Os efeitos negativos da falta de educação não atingem somente o setor econômico, como sistematiza o trabalho coordenado por Paes de Barros.
Demoramos, no entanto, a reconhecer a sua importância, e não foi por falta de evidência. Em 1970, Carlos Geraldo Langoni documentou que expandir a educação básica era mais rentável do que apoiar qualquer setor da economia.
Pouco depois, ele realizou uma pesquisa tecnicamente impressionante revelando como o pouco acesso à educação era o principal responsável pela nossa desigualdade de renda.
Foi de pouca valia. À época, intelectuais de quermesse descartaram a evidência, e só nos anos 1990 o país começou a ampliar significativamente os gastos com educação.
Houve avanços expressivos no ensino fundamental 1, porém modestos no fundamental 2. Os resultados de aprendizado dos adolescentes não melhoraram e estão bem abaixo do esperado nas comparações internacionais.
O fracasso não é por acaso, pontuou Marcos Lisboa. Nossa política educacional ainda ignora a pesquisa aplicada sobre os fatores associados à melhora do aprendizado.
A evidência indica a relevância da gestão em cada escola, com avaliações detalhadas de aprendizado, monitoramento dos docentes e metas de desempenho. Testes controlados mostram que oferecer longo treinamento de técnicas adequadas de gerenciamento para diretores de escola aumenta o aprendizado dos alunos.
Particularmente importantes são as políticas de formação e valorização dos bons professores. Por outro lado, docentes com pouco engajamento deveriam ser afastados.
No Brasil, porém, grupos organizados costumam defender apenas o aumento dos gastos com educação, sobretudo de salários, apesar do seu frustrante impacto sobre o aprendizado.
Melhor seria reestruturar a educação brasileira com base nas evidências, com foco central no aprendizado dos alunos. Temos exemplos de cidades pobres que zelam pela gestão do ensino e conseguem resultados surpreendentes, bem melhores do que regiões ricas.
Assim, cabe aos nossos agentes políticos implementar uma política educacional efetiva e condizente com as melhores técnicas. E, caso isso não ocorra, como a história recente infelizmente vem revelando, que nossos jovens não caiam em ilusões ou demagogias, já que um futuro promissor somente chegará àqueles que desempenharem um tremendo esforço pessoal…
Julhiano Cesar Avelar
Procurador do Estado do Amapá. Atualmente Diretor Presidente do Instituto de Terras do Estado do Amapá- AMAPA TERRAS