Estamos vivendo há cada dois anos em nosso País momentos de disputas político partidárias que movimentam a sociedade em geral para um lado e para o outro. Em outros países ditos de governança democrática, os períodos de militância política também é comum; ouso dizer que até nos países sem liberdade política ou religiosa, os comportamentos do fanatismo também trazem à baila a militância e os militantes. E descobri que militar e guerrear estão muito próximos.
Fui buscar a etimologia dessa palavra e encontrei que o termo militância tem suas raízes etimológicas no latim, derivando de “militantia,” que significa “ação de guerrear,” a partir do verbo “militare” (servir como soldado). Na origem desse termo, o mesmo foi empregado ou referia-se ao serviço militar ou à ação de um combatente. Com o passar do tempo, o termo expandiu-se para significar o engajamento ativo em uma causa, especialmente em contextos políticos e sociais, assumindo um caráter mais amplo de luta e defesa de ideais. Assumindo também aspectos de luta por ideologias, bandeiras partidárias, interesses escusos de grupos hegemônicos sobre grupos menos afortunados.
Infelizmente, a sociedade moderna, contemporânea, na qual os militantes vivem e se movem como num tabuleiro de xadrez, sente-se, percebe-se, constata-se a competição e a ganância por ter dinheiro e poder; por projeção de quem já tem dinheiro mas não tem notoriedade, como há séculos passados, quando a Monarquia imperava dentro do Absolutismo e os habitantes dos burgos europeus queriam conquistar seu ligar ao sol na praia do poder e da honra, visto que dinheiro, a burguesia já tinha.
A ideia de militância como engajamento político ganhou força com os movimentos revolucionários dos séculos XVIII e XIX. Exemplos marcantes incluem a Revolução Francesa e os movimentos de independência das colônias americanas, que deram origem aos Estados Unidos da América. A militância passou a ser associada não apenas ao campo de batalha, mas também às lutas pela mudança social, política e econômica.
No século XX, o conceito se solidificou ainda mais, especialmente com a ascensão dos movimentos operários e socialistas, que mobilizavam seus membros para uma ação coordenada em defesa dos direitos trabalhistas. A militância política tomou formas diversas, como o ativismo pacifista, os movimentos de libertação nacional e a resistência a regimes autoritários, como o apartheid na África do Sul e as ditaduras militares na América Latina. A militância pacífica de Mahatma Gandhi que propôs a desobediência pacífica como método para expulsar os ingleses da dominação sobre a Índia, e em 1948, a Inglaterra reconheceu a Índia como uma Nação independente do jugo inglês.
Nos anos 60 e 70, o mundo viu um florescimento de militâncias associadas a causas sociais como os direitos civis nos EUA, feminismo, luta pelos direitos LGBTQ+ e ambientalismo. Essas formas de militância têm como base a organização de grupos de pressão, campanhas e manifestações públicas, expandindo o conceito de militância para além das revoluções armadas. Um exemplo de militância social e científica e que foi sendo absorvida pelos movimentos políticos foi a descoberta da pílula anticoncepcional na década de 1950.
No Brasil, a militância política tem um longo histórico de resistência a sistemas de opressão. Durante o período colonial e imperial, ela estava ligada à luta contra a escravidão, as revoltas populares, como a Inconfidência Mineira e a Revolta dos Malês e movimentos por independência e autonomia. O Brasil pré- colonial que tinha inúmeros nomes e habitantes, entre os mais numerosos o povo Tupi Guarani, vivenciou sua militância contra o europeu dominador e, mesmo portugueses e espanhóis não tinham noção das dimensões continentais desse Território e, como homens absolutistas e cristãos católicos de seu tempo foram nomeando e renomeando as terras brasileiras: Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Terra dos Papagaios e por último, devido uma árvore que doava uma tintura avermelhada para sua indústria têxtil além mar, batizaram essas novas terras de Brasil.
Se os povos originários tivessem vencido o dominador lusitano e sua militância fosse a dominante, em vez da língua geral ser o português, falaríamos tupi guarani, aliás muitas palavras do português brasileiro tem origem indígena, dado os processos de miscigenação que a militância promoveu de ambos os lados e, avançando as fases de regime político de colônia, para Império, para República Velha e Nova República, seus militantes foram deixando marcas e hierarquias moldando um Brasil não só originário com europeu, mas também asiático, árabe, turco, japonês, fazendo do povo brasileiro uma mistura fascinante de povos e culturas, trazendo luz e trevas para as gerações que herdariam e herdaram os resultados da militância e dos militantes.
