Há uma simbiose entre a fauna e a flora porque os animais necessitam de energia para suas atividades e alimentam-se das plantas, que se alimentam da fonte inesgotável de energia que é a radiação solar. Para captar luz é preciso ficar parado e apresentar grande superfície de captação, com suas folhas banhadas pelo sol.
Pela sua natureza dinâmica, os animais não podem fazer isso, servindo-se então das plantas das quais aproveitam as substâncias orgânicas por elas produzidas. Até aqueles animais carnívoros têm como base alimentar animais herbívoros ou próprios animais carnívoros (predadores de herbívoros), acabando a cadeia no vegetal que domina a tecnologia da fotossíntese.
Esta, a fotossíntese, é o processo pelo qual as plantas verdes e alguns outros organismos transformam a energia luminosa em energia química. Nas plantas verdes, a fotossíntese aproveita a energia solar para converter dióxido de carbono, água e minerais em compostos orgânicos e oxigênio gasoso. Além das plantas verdes, incluem-se entre os organismos fotossintéticos certos protistas (como as diatomáceas e as euglenoidinas), as cianófitas (algas verde-azuladas) e diversas bactérias. A fórmula é CO2 (dióxido de carbono) + H2O (água) + energia solar = CH2O (glicoses–açucares, amidos, celuloses) + O2 (oxigênio). Na fotossíntese clorofílica, a água (H2O) e o dióxido de carbono (CO2) procedente da atmosfera trazem os elementos necessários para que a planta sintetize glicose (CH2O), por ação da luz solar e para que libere na atmosfera oxigênio molecular (O2).
Portanto, a principal a fonte de energia da terra é o Sol, com provável duração de mais uns cinco bilhões de anos.
Não seria possível a vida na terra se existissem apenas animais porque estes necessitam de energia para todas as suas atividades. Porém a captação de energia é realizada pelas plantas através da tecnologia da fotossíntese. Os animais, servindo-se das plantas, aproveitam as substâncias por elas produzidas.
Por outra análise, não seria possível a vida na terra se existissem apenas plantas porque o alimento principal delas é o gás carbônico, um gás raro na atmosfera. O animal em um processo inverso da fotossíntese, ao respirar consome o oxigênio liberado pelas plantas pela fotossíntese e devolve o gás carbônico, essencial para a sobrevivência destas.
A composição da atmosfera da terra criou um ambiente propício para as formas de vida que conhecemos. O ar que constitui a atmosfera compõe-se principalmente de Oxigênio e Nitrogênio. O Nitrogênio representa 79% do volume atmosférico total, atuando como suporte dos demais componentes da atmosfera, tendo grande importância para os seres vivos, pois ao serem fixados ao solo, pela ação de diversas bactérias e outros microrganismos, é absorvido pelas plantas, na forma de proteínas vegetais.
O oxigênio, que ocupa cerca de 20% do volume da atmosfera, é responsável pelos processos respiratórios dos seres vivos. Outros componentes da atmosfera são: argônio, o dióxido de carbono (indispensável à fotossíntese) e em quantidades menores, hidrogênio e neônio, xenônio, hélio, criptônio e radônio.
O gás carbônico é a substância mineral que se constitui na principal fonte de alimento para as plantas, produzida pelos os animais.
Esse processo de produção se dá pela respiração, cuja fórmula consiste em CH2O (glicose-açúcares, amidos e celulose) + O2(oxigênio) – energia = CO2 (gás carbônico) + H2O (água).
Assim, há uma relação entre fotossíntese e respiração. Na fotossíntese, as partes verdes das plantas absorvem o dióxido de carbono atmosférico e o fazem reagir com a água. Para isso servem-se da luz solar e da clorofila, liberando oxigênio. Esse gás, que passa ao ar, é utilizado na respiração de bactérias e animais, em que se registra o processo inverso – captação de oxigênio e desprendimento de dióxido de carbono-com que o círculo se fecha. A energia que toca este carrossel é a radiação do sol.
