Queridos amigos em Cristo Jesus, parafraseando o texto do Salmo 32.3-5: “Enquanto não confessarmos o nosso pecado, nos cansaremos, choraremos o dia inteiro. (4) De dia e de noite, tu nos castigaste, ó Deus, e as nossas forças se acabaram como o sereno que seca no calor do verão. (5) Então nós te confessamos o nosso pecado e não escondemos a nossa maldade. Resolvemos confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os nossos pecados.” Essa é a dinâmica do povo de Deus. Confissão e perdão e com o perdão vem a paz que Deus dá e excede o humano entendimento.
Meus amigos, hoje, é o primeiro final de semana de mais uma caminhada no período da Quaresma. A Quaresma é tempo de reflexão, arrependimento e retorno ao Senhor. É tempo de olhar para dentro de nós e reconhecer nossa realidade diante de Deus. Não dá para ser cristão e filho de Deus se não afogarmos diariamente pelo pedido do perdão o velho homem e nascermos em Cristo e para cristo pelo perdão dos pecados. É um constante recordar do ato batismal que matamos a velha natureza humana e encontramos em Cristo a nova natureza. Como diz Pedro em sua primeira carta: “Esse batismo não é lavar a sujeira do corpo, mas é o compromisso feito com Deus, o qual vem de uma consciência limpa. Essa salvação vem por meio da ressurreição de Jesus Cristo”. (1 Pedro 3.21 – NTLH).
Vejamos que os textos indicados para o dia de hoje nos colocam diante de duas cenas muito claras. Primeiro, o jardim do Éden. Ali vemos Adão e Eva diante da tentação. Ali vemos o início do pecado, da culpa e da morte.
Depois, vemos outro cenário: o deserto. Ali está Jesus, o Filho de Deus, sendo tentado pelo diabo. Mas ali acontece algo diferente. Ali começa a restauração. Ali surge o Novo Adão.
O apóstolo Paulo resume isso de maneira clara em Romanos 5. Ele diz: “O pecado entrou no mundo por meio de um só homem, e o seu pecado trouxe consigo a morte. Como resultado, a morte se espalhou por toda a raça humana porque todos pecaram.” (Rm 5.12 – NTLH). Mas também diz: “E assim como muitos seres humanos se tornaram pecadores por causa da desobediência de um só homem, assim também muitos serão aceitos por Deus por causa da obediência de um só homem.” (Rm 5.19 – NTLH).
Hoje veremos isso claramente: Por Adão, pecado, culpa e morte. Por Cristo, vitória, perdão e justificação. Temas caríssimos para os cristãos, pois eles expressam o que é ser um perdido, e condenado, mas também em Cristo justificados e aceito por Deus pelo que Jesus o próprio Deus encarnado fez em nosso favor.
Se por um lado por Adão, conhecemos o pecado, culpa e morte, então precisamos voltar ao jardim do Éden, em Gênesis 3. E ver como tudo estava em paz, até o pai da mentira o diabo mentir para a criatura humana e ainda chamar Deus de mentiroso. A astúcia do diabo é conhecida desde o princípio. Ainda hoje ele tem causada a desgraça de muitas pessoas. O diabo não tem poder sobre os que estão em Cristo, mas sentimos as consequências desta maldada em nossas vidas e nós as reproduzimos para os nossos semelhantes. Quem é nosso Senhor? Somente é e pode ser Jesus.
Deus havia criado tudo perfeito. Nós sabemos disso. O ser humano vivia em comunhão com Deus. Não havia medo, não havia vergonha, não havia morte. Sabíamos de tudo isso. Mas então veio a tentação. E então, tudo foi por água abaixo.
A serpente diz a Eva: “— É verdade que Deus mandou que vocês não comessem as frutas de nenhuma árvore do jardim?” (Gn 3.1 – NTLH). A tentação começa com dúvida. O diabo coloca em dúvida a Palavra de Deus. Depois, ele contradiz: “— Vocês não morrerão coisa nenhuma! 5Deus disse isso porque sabe que, quando vocês comerem a fruta dessa árvore, os seus olhos se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal.” (Gn 3.4 – NTLH)
O pecado não começa com o fruto. Começa com desconfiança. Começa quando o coração deixa de confiar plenamente em Deus. Tiago dirá em sua carta a respeito deste assunto que: “(13) Quando alguém for tentado, não diga: “Esta tentação vem de Deus.” Pois Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo não tenta ninguém. (14) Mas as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos. 15Então esses desejos fazem com que o pecado nasça, e o pecado, quando já está maduro, produz a morte. (Tg 1.13-15 – NTLH).
