Mas sabe o porquê da minha tara e dependência por pastel? Vou contar.
Bem, sou bem viajado, ando mais do que notícia ruim! Rss.
E classifico as cidades de acordo com a qualidade do pastel. Nesse meu ranking, em primeiro lugar está Maringá, cujo pastel de feira dos japoneses é imbatível. Não tem prá ninguém.
Depois vem em 2º lugar São Paulo com o seu glorioso pastel de bacalhau do Mercado Municipal. Ninguém que se preze pode ir a São Paulo – e dizer que foi a São Paulo – sem ir ao Mercado Municipal saborear o pastel de bacalhau. E se sobrar espaço no bucho, se empanturre com o sanduíche montanha de mortadela, mas tem que ser mortadela da Ceratti, senão é enganação!
Em terceiro lugar vem Goiânia. O goiano, depois da pamonha e do arroz com pequi, também é fissurado em pastel. E mesmo que venham nadando na gordura, eles adoram! Kkkk.
E não podemos menosprezar o pastel da feirinha de artesanato do Largo da Ordem de Curitiba (feirinha, hein? Dá uns 4 km de feira) nas manhãs de domingo. Mesmo com o frio da Capítal das Araucárias (e a conhecida frieza dos curitibanos rss) comer um pastel fumegando no inverno é uma delícia!
Ah! Sim. Vou contar as origens da minha paixão por pastel.
Quando fui para o Mato Grosso no final da década de 70 para desbravar o cerrado junto com meu pai, viajava muito na rodovia Cuiabá-Porto Velho e os ônibus pinga-pinga “pingavam” no pequeno povoado de Jangada para um lanche.
Lá não tinha rodoviária. Por isso o ônibus parava no acostamento e o lanche era churrasquinho de gato e pastel a rodo com garapa, servido pelos ambulantes e moradores jangadenses.
Cada casa era uma pastelaria e a cidade era um fumacê total por causa da profusão de churrasqueiras na beira da rodovia.
E eu não comia churrasquinhos porque comentavam naquela época que o Censo do IBGE de gatos e cachorros em Jangada deu quase zero. Lá a carrocinha foi aposentada, porque não tinha cachorro nem gato de rua mais. Kkk.
Bem, o jeito era comer pastel. Afinal engolir carne ralada de gato ou cachorro era mais fácil. Uma vez fui comer um churrasquinho e encontrei um pelo de cachorro. O pedaço que eu mastigava tufou na boca e o jeito foi chamar o Raul: Rauuuuuuul, Rauuuuuuuuuuuuuuuul! Kkkk.
Quando me mudei para a Gleba Massapé lá perto de Diamantino-MT para dar start na minha saudosa e maravilhosa carreira de bancário do BASA, havia um japonês que era famoso pelo pastel. Relutei muito até encarar o pastel do Watanabe, porque para mim naquela época japonês e chinês eram a mesma coisa.
E eles tinham a péssima fama de não prezarem muito pelo critério higiene e de comerem qualquer coisa que se mexesse na face da terra. Japonês nem tanto, mas chinês não dispensa nada… gafanhoto, escorpião, larvas etc!
Vai um espetinho de barata crocante aí? Kkkk.
Quando dei a primeiro mordida no pastel do japonês de Massapé não tinha quase nada de carne dentro! Protestei! Era um clássico pastel de vento!
O japonês me olhou com cara de desprezo e deu um muxoxo. Em seguida, mais grosso que papel de embrulhar prego, tipo assim o Índio do Empório do Índio de Macapá e o Abdon lá da Praça Cívica de Santana-AP, me respondeu:
-Aqui é uma pastelaria. Quer comer carne, vai pra churrascaria! Rsrsrs.
Pouco tempo depois começaram a sumir os felinos e caninos de Massapé. Nunca ninguém provou nada, mas o suspeito número um era o japa.
E nós nunca deixamos de comer o pastel dele, mesmo porque era praticamente só vento mesmo! Uns gaiatos apertavam o pastel oco pra sair o ar quente e imitavam miado de gato. Miauuuu! Miauuuu! Kkk.
E quando perguntávamos se a carne era de boi, o japonês não confirmava, apenas sorria:
-Pastel galantido, non?
Outrossim, proteína é proteína, pouco importa se é de ave, bovino, caprino ou suíno. É puro preconceito nosso ficar fazendo cara de nojinho porque comeu um pernil de cachorro ou um “estragabofe” de gato. Rss.
Afinal, a galera do Pará não adora comer “turú”?
Meus amigos, “turú” é um molusco com aspecto de verme, semelhante a uma minhoca ou uma lombriga branca, que é retirado dos troncos podres das árvores dos manguezais. Além de nutritivo, tem a fama de ser poderoso afrodisíaco! É uma minhoca mole que endurece a outra minhoca! Rss.
E ninguém acha anormal, não é mesmo?
Éééééca! Prefiro o churrasquinho de gato de Jangada ou o suspeito pastel de vento do Watanabe!