Vamos sair melhores de dois mil e vinte um. Se cada um tomar consciência de que só haverá mudança no planeta se nos transformarmos em sinais vivos de esperança para o outro.
O Papa Francisco assim se expressou sobre o futuro: “Me preocupa a solidão. Terceirizamos a convivência, esquecemos o lado a lado da convivência. Algumas vezes vês uma família que estão comendo juntos, os pais assistindo à televisão e os filhos olhando o celular, porque não podem sair. Eles têm tempo para se encontrar. Hoje temos que resgatar a convivência, e esta será uma das conquistas a qual podemos chegar nessa tragédia muito triste, porém temos que recuperar a convivência humana, a proximidade.”
Mecanicamente desejamos aos próximos e aos distantes: “Feliz ano novo”. Tempos atrás escrevíamos cartas e cartões aos familiares e amigos. Hoje até para dizer “eu te amo” enviamos uma mensagem ou um emoji pelo whatsapp.
Estamos perdendo a capacidade da proximidade. Hoje os meios de comunicações diminuíram as distâncias. Porém nunca estivemos tão distantes e tão solitários.
Estamos nos transformando em máquinas. Porém máquinas não amam, não possuem sensibilidade e valores. A esperança é revolucionária. Sem amor e sem esperança não existe fé. E sem fé não existe o novo.
A esperança cria a utopia e nenhum projeto humano que transformou o mundo foi possível sem utopia. Dos primórdios da epopéia do Homo sapiens aos nossos dias, tudo foi obra da teimosia do ser humano em não se contentar apenas em esperar o que já estava disposto, mas ter a postura ativa da esperança no ainda-não.
A esperança é a única atitude que distingue, na essência, o(a) verdadeiro(a) revolucionário(a). Não é a indignação, não é a vontade imediata de lutar, não é a atitude de denúncia e a revolta. Embora importantes, tais posturas podem ser compartilhadas também por quem não é revolucionário. A esperança, não.
“Esperar” é aguardar algo de que se tem certeza ou forte crença que virá. O “Feliz Ano Novo” só virá se cada um de nós for capaz de buscar a reconciliação e a paz. Um mundo onde impera a fome, o vazio, o medo, o ódio, a alienação e a indiferença. Onde o mal foi banalizado, o novo nunca será capaz de chegar. O novo não vem de fora. Nasce dentro de cada ser humano que se transforma em lucidez, luz e razão de viver para os deserdados da mãe terra. Então que a solidão e todas as distâncias sejam destruídas e que só sejam capazes de construir amor em 2022. Então poderemos gritar. FELIZ ANO NOVO!