Todavia, depois da semente da desconfiança vem e germina o desejo, e com ele vem o resultado. O Escritor de Gênesis, escreve que: “A mulher viu que a árvore era bonita e que as suas frutas eram boas de comer. E ela pensou como seria bom ter entendimento. Então pegou a fruta e comeu.” (Gn 3.6 – NTLH). Adão e Eva escolhem desobedecer. E o resultado é imediato. Primeiro, vergonha. Depois, medo. Depois, culpa. Eles se escondem. Quando Deus chama, Adão responde:
“— Eu ouvi a tua voz, quando estavas passeando pelo jardim, e fiquei com medo porque estava nu. Por isso me escondi.” (Gn 3.10 – NTLH).
O pecado quebrou a comunhão com Deus. Estilhaçou a perfeição dada por Deus e com Deus, a aliança foi quebrada. O Apóstolo Paulo explica em Romanos 5: “O pecado entrou no mundo por meio de um só homem, e o seu pecado trouxe consigo a morte. Como resultado, a morte se espalhou por toda a raça humana porque todos pecaram.” (Rm 5.12 – NTLH).
Aqui está a realidade da Lei. Nós não somos pecadores apenas porque cometemos pecados. Nós pecamos porque somos pecadores. Herdamos essa condição de Adão. A isto é dado o nome de, herdeiros do pecado original. Temos tudo em amarado em nossas origens, na ação dos pais humanos, Adão e Eva. A culpa não é apenas individual; ela é também herdada. O pecado nos alcança desde o nascimento. Por isso existe morte eterna e a morte física. A regra deixada por Deus foi quebrada. Por isso existe sofrimento. Por isso existe separação de Deus. A Lei nos mostra isso claramente: somos culpados. Estamos debaixo da consequência do pecado.
E o Salmo 32 descreve exatamente o peso dessa culpa: “Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro.” (Sl 32.3 – NTLH). Talvez alguém aqui saiba exatamente o que é isso. Culpa que pesa. Consciência que acusa. Medo de Deus. Essa é a herança de Adão. Essa é a única herança, que o ser humano deixa a outro ser humano. A dor e o sofrimento. Por isso é tão urgente termos o novo nascimento pela água do Batismo, e por isso é tão importante reconhecermos que somos justificados em Cristo Jesus.
Neste sentido precisamos entender que Cristo: o Novo Adão que vence onde o primeiro caiu. Agora olhemos para o deserto, em Mateus 4.1-11. Ali está Jesus. Após o batismo, onde voluntariamente assume o nosso lugar. Jesus, diz o texto que Ele é levado ao deserto para ser tentado. O diabo usa estratégias semelhantes às do Éden.
Primeira tentação: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras virem pão.” (Mt 4.3 – NTLH). No Éden, o fruto parecia bom para comer. No deserto, o pão parece necessário. Mas Jesus responde: “As Escrituras Sagradas afirmam: ‘O ser humano não vive só de pão, mas vive de tudo o que Deus diz.’” (Mt 4.4 – NTLH). Diferente de Adão, Jesus confia totalmente na Palavra de Deus. Segunda tentação: provar Deus, tentou novamente a exemplo do Éden dizendo que Deus era mentiroso, mas Jesus tem a resposta: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.” (Mt 4.7 – NTLH), em Genesis o diabo convenceu que não tinha problema, mas Jesus lembra-nos que não dá para negar ao Senhor e Criador. Terceira tentação: poder e glória sem cruz. A exemplo de Gênesis que o diabo faz Eva acreditar que é muito bom satisfazer aos desejos do seu coração, mas que bom ver Jesus dando uma resposta que diz: “Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele.” (Mt 4.10 – NTLH).
