Ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Franklin de Souza Martins relatou, neste domingo (8/3), ter sido detido na última sexta-feira (6/3) no Panamá e deportado para o Brasil.
Segundo Martins, ele faria, na sexta, conexão no aeroporto panamenho de Tocumen, durante viagem para Guatemala. Na cidade, o ex-auxiliar de Lula participaria, por três dias, de seminário promovido pela iniciativa Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas, na Universidade Rafael Landívar.
No entanto, ao desembarcar no local, por volta da 1h de sexta, Martins foi abordado por dois policiais panamenhos à paisana, que solicitaram a apresentação de documentos, o que, segundo afirmou, foi atendido imediatamente. Após ser levado para uma sala, a fim de prestar esclarecimentos, Martins acabou sendo colocado de volta em um voo para o Brasil, aproximadamente às 14h.
“(O interrogatório) deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, afirmou o ex-ministro em relato publicado no site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
A ABI publicou carta aberta ao embaixador do Panamá no Brasil, Flavio Gabriel Méndez Altamirano. No documento, a instituição questionou toda a condução da passagem de Martins pelo país.
“Sem qualquer explicação, em total desrespeito aos direitos do jornalista – detido arbitrariamente e impedido de se comunicar até mesmo com a Embaixada do Brasil –, as autoridades do Panamá se outorgaram o direito de impedir o acesso a outra nação”, dizia trecho do questionamento.
Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez, pediu desculpas ao correspondente no Brasil, ministro Mauro Vieira. Na carta, Vásquez chamou o ocorrido com o ex-ministro de Lula de “incidente”.
“Permita-me expressar, em nome do Governo Nacional do Panamá, nossas sinceras desculpas pelo inconveniente causado por esta situação, que ocorreu no âmbito da aplicação estritamente administrativa dos procedimentos automáticos de imigração”, diz trecho da carta.
O Metrópoles pediu posicionamento ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) sobre o caso, mas ainda não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações. (Colaborou Catielen de Oliveira)
Fonte: Metrópoles