Mas os animais e vegetais não realizam os dois processos. Porém animais e vegetais fazem parte da mesma unidade funcional porque a planta capta gás carbônico e entrega oxigênio e o animal consume este oxigênio e devolve gás carbônico, fechando o círculo. Desta forma animal e plantas acabam fazendo parte da mesma unidade funcional, pela dependência de um em relação ao outro.
A microvida (bactérias, fungos, protozoários etc.) existente na terra também são vitais para o processo vez que desempenham a digestão e decomposição e a reciclagem dos nutrientes minerais. Sem a microvida, plantas e animais quando mortos ficariam como múmias a obstruir o espaço dos vivos, sobre o solo esgotado e a fome mataria os sobreviventes. As plantas não teriam acesso ao nitrogênio do ar, indispensável para a síntese das proteínas, bem como ao fósforo e demais nutrientes minerais, especialmente os micronutrientes, indispensáveis à saúde das plantas.
Mas há quantos anos existe vida na terra e por que só aqui existe vida? Pelos cálculos feitos pelo homem, dentro da sua limitação, a vida existe há pelo menos 3,5 bilhões de anos, desde seus primeiros suspiros nos oceanos primordiais. A vida só existe na terra porque entre os planetas de nosso sistema solar, reúne condições muito especiais: tamanho e rotação certa, distância certa de uma estrela de tamanho certo, âmbito certo de temperaturas propícias aos processos bioquímicos.
Além disso, não existiria vida sem os três estados físicos (sólido, líquido e gasoso) porque não haveria a reciclagem, como aquelas dos ciclos interligados do carbono e oxigênio, os grandes e pequenos ciclos biogeoquímicos, fundamentais para a vida.
O liame entre a vida e a terra é indiscutível. Ocorreria uma “catástrofe” na atmosfera da terra se a vida desaparecesse. Sem o reabastecimento da fotossíntese, o oxigênio não duraria, sendo consumido na oxidação da rocha e do nitrogênio. Este acabaria nos oceanos, em forma de nitrato. Os mares não teriam o ph próximo de neutro, seria um caldo erosivo e altamente ácido. Os processos eruptivos elevariam a concentração do gás carbônico, esquentando em demasia a terra, com os oceanos evaporados. O vapor de água na alta atmosfera seria dissociado pela ação direta dos raios ultravioletas.
O hidrogênio se perderia no espaço interplanetário, o oxigênio liberado oxidaria os restos de nitrogênio. O ácido nítrico exporia mais rocha crua e o oxigênio todo se fixaria em forma de óxidos. Uma atmosfera como a que temos não pode existir em um planeta morto.
Portanto, só existe vida na Terra porque esta reúne condições adequadas e porque as formas de vida mantêm essas condições, em um círculo interessante.
Acredita-se que a composição atmosférica da terra há 3,5 e 4 bilhões de anos era constituída principalmente de gás carbônico, metano e amoníaco, com restos de hidrogênio.
E por volta de 2,5 bilhões de anos atrás surgiu a fotossíntese, criando a primeira grande crise de poluição porque o oxigênio liberado para a quase totalidade dos seres então existentes todos anaeróbicos era veneno mortal.
A vida conseguiu superar aquela crise e as formas de vida anaeróbicas sobreviveram, como hoje, nos lodos dos banhados, no fundo da lama dos oceanos e nos intestinos dos animais superiores. A poluição virou vantagem e a atmosfera inverteu tornando oxidante o que era reduzinte, possibilitando a vida animal, que levou até o cérebro humano e dos delfins.
Nessa atmosfera primitiva havia enormes quantidades de gás carbônico, tóxico para a vida animal. O processo de retirada desse imenso estoque se deu com o surgimento nos oceanos de organismos como cocolitos e outros microorganismos, corais, molúsculos e outros animais maiores que fazem carapaças ou estruturas de carbonato de cálcio e magnésio, acumulando imensas jazidas, retirando assim da atmosfera gigantescas quantidades de gás carbônico.