O novo Adão, o Senhor Jesus permanece firme. Ele responde sempre com a Escritura. Ele não duvida do Pai. Ele não desobedece. Onde Adão caiu em um jardim perfeito, Jesus vence em um deserto árido. Onde Adão duvidou da Palavra, Jesus se agarra à Palavra. Onde Adão buscou ser como Deus, Jesus se humilha e permanece obediente.
É por isso que Paulo diz: “Assim como muitos se tornaram pecadores por causa da desobediência de um só homem, assim também muitos serão aceitos por Deus por causa da obediência de um só homem.” (Rm 5.19 – NTLH). Cristo é o Novo Adão. Ele não veio apenas para nos ensinar a resistir à tentação. Ele veio para vencer por nós. Com Jesus o castelo do diabo tomba, pois foi construído sobre a mentira, o engano, a falsidade.
A verdade é que se dependesse de nós, cairíamos — como Adão caiu. A Lei mostra: também falhamos. Também duvidamos. Também cedemos. Mas o Evangelho anuncia: Cristo venceu. E essa vitória não ficou no deserto. Ela caminhou até a cruz, foi exposta para o mundo inteiro ver e crer.
Por isso temos o Perdão e justificação: comunhão restaurada. Enxergamos essa verdade mostrada na realidade por meio do salmo 32, lá depois de falar do peso da culpa, o salmista diz: “Então eu te confessei o meu pecado e não escondi a minha maldade. Resolvi confessar tudo a ti, e tu perdoaste todos os meus pecados.” (Sl 32.5 – NTLH). Aqui está o Evangelho. PERDÃO. Aquilo que começou no Éden — culpa, medo, separação — encontra solução em Cristo. Romanos 5 declara: “mas existe uma diferença entre o pecado de Adão e o presente que Deus nos dá. De fato, muitos morreram por causa do pecado de um só homem; mas a graça de Deus é muito maior, e ele dá a salvação gratuitamente a muitos, por meio da graça de um só homem, que é Jesus Cristo.” (Rm 5.15 – NTLH). A graça é maior que o pecado. A obediência de Cristo é maior que a desobediência de Adão. A vida é maior que a morte.
Justificação significa que Deus declara o pecador justo por causa de Cristo. Não porque resistimos bem às tentações. Não porque fizemos boas obras. Mas porque Cristo venceu, sofreu e morreu em nosso lugar. Na cruz, Ele carregou a culpa herdada de Adão. Na cruz, Ele levou nossos pecados pessoais. Na cruz, Ele enfrentou a morte. E na ressurreição, Ele inaugurou uma nova humanidade. Agora, quem está em Cristo tem comunhão restaurada com Deus.
O Salmo 32 termina dizendo: “Todos vocês que são corretos, alegrem-se e fiquem contentes por causa daquilo que o Senhor tem feito!” (Sl 32.7 – NTLH). No Éden, Adão se escondeu de Deus. Em Cristo, nós nos escondemos em Deus. Que mudança maravilhosa!
Isso é comparável a uma família cujo pai contraiu uma dívida enorme. Ele assinou um contrato ruim. Por causa disso, toda a família perdeu bens, casa, segurança. Os filhos sofrem as consequências de uma decisão que não tomaram. Isso é o que aconteceu com Adão. Ele representava a humanidade. Sua queda trouxe dívida espiritual para todos nós. Agora imagine que surge alguém — um parente próximo — que paga toda a dívida. Não apenas paga, mas restaura o nome da família, reconstrói a casa e devolve a dignidade. Esse é Cristo. Ele não apenas diminui a dívida. Ele a paga completamente. Ele não apenas melhora nossa situação. Ele nos declara justos diante de Deus.
Por isso que nesta caminhada quaresmal, Deus Espírito Santo, nos leve ao arrependimento sincero, e assim nunca esqueçamos: O Novo Adão venceu. E porque Ele venceu, nós temos perdão, justiça e comunhão com Deus. Amém.
“SE POR ADÃO O PECADO, A CULPA E A MORTE ENTRARAM NO MUNDO, EM CRISTO — O NOVO ADÃO — TEMOS VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO, PERDÃO DOS PECADOS E JUSTIFICAÇÃO QUE RESTAURA A COMUNHÃO COM DEUS.”
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique

