Você sabe o que ela olhou agora
no espelho e em fotos de outrora?
O que viu foi um sorriso amável,
Semblante da menina afável,
aquela que teima em não sumir.
Era a mãe, era a filha, era a avó…
Era a neta, a menina calma e só.
Ninguém viu, ninguém soube,
ela seguiu caminhos onde coube.
Fez travessias além dos rios.
Encantou-se com o amor e cavou trincheiras.
Seu nome soou além das ribanceiras.
Foi aprendiz e entregou-se a brisa morna,
leve e solta, quase uma criança, uma doideira.
Submergiu no bosque dos araçás e flores de cheiro.
O vento a levou em seu sopro venturoso,
Cobrindo, qual com folhas, alamedas e calçadas
as folhas transmutadas em cobre no outono.
Desgalhando aromas …
Degustando os frutos e sonhos.
Embrenhou-se em selvagem correria,
alcançou a neve da plumagem …
Fora embrião, uma promessa de evolução.
Fora zigoto, globular, coração…
Semente para nova floração.
Ela é mulher. Vivifica.
Edifica ideias e destinos.
Não lhe interrompam!
Por favor e amor à humanidade,
não lhe interrompam!!!
Não lhe roubem o passo e o compasso.
Seja ela cambaleante ou firme,
pode ser equilibrista. Vou saber?
NÃO LHE ROUBEM A VIDA!!!