Havia um efeito estufa provocado pela atmosfera primitiva. A diminuição da concentração do gás carbônico ocorreu com o surgimento das primeiras grandes florestas, de plantas no nível evolutivo de musgos e samambaias, de licopódios, cicadáceas, palmeiras e muitas formas hoje extintas, isto no período carbonífero (há trezentos milhões de anos), sendo depositadas gigantescas jazidas de carvão mineral e lignito. As jazidas de petróleo, carvão e gás natural foram feitos em tese por bactérias ao longo de todo o processo evolutivo e parte pode ser remanescente do caldo primordial.
Assim, em uma análise holística, surge o novo conceito de ecosfera, que é a síntese e interação de todos os ecossistemas, não sendo um simples sistema homeostático, automático, químico-mecânico, dando credibilidade aos fundamentos da Teoria de Gaia.
Mas a luz vermelha de alerta está acesa por causa do aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera decorrente da interferência significativa da sociedade industrial. Antes a concentração estava próxima de 0,025% e foi aumentada em 30% em menos de 200 anos.
Exsurge desse contexto a importância das florestas tropicais para o clima da terra, que são gigantescos aparelhos de ar condicionado para o clima global. As florestas tropicais úmidas tem uma fantástica evapotranspiração. Da água da chuva sobre elas em menos de dois dias até 75% são devolvidos à atmosfera, formando novas nuvens que voltam a produzir chuva posteriormente. Sua influência climática se exerce sobre ambos os hemisférios.
É preciso manter a concentração de oxigênio, que não pode ser inferior ou superior a nível atual. Concentrações mais baixas tornariam difícil a vida animal e uma vez que tudo está interligado, todas as formas de vida sofreriam.
De igual modo, concentrações de oxigênio muito altas seriam perigosas e facilmente levariam a um holocausto, pois em concentração de 25% até folhas verdes molhadas queimariam como papel. Poderia provocar um incêndio até da própria atmosfera.
Entretanto, a relação entre ciência, tecnologia e meio ambiente tem sido catastrófica porque o “homo sapiens” está prostituindo a ciência para a destruição da vida, com delírios armamentista, fazendo guerras e com padrões de consumo estratosféricos esgotando os recursos naturais não-renováveis, o que é um comportamento mortal para Gaia.
Os bilhões empregados em artefatos bélicos, armas químicas e atômicas fazem falta para suprir a dieta alimentar de muitos e investir em educação. O investimento no homem o torna mais produtivo e incorpora ganhos, com a consequente otimização dos recursos naturais, aumento da produtividade das empresas e da economia como um todo. Prova disso é que 70% dos analfabetos são pobres.
A educação, ao inserir no indivíduo o conhecimento permite a ele compreender essa simbiose e interdependência que faz de Gaia um ser vivo. O saber é um importante passo para entender e respeitar a natureza.
Por fim, é preciso conscientizar o Tiozinho Sam que vai se hospedar na Casa Branca que esses bilhões do orçamento da defesa americana usados para soltar bombas na cabeça de civis inocentes seriam muito bem empregados na preservação da Amazônia, onde impera a miséria e milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza tentando tirar da natureza o mínimo existencial que a eles não foi garantido.
Tiozinho Sam, os vilões do enredo são vocês (e a China) com suas chaminés implacáveis, desequilibrando a equação, ora abordada, formada ao longo de bilhões de anos pela sábia mãe natureza!
Tiozinho Sam, recursos para a Amazônia não são óbulos não! É a sobrevivência de todos nós que está em jogo.
Ah! Não adianta ameaças, Tiozinho Sam! Aqui no Amapá temos 800 mil Cabralzinhos: qualquer dúvida manda um wattsApp pro Capitão Lunier lá nos infernos!
Do you understand?
Adilson Garcia
Professor, doutor em Direito pela PUC–SP, advogado e promotor de justiça aposentado.