Começamos a compreender que o conhecimento é libertador como também poderoso. Mais e mais as pessoas estão buscando informações de todos os tipos, e nesse contexto, o livro, em seus vários formatos, cada vez mais reforça sua verdadeira função: Informar e Transformar.
Os autores da atual produção literária brasileira caracterizam-se pelo individualismo unificador, e estão diretamente associados às tendências que foram criadas na segunda parte do século XX. Metalinguagem, experimentalismo formal, engajamento social e mistura de tendências estéticas são algumas marcas dos seus textos, que por outro lado, os caracterizam como escritores contemporâneos com textos literários marcados pela função poética da linguagem, ou seja, pela seleção e combinação das palavras com ideia de privilegiar ritmo, sonoridade, beleza, criatividade, entre outros. A literatura não tem compromisso com a realidade, e sim com a recriação dela.
E nesta perspectiva de recriação da realidade, apresento aqui dois autores contemporâneos, que trabalham esta recriação em suas duas obras mais recentes, que nos mostram que são autores engajados socialmente e que focam em um novo tipo de educação e um novo regime social. É, pois, óbvio que não se trata de livros de leitura fácil e rápida, mas sim de uma leitura que exige compreensão e penetração.
As escritas de Aldenora Cravo e Hélio Santos, como as encontramos nestes admiráveis livros, são das mais originais no conceito de literatura lídima que hoje se faze no Brasil, aproximando, assim, seus autores de uma notável lista dos grandes escritores que se tem hoje na literatura brasileira. Sem falar de suas índoles profundamente literárias e líricas que vêm desde os primeiros grandes escritores da literatura brasileira até os grandes dos dias atuais.
Com uma estrutura compacta e sucinta, de uma rara sutileza de pensamento, as escritas de Aldenora Cravo e Hélio Santos expressam em si o grande amor que eles têm por suas artes, que os leva pôr em suas páginas toda a verdade existente em suas almas, a revelar, assim, a imensa capacidade de perceber sensações, e que sussurra, que se insinua singelamente a profundidade que as precede.
Essa capacidade peculiar de perceber sensações e sensibilidade em Hélio e Aldenora é o que os distingue dos outros artistas comuns da arte de escrever. Suas obras nos remetem a uma nudez plena em suas palavras, os revelando, assim, como escritores autênticos e libertos das frustrações do mundo, apesar de suas frustrações.
Os livros de Aldenora Cravo (A importância da orientação sexual na Formação do Adolescente) e Hélio Santos(Nuances do Amor) têm uma notável riqueza de informações e ideia que se destacam como o que há de mais original em seus escritos, e que faz da essência de suas palavras, algo palpável e transcendente em uma requintada análise que nos faz perceber o quanto Aldenora Cravo e Hélio Santos dominam o todo de seus livros, obras grandiosas de grandes artistas, nos quais podemos encontrar uma necessidade de conhecer de fato o existir, o qual é a característica maior daquilo que é autêntico e de toda arte realizada.
Aleixo Bueno diz que “o artista se mostra e se desnuda por meio de sua arte”. Desta forma, não é difícil de dar um passeio com Aldenora Cravo e Hélio Santos dentro de suas palavras. Eles têm estilos peculiares, concisos, e o modo como se colocam em relação ao que se observam e escrevem é sempre surpreendente. Eles são uns artistas da literatura que assinam por si só.
Hélio Santos em “Nuances do Amor” nos invoca à condição de reabilitarmos todas as nossas emoções para melhor fruí-las, e nos proporcionar o mesmo prazer de adentrar no âmbito de nossas próprias almas e de suas manifestações ainda que vivamos momentos de agonias. Ele tem uma linguagem própria, concisa, passeando por todos os períodos já estudados da literatura. Em “Nuances do Amor”, Hélio faz um apanhado inteligente, intenso e muito próprio do tema amor em toda a sua essência e nuances.
Como cronista, Hélio Santos é um Colosso, tão surpreendente quanto um Buquê de Noiva em um Domingo Colorido, e imprescindível como um Pedido a Iemanjá. Ele, em suas crônicas, conversa conosco como num Papo de Botequim, como em um Divã, ouvindo nossos Segredos. Seria Impossível o Perdão a Hélio se ele não tivesse nos presenteados com “Nuances do Amor” e que na Inversão da Lógica, nos traz a antítese sobre o Caos e o Cosmo, e a importância de expressar amor e compreensão, mesmo para aqueles que se acham O Último Biscoito Doce e Recheado do Pacote.
Aldenora Cravo em”A importância da orientação sexual na Formação do Adolescente” fala por si só. Ela aborda nesta obra o tema orientação sexual no ambiente escolar, que apesar de polêmico, é de suma importância educacional e social. Ela o faz de forma eficiente, engajadora e inteligente por meio de pesquisas com pais, alunos, professores e por meio de sua vasta experiência como educadora. Em sua obra, Aldenora Cravo nos mostra com toda clareza por meio de uma linguagem simples, objetiva e didaticamente construtiva que a sexualidade humana ainda é um grande mistério e que há muito a se descobrir e estudar sobre este assunto, nos trazendo à luz um tema que, por si só, é um grande leque de discussão.
Aldenora nos faz ver que em pleno século XXI, abordar sobre a Orientação Sexual, ainda é considerado um tabu, mas que é possível, saudável e ao mesmo tempo desafiador, pois implica em lidar com questões nos vários âmbitos da sociedade dentro de cada espaço de tempo.
O livro “A importância da orientação sexual na Formação do Adolescente” se torna, assim, uma grande obra para este século e para este espaço de tempo. Ao fazer um apanhado histórico do tema, A autora nos faz saber como este assunto vem sendo tratado desde o passado até o presente momento, e que a sexualidade humana é um tema que gera polêmicas e muitas controvérsias uma vez que envolve questões afetivas, papéis esperados e desempenhados em uma sociedade, mas que necessita ser abordado, conversado e discutido amplamente.
JARDIM DE FLOR
Amanhã, da minha janela
Vou admirá-la
Estendendo nuvens cinzas
Sobre o meu jardim
Orvalhando as flores e
Minha alma
(Hélio Santos)
MADURO
Esse teu cheiro de verde
Amadurece desejos
Em meus outonos
Que durante anos e anos
Desacreditou do amor
Hoje quer sorver teu beijo
E colher teu toque
Plantando sorrisos onde for.
(Hélio Santos)