• Ligo a TV, imagens chocantes, enchentes retumbantes, pessoas soterradas, mortes sem chances de socorro. Dor e desespero expressam em gritos e silêncios eloquentes as tragédias provocadas. Hoje é no Rio de Janeiro, outro dia foi em Minas Gerais e São Paulo. E amanhã? O que sei é que é resultado do descaso público e privado, dinheiro dos impostos que corruptos direcionam para contas particulares por cobiça e maldades. Fico indignado.
• Sim, corrupção mata. Má gestão mata. Revejo uma informação, em 2011, veja bem, lá em 2011, o TCU já havia apurado um desvio de R$ 30 milhões que deveria ter sido usado para ajudar as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro. Imagine se for feita uma investigação até os dias atuais…
• Há a mão da Natureza? Há. Mas como está na reportagem da Folha de São Paulo, “Adoção de medidas de proteção poderia ter mitigado efeito das chuvas em Petrópolis”. E há recursos técnicos para isso. Essas vidas e tantas outras e tantos outros lugares não deveriam destruir, mas ser aproveitadas, pois tem lado bom, são valiosas se fossem tomadas as medidas necessárias no seu devido tempo.
• Isso, como disse, me deixa indignado, triste. Triste por saber que o povo brasileiro, e o amapaense em particular e especial, tem sido governado por péssimos políticos. A falta ou insuficiência na entrega de direitos como segurança, educação, transporte, oportunidade de trabalho e de atendimento de saúde é fato corriqueiro. Fato que mata ou aleija o corpo e a mente de muitos cidadãos. Por que isso ocorre? Como mudar isso? Quando fazer a mudança? Por que fazer a mudança?
• Infelizmente, a política brasileira se caracteriza pela falta de ética, pois, ressalvadas poucas exceções, nossos representantes costumam comportar-se no exercício do poder como se ali estivessem para cuidar dos próprios interesses e não da coisa pública.
• Embora isso seja perceptível para a maioria da sociedade, o eleitorado não consegue transformar sua indignação em ação efetiva para retirar da cena pública pessoas que não sabem ou não querem honrar o mandato recebido nas urnas. Pelo contrário, a reeleição de maus políticos tornou-se fato comum, em verdade, constitui a regra geral e não a exceção. Por que o povo aceita isso?
• O povo é a maior parcela e a menos poderosa da população, embora represente o grande fator de estabilidade política de seus representantes. Nesse contexto, é de se esperar que um político seja piedoso, fiel, humano e íntegro, pois essas virtudes, em tese, agradam ao povo, aos seus eleitores. Mas, não é isso que encontramos em nossos representantes.
• Acontece que vivemos em um mundo povoado pela perfídia humana, o que torna as condutas virtuosas referidas, incompatíveis com determinados interesses de determinadas lideranças. E quais seriam esses interesses? E quem seriam essas lideranças?
• O povo obedece a lideranças locais, líderes comunitários, líderes classistas, empregadores e outros que negociam os votos dos liderados com os políticos. Ocorre que as lideranças citadas têm interesses pessoais que, muitas vezes, contrariam os interesses dos seus liderados. Logo, de forma prática, os eleitos defendem os interesses dessas lideranças, não os interesses do povo.
• Ao defender os interesses dessas lideranças, o político faz uma escolha que determina a ausência de segurança, de aprendizado, de oportunidade de trabalho, de transporte de qualidade e até de oferta de saúde, circunstância que explica tantas mortes por falta de ação política em nosso Estado do Amapá.
• Mudar isso significa o povo deixar de se pautar pela lógica das aparências, ou seja, cada eleitor entender que seus sofrimentos e os das pessoas que ama decorrem de ações daqueles em quem confia e vota para serem seus representantes. Significa avaliar o perfil daquele em quem confia seu voto, deixando de lado opiniões, mesmo que essas opiniões sejam de pessoas próximas.
• Também é preciso entender que todo voto é importante. O voto de cada um é decisivo para definir a escolha de alguém que decidirá pelo bem ou pelo mal que sobrevirá nos próximos 4 (quatro) anos para toda a sociedade, pois, os políticos governam a todos e não apenas aqueles que neles votaram.
• A esperança de cada um de nós, e de todos, reside na compreensão de que a governança está nas mãos dos que serão eleitos e que essa decisão está em nossas mãos, ou melhor, em nossos dedos: digitar o número do que compra nosso voto – seja com dinheiro vivo, favores, cargos ou qualquer outro benefício pessoal – ou digitar o número daquele que pode melhorar o futuro de todos nós e das famílias brasileiras, com uma ação eficiente e voltada para resolver os problemas da sociedade, essa a questão.
• Em outubro de 2022 saberemos se tudo fica como está ou se a esperança renasce. Tudo depende de nós eleitores.