Eu aprendi desde cedo que, na vida, você recebe aquilo que investe nela.
A existência é um campo. Nossas escolhas são sementes. Nossas palavras, atitudes, relacionamentos e decisões estão continuamente semeando algo no solo da vida. E toda semente carrega dentro de si a promessa de uma colheita.
Há, porém, um intervalo entre a semeadura e a colheita.
É nesse intervalo que muita gente se engana.
O bem não é recompensado imediatamente, e o mal nem sempre recebe seu juízo no momento em que é praticado. Às vezes, parece que a honestidade não vale a pena e que a injustiça prevalece.
Mas, o tempo não mente.
Eclesiastes diz que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”. Há tempo de plantar e há tempo de colher.
Existem estações em que aquilo que estava escondido “debaixo da terra” finalmente aparece.
Há um tempo em que a perseverança e a fidelidade recebem seu galardão. Um tempo em que aqueles que fizeram o bem começam a encontrar o retorno de seus investimentos morais, espirituais e relacionais.
Há um tempo em que os que esperaram no Senhor renovam as suas forças.
Há um tempo em que portas que estavam fechadas se abrem e aquilo que parecia perdido emerge como fruto da insistência.
Mas o princípio também funciona na direção oposta.
Há um tempo em que a maldade encontra suas consequências. Um tempo em que o juízo deixa de ser apenas uma possibilidade no horizonte e se manifesta dentro da história.
Quem gastou sua energia tentando prejudicar os outros descobre que o mal cobra dividendos.
Ninguém consegue semear destruição indefinidamente sem, em algum momento, encontrar os frutos daquilo que plantou.
“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” Gálatas 6:7
Não vos enganeis é uma advertência para quem acredita que não haverá colheita, mesmo insistindo em fazer o mal.
Para quem fez o bem, tempos de colheita são tempos de refrigério, restituição e respostas.
Mas, para quem semeou o mal, o tempo de colher é um chamado ao arrependimento.
Um tempo para mudar as sementes.
O princípio também aparece ligado à generosidade:
“Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará.”
2 Coríntios 9:6
Em Oséias 8:7, temos um dos textos mais fortes sobre as consequências ampliadas do mal:
“Porque semeiam ventos e colherão tempestades.”
Oséias 8:7
Depois, o mesmo profeta coloca lado a lado a colheita do bem e do mal:
“Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia…”
E, logo depois:
“Lavrastes a impiedade, colhestes a perversidade.”
Oséias 10:12-13
Seguindo a mesma linha, temos outro texto impressionante:
“O que semeia a perversidade colhe males.”
Provérbios 22:8
A aplicação de Elifaz à situação de Jó estava equivocada. Ele culpava Jó de estar sofrendo porque pecara. Porém embora o contexto esteja errado, o princípio moral expresso em sua fala encontra paralelo nas Escrituras:
“Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo segam.” Jó 4:8
Para o apóstolo Tiago, a justiça também é apresentada dentro dessa linguagem:
“Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.” Tiago 3:18
Na parábola do trigo e do joio, Jesus trabalha a colheita como o momento de separação e juízo. Na explicação da parábola, Ele identifica a ceifa como o momento em que aquilo que foi semeado finalmente revela sua natureza.
Mateus 13:24-30, 36-43
Esse princípio está presente em toda a Escritura. Há uma estação em que as sementes que plantamos revelam sua natureza e produzem seu fruto.
E, certamente, se você tem semeado o bem, pode olhar para essa estação com esperança e alegria.
Afinal, para quem plantou boas sementes, a chegada do tempo da colheita não é uma ameaça, mas uma promessa.
Aos que semearam o mal, é hora de se arrepender e até mesmo restituir o dano causado.

