Sentimos, também, a necessidade de encontrar “alguém” que nos trate e escute com amor, porém o medo e a desconfiança, muitas vezes, nos atrapalham. Existe sempre o perigo de não sermos compreendidos em nossas questões vitais. Ficamos na incerteza e na indiferença, pensando que a outra pessoa não vai entender o que se passa em nosso íntimo. Além do mais, os segredos nos dão segurança. Eles são parte do nosso ser mais profundo. Sem os nossos segredos podemos sentir-nos despidos perante os outros.
Guardamos nosso corpo vestido porque há nele segredos que preservamos com carinho. Da mesma forma, nós guardamos os sigilos que estão presentes em nosso coração. Expor os nossos segredos e não sermos compreendidos, ou pior ainda, sermos ridicularizados por causa deles, é totalmente prejudicial à saúde. O medo de sermos conhecidos faz com que criemos, ao nosso redor, muitos jeitos artificiais de se viver. Procuramos encontrar maneiras de esconder nossa verdadeira interioridade.
Temos sempre uma escolha. Fugir em pânico ante o desmoronamento de nossas estruturas; acovardando-nos ficando paralisados, inertes ou apáticos, ou lançar mão de toda coragem necessária para preservar nossos sentimentos e consciência ante a qualquer mudança radical. A coragem de que falamos, não é o oposto do medo, mas sim a capacidade de prosseguir para frente apesar do medo.
O fechamento é uma atitude muito presente em nosso meio. A tendência do ser humano é colocar uma máscara para não revelar sua verdadeira identidade. Normalmente as pessoas não falam daquilo que realmente são, mas só daquilo que fazem ou dos seus trabalhos externos. Nossos assuntos, muitas vezes, ficam na superficialidade. Falamos mais das coisas de “fora” e muito pouco das coisas de “dentro”, isto é, das aspirações do coração.
Uma atitude comum em nossos dias, segundo Rollo May é: Deslocar o centro da questão para o corpo, transformando-o num caso de coragem física. Pois, em nossa sociedade atual, é mais fácil desnudar o corpo do que a alma, a mente ou o espirito; compartilhar o corpo do que fantasias, desejos, aspirações e temores.
A pessoa realizada é aquela que procura estabelecer encontros significativos e profundos com outras pessoas, com o mundo à sua volta, consigo mesma e com o criador. Ela não só se escuta, mas escuta o que se passa ao seu redor. Toda pessoa sente o desejo do encontro, mas, ao mesmo tempo, sente a distância e a dificuldade de se aproximar.
Não há dúvidas que o encontro consigo mesmo e com o outro, é o encontro com o amor, sendo ele uma força vital da vida, como um sentimento espontâneo e puro que surge sem que percebamos, pois ele não é controlado, apenas surge. Precisamos nos colocar em primeiro lugar e promover este encontro conosco e com o outro. Pois, amar e amar-se é fundamental para estabelecer uma relação saudável consigo e com os demais.
É fácil amar e compreender uma pessoa querida e estimada, mas se torna muito mais difícil amar e compreender quem nós não conhecemos. O amor supõe o afeto humano. Como vou amar alguém que não compartilha com os meus sofrimentos? Como amar alguém que me ofendeu? Como ter afeto por alguém que não me inspira confiança? Como posso afagar alguém a quem não se estima? Amar significa dar carinho, compreensão, afeto e etc. É estabelecer, de forma íntima e saudável, amizade entre duas pessoas. O amor é bom para quem dá, quanto para quem o recebe. O amor transmite amor, proteção e solidariedade. Amar é simplesmente acolher, como também é a TERAPIA DO AMOR.
A acolhida é um gesto singelo, porém, forte e revigorador. Ela fortalece a alma enfraquecida e cansada, pois acolher é confiança, e também é um gesto de amor. É um encontro de si mesmo com a outra pessoa acolhida. Acolher com alegria e dar um abraço de coração traz nova vida para o corpo cansado e exausto. Ela refaz o ânimo e a esperança, tornando a pessoa mais jovial e mais vibrante. Na família, nas comunidades, nas escolas e mesmo nos ambientes de trabalho; acolher todos os dias a alguém que se quer bem, reforçará os relacionamentos espirituais e reduzirá de uma maneira significativa os conflitos existentes.
COEXISTÊNCIA DA ALMA
O amor nos toma como fogo e arde
No peito a essência de sua pureza
Onde me encontro desnudo
Subitamente atônito ao encanto
Deste real sentimento.
O sussurro corta as entranhas do
silêncio
E permanece inerte ao tempo que
se perpetua.
Onde os desejos coexistem
Silenciados pelo som de toda
Verdade existente no AMOR.
Jorge A. M. Maia
COMO AS ROSAS SABEM AMAR
Vou traçar o meu canto
Que busco em meu caminhar
Esperando que você perceba
Como as rosas sabem amar.
Quem me dera pintar o silêncio
Quem me dera o amor revelar.
Os vestígios que cobrem a noite
E o eclipse que veste o luar.
E teus olhos espelho de mim
Vagam na luz a me procurar
E meus beijos, escravos de ti
Passam o tempo a te encontrar.
Quem me dera ouvir teu silêncio
Quem me dera o amor revelar
Os desejos que cobrem a noite
E os sonhos que vestem o luar.
Jorge A. M. Maia
RECANTO
Leve-me novamente à vida
Pois tua luz em mim persiste
Não me interessa as agonias
Pois o amor, só em nós existe.
Jorge A. M. Maia