Dr. Furlan (CIDADANIA) foi a grande surpresa das eleições de 2020.os analistas políticos foram unanimes em dizer que o candidato de Davi Alcolumbre, Josiel Alcolumbre, seria o prefeito de Macapá e enfrentaria, em um possível segundo turno, João Capiberibe do PSB.
As pesquisas, no entanto, apontavam que, em um segundo turno, Josiel Alcolumbre ganharia de todos os candidatos, com exceção do Dr. Furlan. O pesadelo de Josiel se tornou realidade quando, após a apuração, Dr. Furlan seria o seu adversário e o resultado das urnas confirmou o favoritismo.
Em uma vitória histórica Dr. Furlan se elegeu prefeito de Macapá derrotando os representantes das duas mais poderosas forças políticas que administraram o Estado do Amapá a décadas. Candidaturas que retratavam relações estreitas com os mesmos problemas sociais que todo amapaense já estava acostumado a ver e a sentir na pele.
Falta de energia elétrica constantes, agravadas ainda mais pelo apagão, somando-se a completa falência do sistema de saúde, que vieram à tona com a pandemia da Covid-19. A ladainha contada e recontada de que os dois candidatos que, se intitulavam o “novo” e que garantiam “dias melhores” não entrou na cabeça do macapaense que, garantiu o novo com a eleição do Dr. Furlan.
Diplomado e empossado, começa então a nova gestão e os desafios se apresentam. Hoje, depois de 100 dias à frente da gestão municipal e enfrentando vários tipos de problemas o prefeito fez um pequeno levantamento da sua administração durante conversa com a reportagem do A Gazeta.
Logo no começo de janeiro a Prefeitura de Macapá informou que os exames de sorologia para diagnóstico da Covid-19, voltavam a ser ofertados na rede municipal de saúde. O prefeito determinou, antecipadamente e de forma preventiva, a limpeza dos canais nos pontos de alagamentos identificados pela Defesa Civil.
“Anunciamos também a adoção de Protocolo Preventivo contra o Novo Corona Vírus. O esquema é um exemplo de sucesso em vários municípios do país, que apresenta a profilaxia como principal medida de combate”, disse o prefeito.
Em janeiro o prefeito também deu um passo em busca da vacinação para a população amapaense contra a covid-19, “estivemos em visita ao Instituto Butantan, nossa meta era a vacinação e conversamos com o diretor do instituto, Paulo Capelotto que explicou como a CoronaVac estava sendo produzida, sua eficácia, e quantas doses seriam disponibilizadas para o Governo Federal colocar em prática o Plano Nacional de Imunização, um passo importante em direção a imunização”.
No dia 19 as primeiras doses da vacina CoronaVac chegaram às unidades de Saúde do município de Macapá. A imunização começa pelos profissionais de saúde que estão atuando na linha de frente no combate à pandemia do novo Coronavírus. A vacinação contra a covid-19 se tornou uma realidade e, o prefeito Dr. Furlan, pessoalmente, aplicou a primeira dose da vacina em uma técnica de enfermagem do município de Macapá.
Desafios
Na conversa com a reportagem do A Gazeta o prefeito falou sobre como encontrou a prefeitura no momento em que assumiu:
“O segundo turno das Eleições foi no dia 20 de dezembro de 2020. Com o pouco tempo, nós acabamos assumindo a gestão sem passar pelo processo de transição.
Os 100 primeiros dias usamos para ter conhecimento como de fato estava a Prefeitura de Macapá, pois, além da inexistência de transição, ainda tivemos que agir de maneira enérgica para combater a pandemia. Mas, com firmeza asseguro, que não havia saldo algum na conta da Prefeitura. Os valores deixados eram de convênios federais em execução. O dinheiro do tesouro e transferências constitucionais foram todos usados até o último dia, 31 de dezembro, para pagar todas as contas da prefeitura.
