No tempo do profeta Ezequiel, entre 593 a.C. e 571 a.C., um período de grande crise espiritual e política para o povo de Israel. Jerusalém havia sido destruída, o templo estava em ruínas, e os israelitas enfrentavam a dura realidade do cativeiro. Nesse cenário, Deus chama Ezequiel para ser um “atalaia”, um vigia espiritual, encarregado de advertir Israel sobre seus pecados e guiá-los ao arrependimento.
Deus falou a Ezequiel por meio de visões. Ele ensinou que cada um é responsável pelos seus próprios pecados e que todos devem ser renovados no seu íntimo pelo arrependimento sincero, é preciso confissão de pecados e, zelar para que essa nova vida possa frutificar. Do mesmo modo, a mensagem do profeta tinha a incumbência de manter o profeta alerta para não deixar que o povo pecasse, ele deveria constantemente vigiar para que as pessoas pudessem se mante firmes e serem mantidas na presença de Deus mediante o correta admoestação na Palavra de Deus.
Interessante entender que o povo estava exiliado. Longe de casa. Então, facilmente seriam vítimas de falsas crenças. Assim como quem não considera importante vir aos cultos e ouvir a palavra, facilmente será pego pelas tentações, visto estar sem a armadura da Palavra de Deus. Pois, um mundo que confessa qualquer coisa e respeita qualquer falso ensino, mas não aceita servir a Deus é um lugar muito hostil. Neste contexto do passado, quanto no presente, Deus deixa claro que o silêncio do profeta/hoje os pastores e dos demais cristãos frente ao pecado alheio resultará em culpa compartilhada. No entanto, se ele alertar o povo e este não se arrepender, a responsabilidade recai sobre os ouvintes. Algo muito semelhante foi dito por mim semana passada quando lembrei que somos mantidos por Deus. Ou seja, nós não podemos comungar com o pecado alheio, nem mesmo achar que o nosso pecado é algo simples. É preciso ser transformado por Jesus mediante o arrependimento.
No contexto do profeta Ezequiel, mediante a mensagem Deus, fica evidente o quanto Deus é amoroso, onde ele sempre irá desejar restaurar a vida do pecador. Mas, esta restauração é obra de Deus, o que cabe ao pecador é assumir-se dependente da graça de Deus. O SENHOR Deus avisa ao povo, por meio do profeta Ezequiel, dizendo em Ezequiel 33.10-11: “(10) O Senhor me disse o seguinte:— Homem mortal, repita aos israelitas o que eles andam dizendo: “Os nossos pecados e maldades são um peso para nós. Estamos nos acabando. Como podemos viver?” (11) Diga-lhes que juro pela minha vida que eu, o Senhor Deus, não me alegro com a morte de um pecador. Eu gostaria que ele parasse de fazer o mal e vivesse. Povo de Israel, pare de fazer o mal. Por que é que vocês estão querendo morrer?”
A morte do pecador é sem dúvida um desastre para o pecador e gera tristeza no coração do próprio Deus. Pois, a Lei divina é justa e não muda, mas Deus quer que o pecador se arrependa e viva. A vida de arrependimento não é medida por épocas, mas é um permanente e constante aguardar pela misericórdia de Deus. É uma permanente esperança que Deus aceita o pecador por causa do que Jesus fez.
O povo de Israel estava fora da segurança da sua terra, onde o povo tinha liberdade de culto. Eles estavam sujeitos à influência dos babilônicos e sua multidiversidade de deuses falsos.
