O meu amanhecer tem gotejar de murmúrios de pássaros entre as ramagens das trepadeiras. São buganvílias em cachos, são floridas roseiras…
“Agora eu era herói…”
Chico, Chico, Chico…
Herói de que ou de quem?
Onde estão os heróis, o rei e o juiz nestes brasis?
Se “Pra lá deste quintal era uma noite que não tem mais fim…”
Ou serei eu “o louco a perguntar o que é que a vida vai fazer de mim?”
Ontem ainda eras presença. Hoje somente lembranças.
Ontem os ritos e crenças. Hoje uma vaga instância.
Ontem teu beijo ardente. Hoje barreiras e distâncias.
Ontem tua voz como um canto. Hoje o silêncio preponderante.
Ontem um enlace constante. Hoje um fio invisível sem atenuantes.
Ontem um bem. Hoje uma ausência doída.
Ontem sonhos flamejantes, promessas tão lindas. Hoje destroços, esperanças findas.
Hoje libero o ontem. Novos rumos, novos voos à frente, estonteantes.
O trescalar do guaco rescende por todo o pátio em exalações que se fundem ao manjericão.
Não, não, não. Não largue minha mão.
Agora, olho para o Sol e há uma dança de raios luzidios tremeluzindo sobre mim