas
E eu me sinto tão perdido
Choram as rosas
Chora minh’alma
Como um pássaro de asas machucadas
Nos meus sonhos te procuro
Chora minh’alma
Lágrimas que invadem meu coração
Lágrimas, palavras da alma
Lágrimas, a pura linguagem do amor
Choram as rosas
Porque não quero estar aqui
Sem seu perfume
Porque já sei que te perdi
E, entre outras coisas
Eu choro por ti
Falta seu cheiro
Que eu sentia quando você me abraçava
Sem teu corpo, sem teu beijo
Tudo é sem graça
Lágrimas que invadem meu coração
Lágrimas, palavras da alma
Lágrimas, a pura linguagem do amor
Choram as rosas
Porque não quero estar aqui
Sem seu perfume
Porque já sei que te perdi
E, entre outras coisas
Eu choro por ti
Choram as rosas
Porque não quer estar aqui
Sem seu perfume
Porque já sei que te perdi
E, entre outras coisas
Eu choro por ti
Choram as rosas
Choram as rosas
Choram as rosas
Nossa homenagem para o Apóstolo.
Eu consigo lembrar quando nos conhecemos. Eu consigo lembrar da viagem que fizemos Macapá – Oiapoque – Macapá por estrada. Eu consigo lembrar o Festival do Açaí, no Xivete. Eu consigo lembrar das longas conversas. Eu lembro da reunião da cooperativa na escola família do Cachorrinho. Faltou comida para nos dois. Não tem problema. Os outros foram servidos. Kkkkk. Eu lembro dos cachos de banana e da pupunha vindo para Macapá para buscarmos venda. Eu lembro de quando subimos o rio Cupixi até a comunidade São Miguel do Cupixi. Eu lembro de cada momento.
Ele e a Família.
“Eu não tenho medo de morrer minha filha, tu tem?” Eu disse: “Não quero ir agora não pai”. Ele disse que “quando a vida é vivida com sentido, a morte faz parte”.
Quem conheceu esse homem incrível, sabe como ele viveu pra servir os outros, pra ajudar, uma vida de não acúmulo de riquezas, pra dividir tudo. Tem quem discorde desse modo de vida, mas só quem recebeu as ajudas dele sabe como eram fundamentais.
Apóstolo, foi secretário dos povos indígenas, fez sua trajetória em diversos projetos sociais, e atualmente estava como presidente da COOPETRAL, porque pra ele, o futuro da sociedade é o cooperativismo.
Papai nasceu na comunidade do Xivete, na beira da ferrovia (como ele falava) foi seminarista, queria ser padre, aí leu bastante sobre Filosofia e decidiu que poderia ajudar os outros e mesmo assim construir algo único, uma Família. Papai casou com Ieda Rente e teve duas filhas, Eu (Loyanna Santana) e a Rayza Santana. Depois de 12 anos, casou com nossa Boadrasta Marcia Lilian, que já tinha nossa irmã Danny Gonçalves. Nós soubemos como poucos filhos o que é afeto real de pai, cuidado e acima de tudo respeito por nós.
Meu sentimento nesse momento é um misto de tristeza e amor pleno, calma. Eu abracei ele agora a pouco e molhei o rosto dele, porque dia 5 ele quis tomar banho de chuva e eu disse que não dava, por causa do pulmão dele. Quando deram a notícia choveu tanto….
Te amo eternamente meu pai Apóstolo! A causa da morte foi Edema agudo pulmonar e parada cardiorespiratória, os médicos tentaram de tudo.
Por Loyanna Santana
A agricultura vive de técnica e organização social. Ele trabalhava com as duas. Cultivava e incentivava que os agricultores plantassem banana, açaí, pupunha, cupuaçú, mandioca, coleta de castanha… O Apóstolo cultivava a União, o Ser Humano, a Vida, ele cultivava o Amor. Ele deixou um legado de ativismo político e organização social para agricultores e populações tradicionais. A floricultura no Brasil é um importante seguimento econômico que dá abrigo e alimento para muitos agricultores familiares. Assim como o Apóstolo o fez. Obrigado meu irmão, leve essa rosa. [email protected]
Marcelo Creão
Graduado em Ciências Agrárias, FCAP/1998. Especialização em Desmembramento da Matéria Orgânica em Ambientes Tropicais, FCAP/2000.Mestrado em Ciências Biológicas (Entomologia), pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, INPA/2003. Já foi Secretário de Estado de Meio Ambiente por 2 vezes. Foi o primeiro presidente da FAPEAP. Prof. Universitário
CHORAM AS ROSAS
