Witzel, em si, é a personificação concreta do político da safra das eleições de 2018. Essa eleição produziu parlamentares e chefes do executivo com acentuado pendor à moralidade, brucutus discursivos, dizendo-se aptos a combater as patifarias dos velhos políticos, colocando-os na cadeia, com o sacrifício, inclusive, dos direitos humanos. Tem como características principais o apego a violência física e verbal que não transige com a bandidagem, seja qual for sua origem. Witzel, no sol nascente de sua gestão, foi enfático e duramente cruel na sua pretensa política contra a violência carioca. Disse “É mirar na cabecinha e … fogo! ”
Witzel, contudo, deixou claro, desde o início de sua gestão, que sua meta era alcançar a presidência da República. Chegou ao ridículo de inventar uma “faixa governamental” na sua posse, tal qual a faixa presidencial usada na solenidade de posse dos presidentes. Esse intento carreou para si a ira do presidente Bolsonaro. A obra “As 48 leis do Poder” de Robert Greene e Just Elffers, dá algumas dicas interessantes sobre o comportamento adequado diante do jogo do poder. Witzel ignorou todas, sobretudo as leis 1 e 3 que estabelecem, respectivamente, que não se deve “brilhar mais que o mestre” e que se deve sempre, por prudência, “ocultar as intenções”.
Os inimigos ocultos e visíveis de Witzel, sabendo de seus intentos, começaram a mirar sua cabecinha. Para isso usaram todos os snipers da política para encontrar os pontos fracos do ex-governador. O Rio de janeiro, chamado de Cidade Maravilhosa, é também o habitat preferido dos políticos mais enrolados da Nação. Lá não é difícil ser seduzido para a passarela da corrupção. A isca foi colocada na porta do Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador. Witzel é casado com uma advogada, cenário perfeito para os empresários do setor público carioca colocarem a primeira dama no centro das estratégias, já testadas, com êxito, com Sérgio Cabral.
Analisando friamente, Witzel é o protótipo perfeito do fim dos políticos da safra de 2018. Despreparados para o exercício do poder, são presas fáceis diante do emaranhado de armadilhas que é a vida política. Esse perfil – captado no cenário de fracasso dos políticos tradicionais, que travaram entre si uma luta sangrenta, cruel e autofágica que culminou com uma série de prisões e um impeachment de uma presidente – jamais terá vida longa. Os “Witzels” da vida política brasileira morrerão agonizando e de forma cruel. São protótipos gerados para uma vida curta, sem qualquer perspectiva de longevidade, como intrusos da história e que tem contra si, uma arma mirada na cabeça. Como diz Robert Greene: “no mundo atual, entretanto, é perigoso parecer ter muita fome de poder, ser muito premeditado nos seus movimentos para conquistar o poder. Temos de parecer justos e decentes. Por conseguinte, precisamos ser sutis – agradáveis, porém astutos, democráticos, mas não totalmente honestos”.