A primeira metade do século XX foi marcada pela organização de sindicatos e pelo crescimento de partidos políticos de esquerda, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB), que mobilizaram operários e trabalhadores rurais em prol de melhores condições de trabalho e de reformas políticas. Na Era Vargas (1930-1945), a militância comunista, em particular, foi alvo de repressão, mas continuou atuando clandestinamente.
O golpe militar de 1964 instaurou uma ditadura no Brasil que durou vinte anos até 1985, período em que a militância de oposição foi brutalmente reprimida. Ainda assim, muitos militantes resistiram, seja pela via armada (como a Guerrilha do Araguaia), seja pela atuação em movimentos estudantis, sindicais e pela organização de movimentos sociais como as Comunidades Eclesiais de Base e as greves do ABC paulista.
Com a redemocratização a partir de 1985, a militância assumiu novas formas, agora em um contexto de liberdades democráticas. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o movimento negro ganharam força, assim como a militância ligada a pautas identitárias e ambientais.
E os saldos de ideologias de direita ou de esquerda com viés totalitário culminando com as redes socias sendo manipuladas pelas militâncias e militantes foram inserindo nas bases da sociedade a nível de Brasil e de mundo ocidental comportamentos egoístas e antidemocráticos que estão destruindo a família, a religiosidade livre dos povos, a educação formal do básico ao superior em processos claros de romper com as estruturas ruins ou menos boas para instalar algo pior: a sociedade invertida, o caos social, o desligamento dos laços parentais que há milênios deram direcionamento e ordem social fazendo um grupo de pessoas se sentirem nação, povo, com uma história de respeito e paz ancorados em diversas divindades. Decididamente não pretendo convencer ninguém que meu jeito de viver é o certo, todavia acredito que sem leis morais e respeito mútuo e não apenas ao hegemônico, ou ao que faz mais barulho, ou mais poderoso, mais na moda, a raça humana não sobreviverá a si mesma e seus ataques de militância A ou B.
No Brasil, as eleições municipais, como as que ocorrem em outubro de 2024, são um espaço crucial para a atuação da militância política. Nesse contexto, militância envolve mobilizações de base, o engajamento de militantes em campanhas eleitorais, na conscientização política dos eleitores e na luta por representatividade local. Tudo certinho, todavia, como disse uma vez Getúlio Vargas a um de seus militantes: “como se faz doces sem açúcar”; ou seja, dinheiro do contribuinte é usado para as manobras de campanhas e se o candidato não for milionário, usará, sim fundos partidários; a questão é que a militância e seus militantes em variadas vezes não sabem nada sobre o candidato ou sua plataforma de projetos, caso eleito for, diminuindo esse momento tão crucial para a vida democrática em uma brincadeira velha e sem graça de dança das cadeiras, onde o egoísmo impera, “farinha pouca, meu pirão primeiro”, depois de eleito a gente conversa e por aí vamos assistindo a triste e velha política dos mesmos nomes, de um lado só, o dos poderosos, brincando de brigar, encenando ser contra ou a favor e, quando nomes novos surgem o Sistema tenta corromper ou anular, quando não acontecem acidentes inesperados e que muitas vezes tira definitivamente do jogo das cadeiras pessoas que poderiam fazer a diferença. A história está cheia de mocinhos e bandidos, e a grande tarefa dessa ciência social é encontrar a História verdadeira.
A militância nestas eleições tem um desdobramento profundo, pois a escolha dos prefeitos e vereadores influencia diretamente políticas públicas locais em áreas fundamentais como saúde, educação, transporte e segurança. Como esses governantes têm a responsabilidade de implementar leis e políticas, a atuação de militantes, tanto de partidos quanto de movimentos sociais, pode moldar o futuro das cidades e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos. Esse tipo de militância demanda comprometimento de longo prazo, pois as mudanças sociais, uma vez conquistadas ou defendidas, podem perdurar por décadas ou séculos, pois desafio quem possa ver traços do Império Romano ainda vivo entre nós! Mas só enxerga quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir.
A militância política, tanto no Brasil quanto no mundo, continua a desempenhar um papel essencial nas dinâmicas democráticas. Ao engajar-se nas eleições municipais, os militantes não apenas influenciam o resultado imediato das urnas, mas também afetam o rumo das políticas públicas, a cultura política e a organização social por anos a fio, influenciando questões de justiça social, equidade e desenvolvimento sustentável.
Apenas uma cadeira mágica pode resolver esses campos de medusas: o povo desperto, unido, leitor, escritor e pensador independente, que milite pelo bem comum e pela ordem e progresso de todos e não das suas igrejinhas.
MILITÂNCIA E MILITANTES

Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga
clínica e institucional, especialista em gestão pública.