A cisão dentro de grupos de mesma ideologia torna imprevisível o futuro do Parlamento Europeu.
Acredito piamente na união de ideologias para tomar de assalto o Parlamento Europeu, os problemas ocorrerão, inevitavelmente, na partilha dos ‘despojos’. De acordo com o Michaelis On-Line despojos de guerra são as ‘recompensas por uma batalha vencida ou sobras de guerra ou bens de conquista adquiridos após o guerreiro ter vencidos a guerra e tomado de seu adversário, que na maioria das vezes está morto ou feito prisioneiro’. Pois é, como será partilhado o poder no Parlamento Europeu?
A Reuters publicou, em 29 de março de 2024, a matéria “A divergência entre Meloni e Le Pen prejudica as perspectivas da extrema direita de exercer o poder da UE” assinada por Michel Rose, Elizabeth Pineau e Angelo Amante que nos dá a noção do que está ocorrendo na ‘combalida União Europeia’ que reproduzo partes.
“Quando um ministro francês comparou a primeira-ministra nacionalista da Itália, Giorgia Meloni, no ano passado, ao líder da extrema direita francesa, o primeiro-ministro italiano telefonou ao presidente francês, Emmanuel Macron, para reclamar. Meloni ficou tão indignada que o líder francês se sentiu obrigado a enviar um emissário a Roma para apaziguá-la, disseram duas fontes com conhecimento das conversas. A mensagem da primeira-ministra italiana a Macron foi clara, segundo uma das fontes: ela não era uma versão italiana de Marine Le Pen.
Tanto o gabinete de Macron como o de Meloni recusaram-se a comentar o incidente, que não foi relatado anteriormente. A raiva de Meloni ilustra a profundidade das divisões dentro da direita nacionalista da Europa que podem frustrar os seus esforços para exercer o poder a nível da UE, apesar do apoio recorde antes das eleições para o Parlamento Europeu em Junho, de acordo com meia dúzia de fontes com conhecimento da estratégia dos seus partidos.
As sondagens preveem que os partidos nacionalistas e eurocépticos da Europa conquistarão um número recorde de votos em Junho. Espera-se que os eleitores punam os partidos tradicionais por não conseguirem proteger as famílias da inflação elevada, reduzir a imigração e proporcionar habitação e cuidados de saúde dignos. Um modelo construído pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR), um think tank político, usando pesquisas de países da UE, previu em janeiro que uma coalizão populista de direita composta por democratas-cristãos, conservadores e direita radical poderia, em teoria, emergir com uma decisão maioria no Parlamento Europeu pela primeira vez.
Mas a perspectiva de um bloco único e musculado que englobe a extrema-direita emergente é pequena, face às diferenças gritantes entre as suas principais figuras, Meloni e Le Pen, disseram as fontes à Reuters. Meloni lidera de facto o grupo de extrema-direita dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR) no parlamento, enquanto Le Pen é uma força motriz no mais abertamente anti-UE Identidade e Democracia (ID).
Uma fusão entre os seus dois grupos no Parlamento Europeu é altamente improvável porque a estratégia de Meloni, agora que está no poder, é maximizar a influência italiana na Europa, colaborando com as instituições da UE, e não combatendo-as, disseram as fontes. Le Pen, pelo contrário, pretende demonstrar que a ‘Europa de Macron’, como ela lhe chama, está a falhar com as pessoas comuns – mesmo que diga que já não defende a saída da França da UE.
‘O que Meloni realmente quer é formar uma coalizão de direita no Parlamento Europeu para ocupar uma posição central’, disse Nicolas Bay, um membro francês do Parlamento Europeu, à Reuters. O seu partido, o Reconquete, um rival francês de extrema-direita de Le Pen, firmou uma aliança com Meloni no mês passado. A falta de uma plataforma política única e coerente enfraquecerá a influência da extrema direita em questões que vão desde as relações comerciais com a China até à resposta da Europa à guerra na Ucrânia, à política climática e à imigração, dizem os analistas.
A influência dentro do Parlamento Europeu é vital para a composição da Comissão Europeia – o órgão executivo do bloco que também tem a responsabilidade de iniciar a legislação da UE. A legislatura tornou-se mais fragmentada e incerta à medida que os principais partidos perderam terreno nas eleições da UE na última década. Em toda a Europa, a extrema direita está a ganhar impulso. Em França, Le Pen está 12 pontos à frente de Macron, enquanto a Alternativa para a Alemanha (AfD) da Alemanha está em segundo lugar a nível nacional. O Partido da Liberdade Holandês venceu as eleições de Novembro por uma margem surpreendente, e o Chega de Portugal quadruplicou este mês o seu número de assentos parlamentares.
O Chega, o Partido da Liberdade e a AfD pertencem ao ID, que é dominado pelo partido Rassemblement National (RN) de Le Pen. As pesquisas mostram que o bloco é o terceiro em intenções de voto, atrás do Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, e da Aliança dos Socialistas e Democratas, de centro-esquerda. Logo atrás do ID está o ECR, liderado por Meloni, que abriga o antigo partido governante da Polônia, PiS.
As sondagens sugerem que uma aliança entre os dois deixaria a extrema-direita da Europa na disputa para se tornar a principal força política no próximo Parlamento Europeu, à frente do conservador PPE, que o dominou nas últimas décadas. Isso desencadearia um terremoto político. A liderança do poderoso executivo da UE, a Comissão Europeia, deveria ser entregue ao maior grupo do parlamento.
Mas fontes políticas de ambos os lados dos Alpes dizem que a decisão de Meloni de manter Le Pen à distância irá impedir isso. ‘Houve posições que não trouxeram convergência entre Le Pen e os conservadores europeus’, disse à Reuters Giovanni Donzelli, executivo sênior da Brothers of Italy e próximo de Meloni, confiante, citando política externa e questões familiares.”
Está sendo uma verdadeira ‘guerra de foices’ a busca da liderança do Parlamento Europeu e pelo ‘andar da carruagem’ está prestes a baixar de nível e se tornar uma ‘briga de facas no escuro’. E nós como ficamos? O Brasil que nunca teve a chance de se tornar uma ‘neo colônia’, porquanto jamais deixou de ser uma colônia como ficará? Alguém duvida que nunca deixamos de ser colônia? Creio que vale a pena definir qual a função de uma colônia. De acordo com o site Rota do Enxaimel ‘a função das colônias era suprir as necessidades da Metrópole. A exploração das áreas colônias apresentava algumas características tais como: Monopólio comercial, Complementaridade. Digamos que o que acontece hoje com o Brasil é mera coincidência.
Quem não é cego, surdo ou tem alguma sensibilidade já percebeu que algumas autoridades do nosso país insistem em obedecer a legislação europeia, principalmente na área ambiental. A legislação a ser votada proximamente no Parlamento Europeu tem causado muito suor e tremedeira em alguns grupos empresarias que resolveram acreditar no ‘blefe’ da Europa como se ela fosse autossuficiente na produção de alimentos.
“Colônias não deixam de ser colônias só porque ficaram independentes.” — Benjamin Disraeli 1804–1881.