Vamos solicitar o auxílio da filosofia para construir nossa reflexão semanal ou de final de semana: existe uma fórmula para a felicidade? É possível traçar um roteiro de passo- a – passo para esse estado da mente? No mundo atual, muitos coachs e gurus da auto ajuda tentam criar tais respostas e, a meu ver, tudo que conseguem é gerar mais confusão, fumaça e muito mercado para pouco resultado.
Mas essa crítica é construtiva e não generalizada, uma vez que, com formação em técnicas de coaching que possuo e exerço com muita felicidade há mais de uma década, reconheço grandes profissionais dessa área, famosos ou não que levam a sério essa linda profissão que tanto bem gera na sociedade. Basta observar o caos emocional atual e perceber que as empresas contratam pelo currículo cognitivo e demitem pelo currículo oculto, ou seja, pela inabilidade emocional na convivência entre os pares.
O que diz a ciência filosófica sobre felicidade? Aristóteles ensinava que felicidade seria o equilíbrio entre a harmonia e a ação no bem, a prática do bem; O filósofo Epicuro dizia que felicidade é uma resultante da satisfação dos desejos; Pirro de Élia ensinava que felicidade era resultado de uma vida tranquila.
Num pod cast, um dia desses ouvi a seguinte frase, que a pessoa apresentava como anônimo o seu criador: “A felicidade não é ausência de conflitos, mas a habilidade em lidar com eles” e então? Felicidade tem fórmula? E a minha resposta é sim! Respeitando, claro todos os nãos que possam vir de meus queridos e diletos leitores e leitoras.
Tudo em nós, seres humanos que diferimos das outras espécies animais pela faculdade mental de se reconhecer e de possuir memórias acessíveis nos mais variados graus, essa tão maravilhosa mente, nos ilude, nos engana, pois, a mente mente repetidamente, constantemente pra gente, sendo essa faculdade humana, a mente, órgão invisível onde professores, terapeutas, psicólogos e psiquiatras buscamos conhecer, mapear e ajudar nossos alunos, clientes e pacientes na difícil viagem intrapessoal.
Seria a felicidade um tempo no espaço na vida de cada um de nós? Um Shangrilá de delícias? Seria um estado de alma, onde, segundo os filósofos é produto da tranquilidade, da satisfação dos desejos, do equilíbrio entre harmonia e prática do bem? Ou será que felicidade é verbo, é uma ação, uma atitude, posto que na frase em questão, há um convite implícito de a pessoa que habita essa mente preferir a habilidade em administrar os perrengues que a vida, nada justa, diga-se de passagem nos oferece a cada momento da vida?
Não vim esgotar esse tema oceânico, visto que estamos falando de um ser criado por uma divindade e colocado no mundo pouco menor que os anjos e cujo objetivo ou meta é ser feliz. Às vezes, gosto de imaginar que o Eterno e Bom Deus nos criou e cria e, ao nos enviar pra Terra diz assim pra cada um de nós: meu filho, minha filha, vá lá e arrase, seja o mais possível que puderes ex-tra-or-di-ná-ri-o! Seja o mais possível que puderes feliz!!!!
Rodrigo Fonseca afirma que as pessoas preferem ser felizes ao invés de acumular dinheiro e aqui coloco outro pensamento para análise sua e minha e, esse grande profissional de IE – Inteligência Emocional ao longo de seus treinamentos e tratamentos de muitos assalariados, classe média alta e famosos e milionários observou que o dinheiro não é mais importante do que essa palavra tão complexa e tão desejada por todos e cada um de nós: Felicidade.
O que os estudos atuais na área de neurociências aborda e legisla? Felicidade é um estado da psiquê humana que, livremente, saudavelmente decide agradecer por tudo e todos ao seu redor ao invés de focar na escassez , na falta, terminando nas sinapses doentias da melancolia, da tristeza e da depressão.
Vivemos o século da mente humana. Vivemos o século da depressão, segundo dados de pesquisas científicas apresentados pelo Dr. Haroldo Dutra Dias, que, a cada dez pessoas no mundo oito possuem algum tipo de transtorno mental; Dados de pesquisas como esse também estão disponíveis na OMS – Organização Mundial de Saúde. A OMS afirma que a cada oito pessoas no mundo, uma possui algum transtorno mental.
E no Brasil, isso corresponde a 18,6 milhões de brasileiros com transtornos de ansiedade, além dos 11,5 milhões de brasileiros com depressão; se lembrarmos que outros tantos não procuram ajuda médica nem terapêuticas, caindo na vala comum do preconceito e dos tabus, onde isso não é doença, é frescura, é modismo, estás querendo chamar atenção e por aí vai, uma massa delirante de senso comum que geram mais doentes ainda nos seios da sociedade, quer familiar, religiosa ou laboral, esse número seria ainda maior.
Felicidade para mim é uma decisão: apesar da chuva eu decido ser feliz, apesar dos conflitos eu decido procurar o meio termo, a luz no fim do túnel e concluo com o pensamento da Dra. Meire Yamagushi, que afirma não haver felicidade sem perdão. Digo aqui o perdão terapêutico que procura o aprendizado na dor e o enxergar quem agrediu como alguém infeliz e cheio de transtornos físico, morais, mentais.
Não dá pra ser feliz sozinho, felicidade é na verdade o Amor vivendo em cada um de nós e, sem perdoar a si mesmo e aos outros se torna um clichê ou mesmo impossível ser um ente feliz.
Felicidade é verbo que se conjuga dentro de si mesmo e depois fora de si, nos seus entes queridos ou nem tanto. Se paz não é ausência de guerra mas presença de Amor, felicidade também não é ausência de conflitos, de dificuldades mas preferência de focar na luz, no quê se há de fazer ao invés de reforçar a memória doentia das dores do passado.
As vezes atendo pessoas com sessenta, setenta anos ou mais, cheios de mágoas de coisas que aconteceram lá na sua primeira infância. Se a sua criança interna está doente, está magoada, irritada, meu amigo, minha amiga, é impossível sentir felicidade. Felicidade duradoura e, dependendo das memórias negativas arrastadas por essa pessoa, nem mesmo momentos felizes. E o que se vê é um rosário de dor vindo das doenças psicossomáticas.
Perdoar não significa esquecer, significa limpar em você o lixo que outra pessoa ali depositou, reconhecer esse estado mental sozinho ou usando ajuda terapêutica, sim, sempre que necessário, como a Técnica do Ho’oponopono havaiano, ou o alemão de que algumas palavras poderosas podem ir limpando essas memórias negativas: sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato. Na dinâmica da técnica, aos poucos o caminheiro vai construindo o caminho decidindo pelo estado mental da felicidade em cada passo dado. Como seres de hábitos que somos, a felicidade vai se instalando devagarinho e quando percebemos as vantagens em ser feliz, vamos alterando caminhos neurais.
E isso é fácil? Não, não é, mas o resultado, a mente plena de felicidade faz todo o esforço físico e mental valer a pena!