andar por caminhos indefinidos sem abandonar
trilhas antigas, mas disposta a adentrar por veredas desconhecidas.
Ser mulher é multiplicar a benção do dia em ritos de travessias
da manhã ao meio-dia, do meio-dia à meia-noite sem enlouquecer
sem desvanecer ou esmorecer, inteira contida no todo expandida.
Ser mulher é bailar entre escombros, distribuir sonhos e alentos,
abrir os olhos e olhar outros olhos famintos e angustiados tendo o cuidado
de saciar com gestos de prudência ou ira para romper barreiras de dor.
Ser mulher é ser una e diversa, compor sendo o próprio verso,
resgatar com bravura os filhos e os sons do universo,
trazendo no sorriso a cura e no movimento o encanto.
Ser mulher é ser, às vezes, o adeus que liberta, outras o alô que afaga,
ser a inconstância constante da transformação incessante,
ser a fagulha de vida, não importa se nas favelas ou nas grandes cidades.
Ser mulher é ser múltipla, é ser multidão, multiplicadora de jornadas e vias.
É ser reta traçando círculos em explosões de mil cores, onde há poeiras, ventos,
granizos, temporais de verão ou de pétalas de flores dos caminhos em floração.