O ranking anual da violência, que classifica cidades com mais de 300 mil habitantes pela taxa de homicídios, revela uma realidade alarmante. As dez primeiras posições são ocupadas por cidades mexicanas: Colima, Acapulco, Tijuana, Ciudad Obregón, Celaya, Zamora, Manzanillo, Ciudad Juárez, Ensenada e León. Em seguida aparecem cidades como Port-au-Prince, no Haiti, e Guayaquil, no Equador. (Dados do Consejo Ciudadano para la Seguridad Pública y la Justicia Penal)
O Brasil tem dez cidades entre as cinquenta mais violentas do mundo. Feira de Santana (22º lugar), Mossoró (26º), Salvador (27º), Vitória da Conquista (29º) e Macapá (31º) lideram a lista nacional, acompanhadas por outras cinco cidades, quatro delas localizadas no Nordeste e uma na Região Norte.
A violência letal mundial está fortemente concentrada na América Latina e no Caribe. Em muitas dessas cidades, o cotidiano foi sequestrado pelo crime organizado, pelo narcotráfico, pela corrupção institucional, pela impunidade e pela fragilidade do Estado de Direito. A Bahia é o estado brasileiro com o maior número de municípios entre os mais violentos do mundo, e a maior parte das cidades brasileiras presentes nesse ranking está localizada no Nordeste.
Em algumas cidades mexicanas, as taxas de homicídio ultrapassam 100 mortes por 100 mil habitantes. Nas cidades brasileiras que integram o ranking, elas normalmente variam entre 40 e 70 homicídios por 100 mil habitantes.
O contraste com Israel chama a atenção. Jerusalém não aparece nesse ranking. Embora a cidade conviva com atentados terroristas e permanentes tensões geopolíticas, sua taxa anual de homicídios costuma situar-se entre 1 e 3 por 100 mil habitantes, muito inferior à registrada nas cidades latino-americanas mais violentas.
O mesmo ocorre com as demais grandes cidades israelenses. Nenhuma delas figura entre as cidades mais violentas do mundo. Israel, apesar de viver sob constante ameaça de guerras e terrorismo, possui uma das menores taxas de homicídio entre os países desenvolvidos.
Esse contraste revela uma distinção importante. Um país pode enfrentar conflitos armados e, ainda assim, manter baixos índices de homicídios graças à presença efetiva do Estado, ao funcionamento das instituições, ao cumprimento da lei e à coesão social.
Paradoxalmente, é mais seguro caminhar pelas ruas de Jerusalém durante um período de guerra do que viver em muitas cidades latino-americanas que, oficialmente, estão em paz.
Segundo dados do governo israelense e do Instituto Nacional de Seguros (Bituach Leumi), mais de 1.900 israelenses morreram em atentados terroristas entre 2001 e 2025. Desde 2001, mais de 35 mil foguetes foram disparados contra Israel e, ao longo de duas décadas, algumas dezenas de civis morreram diretamente pelo impacto desses foguetes. Na Segunda Intifada (2000-2005), foram cerca de 1.000 israelenses mortos. Na Guerra do Líbano (2006), morreram 165 israelenses, sendo 121 militares e 44 civis.
Mesmo vivendo em guerra durante décadas, sua taxa anual de homicídios permanece em torno de 1 a 2 homicídios por 100 mil habitantes. No Brasil, são cerca de 40 mil homicídios por ano, o equivalente a aproximadamente 110 pessoas assassinadas por dia. Em Israel, em anos comuns, registram-se aproximadamente 150 a 200 mortes violentas. Em 2023, um ano excepcional, foram cerca de 1.700 mortes ligadas à guerra e ao terrorismo, ainda muito abaixo do número anual de homicídios no Brasil.
O Brasil tem cerca de 200 vezes mais homicídios anuais do que Israel registra de homicídios comuns e, aproximadamente, 20 a 25 vezes mais do que Israel registrou mesmo no ano do maior ataque terrorista de sua história moderna (2023).
A percepção internacional de risco nem sempre corresponde ao risco estatístico. A violência letal cotidiana em Israel é muito inferior à de países que não enfrentam conflitos armados.