Em relação à área meio, que a gente fala de gestão, encontrei todos os cargos intermediários ocupados por gerências sem vínculos. Em relação aos servidores efetivos do município, me chamou atenção a falta de sensibilidade da antiga gestão que deixou salários defasados, e profissionais sem prestígio. Percebemos também a utilização de horas extras e adicionais noturnos sendo utilizados para composição salarial, o que trouxe prejuízos para os servidores e para administração pública. Eles não receberam aumento real e a Amprev não recolhia sobre esses valores indenizatórios. Vamos mudar isso, revisando e criando Planos de Cargos, alterando o estatuto das autarquias, mas vamos garantir a valorização dos servidores.
Na saúde, encontramos medicamentos e correlatos usados apenas na atenção primária, sem uma preparação para a pandemia. Nos deparamos também com um cenário não preparado para vacinação em massa, tendas danificadas que estavam desabando em cima dos pacientes. Mudamos isso com estruturas mais robustas e seguras. Mudamos também toda concepção que existia de que o Município não era responsável por atender os pacientes graves da pandemia. Hoje podemos garantir sobrevida até a ida para o hospital.
Encontramos uma policlínica sem lei de criação, sem energia elétrica fornecida pela CEA, sem gases medicinais, sem estação de tratamento de esgoto. Mesmo assim o prédio foi inagurado.
A educação foi outra área em que encontramos inúmeras deficiências que, vão da gestão de pessoas até as estruturas precárias das escolas tradicionais, aluguéis de prédios que chegam a 3 milhões de reais por ano. Algumas escolas funcionando em imóveis residenciais, situação inimaginável para a capital do Estado com mais de 30 mil alunos na rede de ensino.
Enfim, o cenário não era o que aparecia nos veículos de comunicação”.
Dr. Furlan falou também sobre as indicações políticas para a PMM:
“A governabilidade é imprescindível em qualquer gestão, isso requer que o gestor concilie uma base política ampla para conseguir executar o plano de governo, atender as metas da gestão e fazer entregas à população que tragam melhor qualidade de vida, emprego e geração de renda. Me sinto confortável porque mesmo nas composições que foram necessárias, as indicações políticas também eram técnicas, o que veio agregar ao executivo trazendo resultados. Nossos aliados sabem da necessidade de uma composição técnica, e o governo municipal se torna mais forte, com base política dos partidos aliados, fundamental para o projeto de ter um município melhor para população”.
Para finalizar a conversa com o prefeito, a reportagem do A Gazeta perguntou sobre os principais desafios com o gestor tem enfrentado:
“O mais difícil hoje em dia é gerir as mazelas econômicas e enfrentar a pandemia. Temos que aumentar investimentos em assistência à saúde para não deixar nenhum paciente desassistido. Ainda precisamos enfrentar uma arrecadação municipal muito prejudicada porque o comércio passou por fechamento, áreas que arrecadam imposto de serviço estão fechadas há quase um ano, como segmento de entretenimento e gastronomia que sentiram forte impacto. Esse contexto fez com que reduzíssemos linearmente contratos, número de cargos e vagas temporárias para ter austeridade administrativa, e conseguir garantir as necessidades e serviços que temos que prestar à população.
Mesmo em tempo de inverno amazônico fizemos obras estruturais, limpamos a cidade de maneira ampla, com drenagem de canais obstruídos, retiramos entulhos de toda a cidade, e isso vai ter resultado na redução de casos de dengue e malária principalmente. Estamos seguindo com uma arrojada expansão do sistema de saúde do Município, o que vai facilitar em muito a acessibilidade e resolutividade para a população que precisa.
Tudo isso é muito difícil porque temos que mudar toda a estrutura administrativa do executivo, pois a prefeitura de Macapá não tinha como objetivo avançar neste sentido, vamos criar todo o Marco legal junto à Câmara Municipal para ter esses serviços essenciais para o macapaense”.

