Todos os leitores sabem que gosto de trazer exemplos que deram certo e os que não estão dando certo em outros países líderes das ‘mal fadadas’ políticas ambientais. Gosto principalmente de mostrar aos leitores os erros crassos dos países ricos que comandam a tal ‘política ambiental’, que cometem ao tentar fazer buracos n’água. Tudo no sentido de trazer o bom senso para certas lideranças políticas e governamentais brasileiras. Não é uma tarefa fácil, muitas vezes dá enorme vontade de colocar ‘amaciante de carne’ no shampoo de determinadas figuras nacionais, que são ‘cabeças duras’.
Creio que os enormes erros cometidos pelo atual governo americano influíram decisivamente nas próximas eleições americanas. Quem melhor explica o assunto é David Holt, presidente da Consumer Energy Alliance, uma defensora do consumo de energia e do meio ambiente nos EUA. Holt publicou no site RealClear Energy, em 01 de maio de 2024, o artigo “Erros energéticos dispendiosos não fazem nada pelo clima – mas aumentam as contas e tornam a energia menos confiável”, transcrevo trechos:
“Um efeito curioso mas previsível da tomada de decisões que restringem o acesso à energia acessível, fiável e ambientalmente saudável é que quanto mais comprimirmos a oferta em nome da ação climática, mais altos serão os preços e mais rapidamente as opções menos amigas do ambiente serão postas em funcionamento. O outro resultado? Os líderes eleitos propõem programas dispendiosos para ajudar as pessoas a pagar as suas contas de energia cada vez mais altas – causadas por políticas restritivas que estes mesmos líderes apoiaram. Isso é tratar os sintomas e não curar a doença.
A Califórnia, há muito vista como líder na tomada de medidas em prol do clima, é a paciente zero quando se trata de compreender este fenómeno irracional. Considere que, nos últimos 10 anos, na Califórnia, as tarifas para o maior grupo de clientes de serviços públicos do estado aumentaram 127%, à medida que a Pacific Gas & Electric, a maior empresa de serviços públicos do estado, foi forçada a recuperar custos que continuam a subir, incluindo programas para ajudar clientes de baixa renda a pagar suas contas. O resultado: um quinto de seus clientes está com contas atrasadas, de acordo com o Public Advocates Office da Comissão de Serviços Públicos da Califórnia.
Para não ficar para trás, Nova Iorque está a tentar superar a Califórnia, Califórnia, com uma meta de energia livre de carbono de 70% até 2030, a mais agressiva do país. Um estudo realizado pela Comissão de Serviço Público do Empire State já descobriu que os clientes estão a pagar taxas de serviços públicos até 12,6% mais elevadas para apoiar a Lei de Liderança Climática e Proteção Comunitária do estado, que está a forçar mudanças generalizadas no sistema energético. Esse relatório não inclui a recente duplicação dos custos estimados da energia eólica offshore.
Não é nenhuma surpresa, então, que Nova Iorque tenha reservado mais de 1,4 mil milhões de dólares para ajudar a compensar o aumento das contas de serviços públicos em 2024 para mais de oito milhões de pessoas. O Senado aprovou recentemente um projeto de lei para limitar as contas de serviços públicos a 6% do rendimento das famílias de rendimentos baixos e moderados, o que significa apenas que outros contribuintes terão de contribuir mais. Da mesma forma, a Califórnia, Nova Iorque e outros estados que seguiram políticas energéticas draconianas também estão a registar um aumento de incidentes de quedas de energia ou apagões planeados. Isto acontece porque estas políticas estatais não permitem energia suficiente, equilibrada e sempre disponível para satisfazer a procura.
Vejamos esse processo um pouco mais de perto. Passo Um: Os líderes eleitos aprovam políticas energéticas mal concebidas que eles e os interesses anti-empresariais sabem muito bem que custarão mais aos eleitores. Passo Dois: Atacar os fornecedores de energia quando os preços sobem e a eletricidade se torna menos fiável. Terceiro Passo: Pedir mais dinheiro aos contribuintes para financiar programas que ajudem os clientes de energia que têm rendimentos baixos ou fixos, ou que vivem na pobreza.
Os alarmes deveriam estar agora a piscar a vermelho para os líderes eleitos, especialmente num ano eleitoral, com o impacto político a surgir subitamente. Os eleitores na Califórnia e em Nova Iorque estão irritados com os preços mais elevados e fizeram com que essa opinião fosse ouvida. Portanto, é altura de observar que o Segundo Passo entra em ação: a culpa será atribuída a tudo, menos à causa real – políticas energéticas equivocadas. Depois acontecerá o Terceiro Passo, com uma disposição para absorver os contribuintes pelo custo das aspiracionais políticas energéticas que serão incluídas nas dotações orçamentarias, ou mais diretamente nas contas dos clientes.
Esta não é a maneira certa de fazer isso. E os eleitores não deveriam cair nessa. Há também outra questão: estas políticas energéticas restritivas, promovidas em nome da melhoria ambiental, estão a provar que não ajudam muito o nosso clima; e, em alguns casos, demonstraram piorar as emissões durante eventos climáticos extremos, quando menos geração limpa foi reativada. Outros estados – como Maryland, Connecticut, Delaware, Virgínia e Illinois, para citar alguns – deveriam ter cuidado e não seguir estas abordagens políticas falhadas.
Devemos concentrar-nos em alcançar os nossos objetivos ambientais de uma forma que não prejudique os nossos cidadãos mais vulneráveis. Ou matar o nosso crescimento económico. Ou destruir nossos negócios. Ou, Deus me livre, arriscar nossas vidas quando a energia acabar em temperaturas congelantes ou incandescentes. É hora de perguntar aos políticos como eles vão colocar as pessoas em primeiro lugar ao definirem políticas e regulamentações energéticas. Podemos exigir isso nas urnas este ano, e deveríamos. O progresso energético e ambiental são objetivos complementares e não antagónicos. Vamos todos lutar por um mundo melhor, onde todos tenhamos o que precisamos, a um preço que possamos pagar.”
Os brasileiros já começam a sentir na pele a inflação não oficial pela tendência do governo brasileiro de seguir a trilha do ambientalismo importado e alimentado pela grande mídia.
Lá (nos EUA) como cá (no Brasil) as políticas do governo central influem, para beneficiar ou não os estados. A grande diferença é que lá os estados são independentes com legislação forte e muitas vezes se contrapõem às federais. Já aqui os estados possuem independência relativa e as legislações federais se sobrepõem às estaduais. Aqui se uma legislação federal prejudica os estados somente nos resta reclamar pela inconstitucionalidade, se for o caso. O grande detalhe é que como no EUA no Brasil as asneiras cometidas pelo Executivo Federal podem interferir diretamente no resultado das eleições. O grande teste se os brasileiros estão aceitando ou não as asneiras cometidas serão as eleições deste ano cujo resultado influirá nas eleições de 2026
“Você sempre pode contar com os americanos para fazer a coisa certa – depois que eles tentaram todo o resto.” – Sir Winston Churchill, 1874 a 1965, militar, estadista e escritor britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e novamente de 1951 a 1955.