No caso da manifestação de Deus, era fazer de Ezequiel o seu mensageiro aos exilados, uma sentinela (guarda, atalaia, vigia) enviado para advertir os israelitas. Povo este que andara em caminhos estranhos de autoafirmação, em vez de buscar o apoio e ajuda no Deus verdadeiro. O povo de Deus andava como se não tivessem Deus, esqueciam-se que Deus os tinha permitido serem levados cativos por causa dos seus pecados e por isso sofriam tanto. O pecado afastou o povo do Deus verdadeiro. O povo sabe que Deus perdoa, mas este perdão passa individualmente por cada pessoa. Assim também é hoje, o perdão é para todos, mas na prática, ninguém se salva pela fé do outro. A salvação é um processo oferecido a todos, mas para que tenha este “todos” ela passa por cada pessoa. Aí está a justiça de Deus, manifesta em encontrar-se com cada pessoa e nela individualmente realizar uma transformação presente, que perdoa o pecado do passado e presente. Ninguém sabe o amanhã, mas no agora, sabe que Deus está aqui disposto a nos Salvar em Cristo. No versículo 11 do texto de Ezequiel 33, vemos nitidamente o coração de Deus, quando ele diz: “Não tenho prazer na morte do ímpio, mas que o ímpio se converta do seu caminho e viva”. Essa é a essência do chamado divino. Deus nos oferece a oportunidade de voltar a Ele, mas deixa claro que temos responsabilidade por nossas escolhas. Em resumo, é dever do ser humano não tomar por leviano a graça de Deus e desprezar o amor de Deus. Pois, uma vez achado na graça de Deus não posso desperdiçar essa graça. Caso assim, eu proceder estou fazendo de Deus um mentiroso. Como nos lembra João em sua carta a 1 João 1.8-10: “(8) Se dizemos que não temos pecados, estamos nos enganando, e não há verdade em nós. (9), Mas, se confessarmos os nossos pecados a Deus, ele cumprirá a sua promessa e fará o que é correto: ele perdoará os nossos pecados e nos limpará de toda maldade. (10) Se dizemos que não temos cometido pecados, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua mensagem não está em nós.” Esta é a correta postura perante a presença de Deus. Assim também, o atalaia da Palavra de Deus não pode consentir com o erro e fazer vistas grossas. A exemplo do profeta Ezequiel também essa é nossa função: Zelar para que mutuamente nós e as pessoas estejam sempre em comunhão com o Senhor Jesus. Ninguém pode ser cristão e ser salvo se não estiver em comunhão com a Palavra de Deus. Paulo, nos convida a refletirmos com o texto de 1 Coríntios 10. 1-13 (ler texto), quando nos lembra para não nos envolvermos, sermos cumplices com os pecados nojentos que o mundo acha normal. Sim! O mundo acha normal, nós em Cristo não achamos normal. Pois, o Reino ao qual pertencemos não considera normal e nem aceita, os frutos da carne. Somos lembrados por Paulo em Gálatas 5.19-21: “(19) Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes, (20) a adoração de ídolos, as feitiçarias, as inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, (21) as invejas, as bebedeiras, as farras e outras coisas parecidas com essas. Repito o que já disse: os que fazem essas coisas não receberão o Reino de Deus.”
Assim no passado, no tempo Profeta Ezequiel, bem como, em nossos dias, essas coisas nos atormentam e precisamos estar atentos para não cairmos nas armadilhas. As tentações lembradas por Paulo que acontecem na vida do ser humano, sempre tem um propósito em específico: Afastar-nos de Deus. Por isso Paulo em 1 Coríntios 13.12-14 nos lembra que: “(12) Portanto, aquele que pensa que está de pé é melhor ter cuidado para não cair. (13) As tentações que vocês têm de enfrentar são as mesmas que os outros enfrentam; mas Deus cumpre a sua promessa e não deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm forças para suportar. Quando uma tentação vier, Deus dará forças a vocês para suportá-la, e assim vocês poderão sair dela. (14) Por isso, meus queridos amigos, fujam da adoração de ídolos.” Não basta apenas saber é preciso obedecer a Palavra de Deus. É preciso abandonar o pecado e viver a vida nova. A quaresma é um constante convite para abandonar o pecado e viver a vida aos pés do Atalaia de nossas vidas que é Jesus. Que por sua vez nos faz Atalaias uns dos outros, a intercedermos uns pelos. Que em frente ao castigo iminente possa humildemente a exemplo do servo da parábola da figueira sem figos contata por Jesus em Lucas 13.6-9, quando nos diz que: “(6) — Certo homem tinha uma figueira na sua plantação de uvas. E, quando foi procurar figos, não encontrou nenhum. (7) Aí disse ao homem que tomava conta da plantação: “Olhe! Já faz três anos seguidos que venho buscar figos nesta figueira e não encontro nenhum. Corte esta figueira! Por que deixá-la continuar tirando a força da terra sem produzir nada?” (8) Mas o empregado respondeu: “Patrão, deixe a figueira ficar mais este ano. Eu vou afofar a terra em volta dela e pôr bastante adubo. (9) Se no ano que vem ela der figos, muito bem. Se não der, então mande cortá-la.”” Assim, o Evangelho de Lucas reforça o chamado ao arrependimento por Jesus com um alerta claro: “Se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. (Lucas 13.3)”. A parábola da figueira estéril ilustra a paciência de Deus, que espera por frutos em nossas vidas, mas também destaca que há um limite para Sua espera. Assim como o atalaia alerta para o perigo, Jesus nos chama ao arrependimento, antes que seja tarde.
