Realmente, o agora doutor Pedro Ramos encarna o saber e a experiência amazônica existentes em todos nós que, como ensina o poetinha Osmar Júnior, estamos “aqui do outro lado do Brasil”. Homenagear Pedro Ramos é reconhecer o saber dos ribeirinhos e dos homens da mata desassistidos que com seus conhecimentos vão enfrentando os desafios desse magnifico planeta verde que é a Amazônia. Isso porque somos, ao mesmo tempo, motivo de preocupação e de desprezo dos nossos governantes e de outros países que teimam em internacionalizar esse rincão brasileiro. Aqui, todo dia é dia de índios, dia de amazônidas, de cabuçus valentes, que desafiam diariamente os golias da cobiça mundial. Viver aqui é sobreviver triunfante na luta diária pelos direitos do homem da floresta.
Ao longo de sua vida, Pedro Ramos, sempre foi um combatente destemido, mesmo com sua baixa estatura e corpo esquálido. As pautas ambientalistas sempre estiveram debaixo de seu braço nas pastas humildes e surradas desse emérito lutador social, com farto material para suas palestras e manifestações, ancoradas num discurso sublime de proteção ao direito dos homens da floresta. É difícil qualquer homem da hileia não se identificar com as lutas de Pedro Ramos. Elas encarnam o anseio e aspiração daqueles que vivem nessa imensidão de mata verde. Sua luta pela dignidade dos homens do extrativismo na Amazônia é de alcance universal.
Sem exagerar e com doses equilibradas de justiça, o doutor Pedro Ramos está na mesma estatura histórica de Chico Mendes, que precisou morrer pelas mãos assassinas de seus desafetos para ter o reconhecimento público de sua luta. O empenho articulado do doutor Pedro Ramos pela causa amazônica lhe valeu o sacrifício da vida familiar, deixada em segundo plano em prol de uma luta de dimensão profundamente humanitária. Fez valer a frase lapidar de Martin Luther King ao dizer que “o que vale não é quanto se vive, mas como se vive…”. Doravante, a floresta não será mesma, terá, agora, um doutor na sua defesa, num ato que teve, de um lado, a sensibilidade incomum da UEAP em construir, de forma irretocável, um momento histórico singular, reconhecendo o saber tradicional; de outro, o certeiro alvo mirado na luta incessante e heroica do doutor Pedro Ramos pelos direitos do homem da floresta. Nós vos concedemos!