No início do julgamento pelo STF dos réus acusados de tentativa de golpe de Estado e de atos atentatórios à democracia de 8 de janeiro, o ponto que mais chamou a atenção foi a defesa dos réus. Os advogados encarregados do patrocínio das defesas foram alvo de severas críticas de juristas, dos próprios ministros do STF e da imprensa especializada, por suas atuações bizarras. Nas redes sociais serviram de chacotas e foram alvos de pesados memes A expectativa que se tinha era que as defesas se apoiassem em fundamentos técnicos-processuais para apontar nulidades, atacar as tipificações e impugnar as provas, máxime quando havia opiniões de juristas de escol sobre supostos erros processuais grosseiros no processo.
No entanto, quando os advogados usaram o púlpito do STF para fazer as sustentações orais a decepção foi geral. De leigos zerados à juristas renomados houve cornetagem impiedosa à atuações dos nobres advogados. De citações inadequadas ou equivocadas à ausência pura de argumentos defensivos se resumiram suas correspectivas participações. Caso algum ministro levantasse uma questão de ordem para declarar os réus indefesos não seria de causar espanto. De há muito, sobretudo depois do vexame da operação lava jato, que os ministros do STF vêm questionando a metodologia da seleção de juízes e promotores para tão nobres cargos e, agora, com o vexame do STF, iniciou-se o debate sobre o exercício escorreito da advocacia.
Ruy Barbosa dizia que “o advogado pouco vale nos tempos calmos; o seu grande papel é quando precisar arrostar o poder dos déspotas, apresentando perante os tribunais o caráter supremo dos povos livres”. O julgamento dos fatos ocorridos em 8 de janeiro, seria o palco ideal para os advogados arrostarem o poder dos déspotas que seus clientes dizem existir. Revelar-se-ia o momento oportuno para apresentar, diante do STF, o caráter supremo do povo livre. A tribuna serviu, no entanto, para negar, de forma transversa, a indispensabilidade do advogado à administração da justiça com a indevida junção da ideologia política piegas com a defesa impregnada de atecnicismo. Foi um dia perdido com o vexame das defesas em que, como diria o próprio Ruy Barbosa, com sua navalha retórica e seriedade, triunfou as nulidades. Que pena!