Cinco sempre foram as grandes mentiras nacionais.
A primeira delas é a valentia do gaúcho. Dizem que só “aflora” quando está em bando e o oponente é fraca minoria. Mais não digo por que fui casado com gaúcha e pode parecer magoa…
A segunda, é que paulista trabalha. A pujança do Estado nos leva a pensar assim, mas a boca miúda, o que se diz é que quem trabalha por lá são emigrantes de todas as partes, sejam italianos, japoneses, alemães, outros, e acreditando ou não, nordestinos.
A terceira compromete mesmo os carnavalescos representantes da alegria em nosso país. Afirmam ser uma deslavada mentira a alegria do carioca. Juram que não existe nela um pingo de verdade. Por lá ela existe, reconhecem, mas de ricos, turistas e muita gente de fora nas praias, festas e em cima das cariocas. O natural mesmo fica por lá, suando em bicas e andando de ônibus, lotação e trens da antiga Central do Brasil.
A quarta bem mexe com a gente. A boca grande comenta-se que é uma falácia o fato de que mineiro tem dinheiro, ainda mais escondido no colchão ou em qualquer outro modo de disfarce. Consagram-nos como enrustidos fazedores de mistérios para que pensem aquilo que nós pensamos querer que pensem. Ainda arrematam com desdém debochando descaradamente que todos os bancos terminados com Minas Gerais no final de seu nome se acabaram. Verdade, concordo, mas também não é assim, eles só mudaram de donos e endereços, indo para São Paulo trabalhar para eles.
A quinta é bem complicada e para mim bem difícil contá-la. Toda vez que brinquei com o bom povo de lá me dei mal. Muita gente já brincou. Chico Anízio então se imortalizou como “Painho”, quando, preguiçoso deitado na rede, mandou Cunhã buscar o soro antiofídico que via uma cobra que estaria vindo e poderia mordê-lo. Como ele, muitos outros tiraram uma lasquinha no bom povo, mas quanto à mim, bastou dizer numa entrevista, que na Amazônia não tinha gente de lá porque naquela região se dormia mais cedo, sem festa, e se devia trabalhar, o mundo desabou. Xingaram-me todo. Virei filho de mãe com pai desconhecido, nazista, preconceituoso e outras coisas que preferi não ler na internet para não chorar. Pois é, como já viram, estou falando dos baianos, e lamentavelmente a quinta grande mentira é de lá. Repetida em todos os rincões brasileiros, é nada menos que turismo na Bahia. Mesmo acompanhado de elogios, a reclamação é grande e unânime, de que os lazeres e prazeres que lá se compram custam o olho da cara. Custa uma nota preta o bom clima, o sol, o carinhoso afago e até a bagunça. E esta última, quem vai é que leva e faz, por tanto deveria ser de graça.
Cinco inverdades já estabelecidas nacionalmente. Claro que existem outras, que a meu ver são até maiores, mas muitas delas, nossa gente não se dá conta. Muitos tentaram inclusive colocar em alguma posição neste desprimoroso ranking, os nossos políticos, mas nunca colou. Estão mantidos por fora, sempre “hors-concours”, uma vez que não existe páreo comparativo a eles.
Como mostra disso, o decantado e bem aplaudido pelo comércio,13º salário, que trabalhadores e que o próprio partido que os diz representar tem como grande coisa e não é bem assim!!! Na verdade um pequeno grande engodo político.
O mundo civilizado paga salários a trabalhadores e mesmo outros nem tanto, por sete dias, ou seja, semanalmente, e o ano tem 52 semanas. Com a conta feita por elas, veremos que como mensalistas, ao fim do ano receberemos o mesmo que eles, apesar de havermos inserido um fictício mês a mais. Assim, tudo apenas acontece em função de se pagar por mês, tendo ele lá quantas semanas ou dias tiver.
A coisa toda, como a minha tendenciosa aritmética é apenas uma esdrúxula ilusão política, por não levarmos em conta que ele, 13º apenas complementaria um ou outro dia não pago, no decorrer dos meses e no ano.
Sem dúvida, no mundo dos mentirosos a classe política é campeã, para eles até a lógica da matemática perde. E ainda dizem que trabalham para o povo, que ironicamente maravilhado ainda agradece.