Algumas organizações internacionais como a FAO, OCDE e outras, preveem explosão populacional até 2050. Informação já repercutida por uma série de articulistas, inclusive, por mim.
Tal explosão gerará, pelo menos, 10 bilhões de bocas famintas e a produção de alimentos em áreas de clima temperado é pífia. Os grandes produtores tradicionais não dispõem de áreas agricultáveis para a expansão de produção. O Brasil já sinalizou o início da solução com o desenvolvimento do agro tropical.
Não podemos ser míopes e não perceber que a fome é o problema principal, todavia, não é o único. Como garantir a sobrevivência da espécie humana e da civilização ocidental? Como e onde alocar mais 3 ou 4 bilhões de pessoas?
A história nos mostra que com a evolução humana as cidades tem crescido com problemas de toda ordem. Um nítido aumento na desigualdade social, a pobreza aumentou, não apenas pelos motivos que as ideologias mais populares alegam, fica aqui apenas uma dica: as fatias aumentaram e o bolo não cresceu o suficiente.
Algumas cidades cresceram tanto que já se transformaram em metrópoles, conurbando municípios vizinhos, e em 2050 se converterão em megalópoles. Como alocar os novos habitantes? Como conseguir moradias condignas para tantas pessoas, sob pena de criação de enormes favelas? Já estamos em 2021 e este problema até hoje, não foi resolvido.
Como fornecer energia elétrica a toda essa futura população? Como construir novas hidrelétricas, se os ambientalistas combatem cada vez mais tais obras? Energia nuclear? Nem pensar, tal o mito e o medo que se criou a respeito dela. A energia solar e a energia eólica? Tal produção ainda é pequena, entretanto com o crescimento cada vez mais serão precisas novas áreas e é aí que os ambientalistas começarão a atacar, é uma questão de tempo.
Abordemos agora os transportes; coletivos, de massa e veículos individuais para o deslocamento de toda essa nova população, sem esquecer a migração de muitos em busca de áreas melhores para viver em outros países. As cidades estão preparadas para a expansão territorial destinada a criação de novas vias e novas linha de transporte de massa?
Quanto ao saneamento básico? No Brasil já está determinado, ainda, nas letras frias da lei. Haverá realmente vontade política e recursos para implementa-la ou essa é mais uma das famosas leis natimortas? O problema é somente nosso ou é mundial?
Todos esses problemas e outros mais poderão ser resolvidos se houver vontade política férrea e recursos suficientes. Lembrando sempre que faltam apenas 29 anos para chegarmos a 2050 e o mundo todo terá que se preparar. Por enquanto ouço apenas as vozes isoladas de organismos internacionais e nenhuma ação efetiva. O que podemos testemunhar são os olhos da União Europeia aliada à ONU voltados, apenas, para o Brasil com ações dirigidas contra o agro tropical brasileiro. O discurso ambiental é muito bonito, todavia, de nada adiantará salvar o planeta se não conseguirmos salvar a nossa própria espécie.
Como os ambientalistas enfrentarão o futuro que descrevi? Será que pretendem transformar os desertos de Saara e Atacama, juntamente com as tundras nórdicas, em regiões férteis e habitáveis? Bom, deixemos o resto do mundo em paz, não somos os xerifes do planeta. O que nos interessa, aqui e agora, é o Brasil.
Para todos nós este ano é o “grid de largada” para enfrentarmos e auxiliarmos a mitigação da fome e demais problemas oriundos de uma população com o crescimento cada vez mais acelerado. É bom sempre destacar que a população continuará a crescer depois de 2050. Não importam as ações da União Europeia tentando o controle populacional através da fome. O que importa é que temos que cuidar e proteger a nossa nação.
Quaisquer linhas de ações que o mundo decida seguir, em busca de soluções para salvar as nações de seu próprio crescimento, a produção de alimentos sempre as precederá e permeará. O povo do agro brasileiro já tem consciência que precisará triplicar a produção em menos de 29 anos e os poderes constituídos tem a obrigação de também adquirir essa consciência. Não estamos trabalhando a favor do Brasil e da nossa espécie para os próximos 2 anos e sim pelas próximas décadas, ganhando o tempo necessário para que os cientistas e especialistas encontrem a solução para a sobrevivência da humanidade nos próximos séculos.
Os demais setores da economia precisam reagir e receber incentivos, o agro não consegue trabalhar sozinho, os empregos precisam ser gerados urgentemente. O Governo deve ser um facilitador uma vez que não gera riquezas ou empregos, somente arrecada impostos e dita as políticas públicas. Quem gera riquezas, empregos e impostos são as atividades privadas, além de fazer chegar ao nosso país e aos outros todos os alimentos produzidos pelo agro.
O Ministério da Infraestrutura tem feito um brilhante trabalho para facilitar o escoamento dos alimentos, agora, precisa também voltar os olhos para as cidades e conclamar os governadores para que reforcem as infraestruturas urbanas. O Ministério do Meio Ambiente já começou a chamar a atenção para os problemas ambientais urbanos. O Ministério da Agricultura e o IBAMA tem feito um brilhante trabalho para apoiar o agro e precisam reforçar ainda mais as ações. O Ministério da Saúde precisa implementar mais o trabalho para que todas as conquistas conseguidas na pandemia, ao custo de muitas vidas, não se percam e cresçam, além de atender a nova leva de infectados frutos das festividades de comemoração de final de ano e a necessidade urgente de vacinação. Quanto à segurança e educação terão que ser tomadas medidas seríssimas para solucionar dois grandes problemas até hoje não resolvidos.
Finalmente, o Ministério da Economia e a Receita Federal precisam, rapidamente, abrir os olhos. Não adiantará nada criar novos tributos ou aumentar os já existentes. Se não houver o crescimento e os investimentos das suas vítimas a arrecadação cairá e os maiores instrumentos para salvar o futuro irão para o “ralo”.
Já estamos em 2021, o primeiro ano da luta para poder evitar a grande fome de 2050 e o fim da civilização como conhecemos. O futuro começa a ser construído agora. A nós cabe, enquanto brasileiros, uma declaração formal de guerra ao futuro previsto pelos “estáticos e contemplativos” organismos internacionais. O Brasil precisa sair na frente, mais uma vez, levantar a bandeira, discutir e atuar em razão do novo paradigma que o mundo inteiro ainda não percebeu ou finge não perceber.
Gil Reis
Consultor em Agronegócio