No passado as pessoas prefiram seguir nos seus caminhos de loucura. Ainda hoje, as pessoas preferem crer em mentiras de vida fácil, e viver uma vida de libertinagem. Fazendo e agindo do jeito que bem querem, do que estar na segurança de Jesus. Nós não podemos ser omissos aos compromissos de alertar aos pecadores de seus maus caminhos. Se não fizermos o nosso trabalho com fidelidade, muitos irão se perder como foi no tempo do profeta Ezequiel, sendo condenados ao inferno pelo simples fato: NÃO ESTAVAM SENDO ALERTADOS DOS SEUS ERROS. NÃO ESTAVAM SENDO CHAMADOS AO ARRPENDIMENTO. Com esta afirmação posso te perguntar: A tua maneira de viver, testemunha de Jesus, ou, fala mais de teus interesses nos prazeres que esse mundo pode te oferecer? Rogo a Deus que sua vida fale mais de Jesus em teus atos e palavras do que um testemunho vazio, de alguém que não sabe o que a palavra ensina. Por isso Congregação Luterana de em Macapá, como servo de Cristo, tenho o dever de admoestar-vos mediante o pecado e estender perdão em nome de Deus mediante arrependimento. Perigos que nos afastam da presença de Deus. Devo lembrar-vos que nem tudo que nos é apresentado nos meios de comunicação ou que a nossa razão diz ser certo, estará de acordo com a Palavra de Deus. Por isso, assim como diz o salmista no Salmo 85.8-13: “(8) Eu escuto o que o Senhor está dizendo. Para nós, o seu povo, para nós, os que somos fiéis, ele promete paz se não voltarmos aos nossos caminhos de loucura. (9) Na verdade, Deus está pronto para salvar os que o temem a fim de que a sua presença salvadora fique na nossa terra. (10) O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se abraçarão. (11) A fidelidade das pessoas brotará da terra, e a justiça de Deus olhará lá do céu. (12) O Senhor Deus nos dará o que é bom, e a nossa terra produzirá as suas colheitas. (13) A justiça irá adiante do Senhor e preparará o caminho para ele.”
Por isso, queridos irmãos em Cristo Jesus, nestas verdades, louvemos ao Senhor Deus, que em Sua misericórdia, conduziu e é o nosso Atalaia… Também nos deu atalaias ao longo da história: profetas, apóstolos, pastores. Também temos a presença de Cristo mesmo conduz a todos mediante a sua obra Redentora, acompanhados pelo próprio Deus Espírito Santo, que vem ao nosso encontro nos chamando para Cristo.
Oremos: “Senhor Deus, obrigado por Tua paciência e misericórdia. Ajuda-nos a ouvir a Tua voz e atender ao Teu chamado ao arrependimento. Dá-nos coragem para sermos atalaias em nossas vidas, anunciando Tua verdade e mostrando Tua graça aos outros. Em nome de Jesus Cristo. Amém.”
O ATALAIA DE DEUS: O CHAMADO AO ARREPENDIMENTO E À VIDA

Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique