A questão é milenar, de difícil equação e compreensão e fica para os leigos uma visão cada vez mais irrealista. Algo assim como fazendeiro deixar herança em terra para filha mulher sem afinidades rurais. Sempre acaba mal, com bobagem, venda ou na mão de estranho agregado. Com exceções, poucas, mas exceções…
Quanto a própria terra, verdades históricas são incontestes. Sua propriedade chegou a ser exclusiva de reis, imperadores e faraós. Mesmo em tempos mais modernos de aristocratas e na sua difícil definição, por milênios abrigou até a escravidão.
Em nosso país, com muitos novos horizontes, por algum tempo foi diferente, mas não tanto. Tivemos também alguns senhores com domínio rural, de sesmarias, senzalas, troncos, vastíssimos latifúndios, propriedades com frente, mas fundo desconhecido indo até onde a vista ou o interesse alcançasse. Esta antiga e já remota organização de ocupação agraria é que por muitos anos vem confundindo a necessidade da remodelação de sua estrutura, com “modernização” de nova ocupação fundiária.
Mesmo assim, por temer sua desestabilização e comprometer o provimento da nação, com cuidado e com o passar do tempo, elas foram sendo otimizadas, diminuindo seus tamanhos, contidas pela abertura de novas fronteiras que davam chance a quem apenas dela precisava. Trabalhando arduamente e aculturando-se, acabaram por tornar-se o motor maior da economia nacional e motivo de grande orgulho de políticos á esquerda e a direita.
Mas, nem todo histórico currículo agrário nacional, acrescido de outros mundo afora, serviu ou serve para ponderar, aconselhar e dar exemplo nos cuidados das coisas do campo. Terra nunca, em lugar algum, foi para quem apenas quis. Terra jamais concordou em ser objeto de desejo, nem político e muito menos necessidade mascarada de social.
Ela, terra, pede disciplina, vocação toda especial, objetiva e com talento próprio para se dar.
Ela, terra, faz e desfaz politica e administrações. Há pouco tempo terminou por retirar de governos a filosofia comunista, prejudicando por tabela a socialista que poderia ser uma boa alternativa.
Ela, terra, hoje no Brasil, torna-se motivo de irresponsável disputa entre uma classe rural produtiva até por obrigação, conta com outras classes, estas sim, se uma oportunista outra política, que se utilizam de tão apelativo desejo para alcançar seus intentos e outras vaidades que entorpecem seus fracassos no cotidiano da vida.
Nossos mais longínquos sertões com imensidão agrícola, explodem em produção com seus primeiros ocupantes e proprietários, que procuraram a conquista com trabalho, ao invés do puro e simples assalto.
Temos sim, terra, procurar reformas para a estrutura de seu uso e ocupação, mas sem jamais deixa-la a mercê de vontades individuais ou até mesmo de grupos, sejam eles pequenos ou grandes. Tudo para você terra, deve ser feito por motivo e interesse nacional como um todo. Nunca por parcela social exigente, que a incompetência de alguns deixou ou deixa de abrigar em funções outras.
Na verdade, se uns a “grilam” para descarado comércio, outros estão manobrando com muita gente boa e inocente em beiras das estradas ainda. Gente que não merece isto, grande maioria sem menor estrutura para campo, dura verdade. Uns poucos vocacionados em seu meio, mereciam até mesmo uma justa, limpa e honesta oportunidade de aquisição e entrega de algum pedaço de chão. Outra verdade!!!
O imediato necessário, é que pare a anarquia de ocupação que cacem os lideres, quando na desordem… Responsabilizando-os legal e duramente como possível. Mas também, que não se deixe de suprir carências, levando junto paz disciplina e ordem, aos ingênuos seguidores.
Na realidade, ninguém está a lutando por terra, mas sim embarcado em uma leviana e irresponsável aventura politica…que vai acabar mal, porque simplesmente o Estado não pode perder, por ser equilíbrio, segurança e organização.
Toda vida, negócio
de bulir em terra alheia deu confusão problemas e defuntos no rescaldo…
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.